terça-feira, novembro 28, 2006

O que será?


Há 30 anos, o mestre da letra musical, Chico Buarque, lançava um álbum, quase fiel à riqueza de criador compositor que ele é. Digo, quase porque nenhum de nós consegue se mostrar por completo. Não por medo, por ser misterioso, mas por falta de conhecimento próprio.

Agradeço ao Chico por ter surgido nos meus 20 anos, período em que eu não estava mais perdida de mim por falta de espaço. Eu simplesmente me ignorava. E aquele moço de olhos que nos dá esperança, se debruçava sobre o íntimo da sociedade.

No álbum em questão, tão atual, ainda nos deixa sem respostas para muitas interrogações. O que será(à flor da Terra), é assim. E, eu atrevidamente, vou analisar o seu recado.

Na primeira estrofe, Chico chama atenção para a necessidade do amor verdadeiro. Apesar da lasciva, o amor é o principal fundamento para que o encontro dos corpos transcenda, atinja o objetivo de representar a união.

Exorta para as combinações feitas às escondidas, na escuridão do desconhecimento, da verdadeira importância do Eu. Assim como a luz que o conhecimento e a importância pelo outro, sugerem.

Fala sobre a grita, do falatório dos queixosos e da efervescência da nossa insatisfação. Do afastar do equilibro natural do universo. E que, sem a busca, jamais teremos certeza do que virá, porque para a maioria de nós, ainda, o advir é um mistério. Fala sobre a inexistência da fé, para a materialidade do mundo, na dúvida de que continuamos.

Já na segunda segunda estrofe, expõe as promessas no afã da emoção, esquecida por nós, quando flagramos no outro o contraste para o perfil desejado, pura fantasia nossa.
Exalta a fé, que vai consertar tudo, no Deus dos momentos de socorro e na ilusão nossa de melhoria sem trabalho. Diz que na sobrevivência somos todos iguais. Não importa de que lado estejamos. Se com a arma na mão, ou sendo o alvo.

Aponta, o que nos dita a falta de alternativas nos momentos de angústias em que nos colocamos, esquecendo-nos de que para sair precisamos por um pé na frente do outro.

Na terceira estrofe, Chico me faz lembrar o mestre de todos os mestres: “que me ouça quem tem ouvidos”. O nosso dia-a-dia com as missões e provas. E a continuidade da mesmice para os que ainda não vislumbram saída.

Estampa a providência divina perene, contínua, abençoando a todos, atendendo a todos por igual, dentro das suas necessidades. Mesmo para aqueles que nada muda, que o homem não transforma, não se transforma. E que a justiça se faz promovendo um reencontro futuro, de todos nós.

imagem publifolha.folha.com.br

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