quinta-feira, junho 01, 2006

Ser jornalista


Peguei emprestado da minha filha que já tomou de um amigo e estou lendo as Memórias profissionais de Ricardo Noblat. A obra faz parte da série O que é ser, da editora Record que tem como público alvo os jovens estudantes e cujo objetivo é mostrar a trajetória de muitos profissionais que formaram e formam a nossa história.

A editora concebeu a idéia ao perceber a insistência de se encaminhar adolescentes de 15 e 16 anos aos cursinhos e, uma vez lá, serem constrangidos a escolher a profissão que vai lhe garantir a sobrevivência no futuro.

Como ter certeza, ainda na adolescência, de que quando adulto estaremos satisfeitos com a profissão abraçada? Coloco em dúvida esse processo das escolas apressadas em formar.

Ricardo Noblat, blogueiro desde 2004, dirigiu o Correio Brasiliense durante oito anos (1994-2002) e passou pela redação do jornal o Globo e das revistas IstoÉ e Veja. Num texto apaixonante, Noblat nos coloca dentro da sua história e nos faz viver nele a paixão e a seriedade de ser jornalista.

Isso porque ir à redação todos os dias, pegar a pauta, cobrir, levantar dados e juntar as idéias, é muito mais que garantir o emprego. É fazer história passo a passo. É ser a história.

Ainda estudante, Noblat "furou" um grande concorrente, usando da perspicácia e da persistência que são até hoje os estímulos desse brilhante profissional. E para quem se arrisca na aventura de ser jornalista, o recado do nosso colega:

"Quem desejar levar a sério o jornalismo há de se tornar refém de suas leis
universais e, até certo ponto, desumanas. Uma delas ensina que a glória de
um
repórter dura, no máximo, 24 horas. Na verdade, dura menos que isso. A
reportagem pode lhe render elogios até o meio-dia. Depois não se falará mais
dela entre seus colegas e chefes. O autor da proeza estará ocupado com outro
assunto.

E se não provar com regularidade que é capaz de continuar
produzindo bons trabalhos, passará a ser obejto de críticas e se arriscará a
perder o emprego.

Outra lei estabelece que o jornalismo deve ser exercido em tempo integral.
Isso quer dizer: do momento em que o jornalista acorda até o momento em que vai
dormir. Notícia não tem hora nem dia marcado para eclodir e você esbarra nela em
qualquer lugar. Uma vez detectatada, não se pode ignorá-la sob pena de incorrer
em crime de lesa-majestade.

A pena máxima para o crime é o olho da rua. Pois o jornalista veio ao mundo
para correr atrás de notícias e oferecê-las ao estimado público da melhor
maneira possível. Com precisão, clareza e honestidade."
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