sábado, agosto 18, 2007

Vida na cartilha

O que contam as cartilhas da vida. As primeiras leituras podem nos marcar por toda a vida.

Na última viagem a trabalho, conheci uma simpática senhora, que ao perceber que o nosso grupo, formado na maioria por mulheres, usando calças compridas - roupas que estão substituindo paulatinamente os vestidos- explicava porque nunca na vida havia usado calças.


Quando menina, disse ela, ao participar do catecismo na igreja da sua pequena cidade, leu a seguinte recomendação: mulher que veste calças é porque quer ser igual a homem.


Foi o suficiente para que o alerta banisse do seu guarda-roupa qualquer insinuação da tal vestimenta.


Diante do meu olhar de ignorância do solene significado, ela repetiu, mudando o tom, desta vez mais enfático: fazer o que o homem faz... compreende? Disse que sim, mas confesso que ainda não entendi e que a neurolingüística me desculpe, mas vou como quase sempre faço, alucinar:


Ser igual a homem teria o significado de fazer o que uma menina de família não faria. Ou seja, sair à noite, namorar, ter experiências sexuais, prerrogativa que somente aos homens competiria.


Acho mais plausível o pressuposto do sexo, porque quando menina, tudo o que dizia respeito ao sexo feminino era proibido, até inclusive, permitir que o pai desconfiasse de que estava menstruada.


Imagina, naquela época, mulher não menstruava, tinha regras. As minhas eram com muitas exceções, lembro bem.


Quando fiquei mocinha – era assim que se denominava as meninas na menarca - tinha medo de tudo , principalmente do sexo, reduto de tudo o quanto de ruim poderia acontecer à uma mulher.

Prevenções maternas aterrorizavam e me faziam olhar com receio até o homem, a quem tenho muito respeito: papai.


Acredito que tenha superado o medo porque depois de dois casamentos ainda me arrisco a um tentar um terceiro. O problema não é o possível companheiro é o meu jeito de ser, tão espaçoso quanto o fato de não ser casada permite. Sabe, aquele jeito de ser independente, que gosta de cola, mas que não quer ninguém colado?
Postar um comentário

Obrigada pela visita

Espero seu retorno