sexta-feira, setembro 21, 2007

Em cima da árvore

No dia dedicado à árvore será que alguém por aí, nas matas brasileiras vai dar importância aos apelos para mantê-las em pé, fincadas ao chão, alimentadas pela terra, permutando hidrogênio, nos permitindo continuar respirando?


Ainda estou com a imagem nítida da falta do verde naqueles galhos nus das resistentes árvores de Cabrobó, em Pernambuco. Aqui, no Ceará o verde chega até - em muitas áreas - a predominar. Sempre tive sintonia com as plantas. Gostava de me recolher encostada nos troncos das frutíferas do quintal da infância. Muito mais ágil do que hoje, vencia a altura com rapidez felina para alcançar os frutos mais doces. Sim, porque no início da vida, os doces são mais sentidos. O paladar de menina era mais sensível, sem os traumas dos alimentos temperados muitas vezes pelo descuido à saúde.


Não só comia as serigüelas, as mangas, os sapotis, os cajus, colhidos no pé, como também mordiscava pequenas folhas verdes, imitando as formigas. Ficava assim, nos raros momentos de paz, meditando - sem ter a menor idéia de que assim agia - balançando as pernas sem medo de cair. Sem medo de ser feliz.


Tempos gloriosos que coloriram a visão limitada, ainda tímida de um caminho a ser descoberto. Iniciante na vida de retorno à Terra, com a areia me identificava, jogando-me ao solo nas brincadeiras com bolas de gudes e pedrinhas que eram atiradas ao ar, sem as arengas das meninas mimadas, que insistiam que eu revelasse inveja contida, exibindo as ricas bonecas que nunca tive.


E quem queria aquelas coisas frias, que logo perdiam a graça? Eu, presa como bichinho esquecido pelo dono e adotado apenas para que não se perdesse por aí - era livre no pensar porque nada me dava mais prazer do que me imaginar grande, dona do meu nariz, enquanto mordia uma serigüela verde, saboreando até chegar ao caroço, tudo o que a vida me permitia.
Postar um comentário

Obrigada pela visita

Espero seu retorno