sexta-feira, novembro 03, 2006

Não tem brigadeiro no céu



Nada melhor do que estar fora de um problema. É este o sentimento com relação à crise que atinge os aeroportos do país. Céu com tráfego livre, mas todos em terra. Os controladores resolvem deixar todo mundo fora de controle.

E sabe o que acontece com quem fica esperando por quem não veio? Estresse. Malas na mão, crianças no colo, biscoitos devorados como último prato do mundo; pessoas dormindo no chão. Gente, isso lembra tudo, menos um aeroporto.

A polícia, que nada tem a ver com isso, é chamada para conter os ânimos. Oh, chavão. Perdoa aí, tá? Mas, quem consegue ficar feliz assim? Eu detesto esperar. Fico maluca.

Por toda a minha vida assisti à indiferença dos patrões com relação a nós, trabalhadores, sobreviventes do salário baixo. Fico imaginando como seria a minha vida, se todos os dias tivesse um plantão maluco e,como função, garantir a vida de milhares, que cortam os céus.

Um cochilo, uma distração, e lá vem o desastre, a tragédia de conviver com o crime. Isso lá é vida! Quando nos sentamos no interior de um avião pensamos no tempo curto do percurso e curtimos a atenção dos tripulantes. Gente bonita, simpática.

Eu não penso nos problemas que eles possam ter. Imagina, gente que vive no ar por opção... E quem aí se lembra dos controladores? O máximo que a gente pensa é sobre quem está mantendo o avião no ar. Ou seja, os pilotos.

Sabe o que eu faria? desistiria. Voltaria para casa, pediria para alguém me ligar quando tudo estivesse resolvido. "Ah, mas não pode, é uma emergência. Precisa ficar à espera de um vôo que pinte na última hora".

Ninguém me segura. Vou para casa esticar-me na minha cama box comprada em suaves prestações. Leia-se dez meses.
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