sexta-feira, dezembro 29, 2006

Menino ou menina?


O mundo é de cores para as grávidas e mãe delas. Ficamos em dúvida entre os verdes, rosas, amarelos e azuis. Quem foi que disse que azul é cor masculina e rosa feminina? Em meio a tantas convenções nossas, confesso que fiquei frustrada ao assistir sem compreender patavina, o exame de ultrasonografia.

Na realidade, é uma invasão de privacidade sem tamanho porque sempre considerei que o útero materno é o melhor lugar do mundo, mais aconchegante e onde todos deveríamos estar super-protegidos. Mas, não estamos.

Hoje, a tecnologia nos permite ver, curtir já o pequenino que pulsa com vontade alheio à nossa curiosidade. Como disse, não entendi o que vi. O médico também não ajudou. Limitou-se egoísticamente no seu saber a responder a algumas perguntas feitas pela minha ansiosa filha. Eu nunca vi tamanho desinteresse.

Será que os médicos estão perdendo a emoção? De tantas vezes repetidas ações diante do monitor do aparelho cujo nome me escapa, apenas se restringe a medir, calcular e pronto? Não acredito, sinceramente, que a repetição de um gesto nos tire a emoção. Que nos digam os torcedores de futebol, que explodem de emoção durante os 90 minutos de uma partida decisiva.

E o tal médico, que também não sei o nome, permaneceu de costas pra mim, para avó, e para o pai também. Quanto desprezo! E a minha filha esticando o olho na tentativa de ver o que se passava em preto e branco.

O sexo do bebê continua em mistério porque ele ou ela manteve as pernas próximas demais, quase cruzadas, e ainda contou com a colaboração do umbigo para nos esconder o gênero.

E eu ali com um olhar no monitor e outro nas costas do médico indiferente, que ainda respondia baixo às perguntas da mãe estreante. Saímos do consultório com um misto de desgosto e de raiva. Sim, porque a emoção nossa nem sempre é experimentada pelo outro. Mas, será que não está no tempo de os médicos lembrarem que são humanos e a que a gestação é maior resposta de Deus para as nossas angustiadas indagações?

Pois, neste momento, eu digo ao meu segundo netinho, que eu o vi e não entendi, mas compreendo perfeitamente que todo o amor do mundo eu lhe darei. Seja bem vindo, não importa a cor que vá usar.
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