sexta-feira, setembro 14, 2007

Censurar é ...


Na primeira vez que sofri um corte - censura do chefe à uma matéria - foi a sensação mais terrível que senti. De início, porque não fui informada do embargo, e muito pior, porque senti-me o que é ser seccionada numa ação em que apostava como certo. E até hoje ainda aposto.


Não fui peitar o chefe como mandava a impulsividade. Ponderei. Contei até mil e, por sorte, fui encontrar respostas no que considero reduto de vivências na imprensa, uma colega de trabalho, melhor dizendo, a diretora da empresa, que tinha me ensinado os primeiros ensaios da ética, da filosofia da comunicação: Adísia Sá.


O que ela me disse naquela época, ainda é modelo para as minhas avaliações. Enquanto reclamava do corte sofrido, a jornalista, com muita calma, destacou que o pior mal que um profissional da comunicação pode cometer é autocensura. E, outra: que o fato de ter sido embargada, não significava necessariamente que eu concordava com a filosofia da empresa.


Que alívio para um ser que se debatia ainda com o cheiro de iniciante. Ficar calada significava para mim ser conivente, ou pior, covarde, negar tudo que aprendera! Hoje, consigo continuar respirando quando os embargos aparecem e tento ver como prossegue o seu caminho, a água represada. Se não se esvai com a força dos ventos, goteja pacientemente em busca de saídas.


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