sexta-feira, março 04, 2005

Poesia não é tédio

Diz Mário Quintana que com o tempo nós aprendemos a entender e ver que o grande amor que sempre buscavámos, também nos procurava. Antes, não o viamos e, começo a acreditar que é porque a ânsia instalada em nós, nos cega e só vivemos a paixão, tirando-lhe o direito de ver. Não, a paixão não é cega. Ela tem os olhos vedados por nós.
E eu digo, parafraseando o fantástico poeta, que insisto na sua receita de não precisar da pessoa que amo.
Mas, que lição difícil.
Com o tempo descobri que certas companhias devem ser descartadas. A ânsia é uma delas.Da minha empresa de emoções a dita cuja foi demitida por justa causa. Isso, apesar de não faltar um só dia; de estar presente em todas as minhas emoções; de promover movimentos multiplos em casa; de trabalhar nos feriados e dias santos. Ah, a ânsia não fez merecer, apesar disso, os títulos e conquistas que só os melhores funcionários recebem.
Não curto você. Não gosto de você. Você me atrapalha. Esta é a minha declaração para quem nunca faltou ao serviço e sempre se dedicou a me acompanhar por todo este meio século que vivo presentemente.
Eu sabia, desde o início que precisava expulsar algo da minha vida.
Xô ânsia, não mais espaço. Não mais tempo pra você.
Quero baní-la e sei que vai demorar ainda um pouco a sensação que deixa em minha vida.
Mas, agora é tempo de você se transformar. E para isso, a minha empresa emoção contratou definitivamente a paciência - coitada que tantas vezes foi rejeitada por mim, mas que sempre esteve recatada num cantinho que lhe é de direito, só que sem reconhecimento. Mas, com a sua natureza suportou a tudo, sendo companheira e só encontrava refúgio quando a calma, diretora das ações, graças a Deus, lhe segurava a mão fortemente com toda a reflexão merecida. Este é o destino da ânsia: a reflexão, que necessito promover com louvor.
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