sexta-feira, março 30, 2007

Diante da latinha


Gosto de Coca-Cola bem gelada. Isto não é propaganda, acredite.

Logo depois de saborear o produto, não costumo pensar no que virá a seguir. Qual seria o destino da latinha? Depois de comprovar o consumo junto aos produtos à mesa, irá para o lixo, que não é, com certeza, o destino final. Será a esperança de muitos catadores. Uma vez recolhida receberá com precisão, o golpe do pé de quem recolhe e sobrevive nas ruas. Depois de achatada será transportada nos carros improvisados movidos à força do homem.


Imagino o seu pensar, já contando as poucas cédulas, que lhe valem mais do que o valor estampado. Inspiram os sentidos. O cheiro do feijão fervendo, o caldo ralo que vai aquecer o frio do abandono, o pão sem manteiga e com café frio, mas agradecido aos céus.
Enquanto moeda corrente para o empresário da reciclagem é também a esperança de quem convive com a miséria e nem se dá conta de como eu, agora, participo, mesmo sem ter consciência desse ciclo.
A latinha é concorrida tanto quanto a marca que estampa. O número de funcionários da empresa recicladora aumentou. Será que a empresa também progrediu, aumentando os benefícios? Será que além do desejo do lucro, há uma ouvidoria para atender os reclames dos trabalhadores?
Quando olho para um catador, trabalho a minha arte de copidescar: ponho luvas amarelas, botas emborrachadas(nesse calor é mais um desafio), roupão colorido para ser visto pelos guiadores malucos da Cidade; máscara branquinha à prova de manchas. Você já imaginou um catador assim?

E agora, pronta para pedir outra, como gostaria de ter sido mais útil no passado.

quarta-feira, março 28, 2007

Paternidade, maternidade


Que pais somos nós para os nossos filhos? Por apenas hoje, vi uma mãe que se negou a dar de mamar ao filho, que morreu vítima de desnutrição. Um pai batendo na filha, que perdeu a competição. Que filhos queremos ter?


A questão é o ter que tomou conta do estar. Equivocamo-nos em meio à psicologia do amor que se perdeu na primeira aula. O que ficou foi a frustração de não ter ido mais longe (e alguns acham que o filho (a) é o móvel da frustração) e daí o desejo obstinado de que ele deve prosseguir o caminho abandonado.


Imagino e lamento como deve ser a realidade da nadadora Kateryna Zubkova, que foi agredida pelo pai, que também é técnico da garota, após ela ser eliminada do Mundial de Esportes Aquáticos de Melbourne, na Austrália. O sucesso é uma conquista individual, mesmo que mova outros ao nosso redor. É mérito único.


Torço para que o garotinho que não teve o direito de receber o carinhoso alimento do peito da mãe, que alegava proibição da seita que segue, sobreviva plenamente rumo à luz.

segunda-feira, março 26, 2007

Lembrar sem saudade


Eu tenho a forte impressão de que as lembranças não devem ser interpretadas como saudade. Aquela dor, que por maior que seja, não consegue preencher o vazio da distância sentida. Lia sobre o sentimento num texto enviado por uma amiga.


É esta a sensação que tenho da redação e dos estúdios da rádio AM do Povo. Acredito que este seja o último post sobre a emissora. Porque de agora em diante, vou me ocupar de outros temas, deitar o meu olhar sobre a Cidade, sobre o meu bairro, a minha rua, a minha casa, e sobre mim.


Não que seja por falta de argumentos, eu sempre vou lembrar daqueles momentos preciosos, mas sem dor nenhuma porque até onde sei, fiz a minha parte. Na briga contra os ponteiros do relógio ditador, o sufoco exigido pelo trabalho sempre nos provocava risos. E fazíamos da redação o nosso nicho para crescer, fortificar e informar com qualidade.


Havia programas outros em que o riso era o móvel dominante. Noutros, a seriedade se fazia sentir. Fui repórter, redatora, produtora, apresentadora e até radioatriz. Imagine, só. Ao lado de Eugênio Stone e de Valéria, que se consagrou com a personagem Rossicléia (à época ainda não estava em cartaz), levamos ao ar estórias argumentativas em programas de cunho educacional.


Ao lado de Adísia Sá, a mentora de todos nós, encarei sem dificuldade e constrangimento as sugestões e críticas dos ouvintes. Ela como ombudsman e eu na direção da emissora. Foi com a nossa mestra que aprendi a fortalecer o meu caráter ético na profissão.


Lembro que Adísia sempre me socorria quando, diante de situações adversas, a dúvida me consomia. A professora costumava dizer: eu não faço concessões. Ou: não tenho saudades. Sempre me dou por inteira. Vivo intensamente o momento, a situação. Sigo o modelo e vou adiante, recordando os amigos, a amizade sem melancolia.


Aos meus companheiros, um abraço virtual, mas uma energia real. Muita luz!


domingo, março 25, 2007

Festa sem barulho


Acabo de ler matéria no O Povo sobre os 25 anos da AM do Povo, como ficou conhecida. Confesso que senti falta de cores. Digo, de festividades!


Comentei sobre a possibilidade de ser mais barulhenta a passagem, mas pensando bem, a rádio tem sido uma festa durante todo esse período, que está no ar. Deve ser essa minha veia festeira que tenho que fica cutucando e criando necessidades.


Logo nos primeiros anos de atividades, os aniversários eram comemorados com a participação de inúmeros artistas de renome nacional. O público que não se limitava apenas a ouvir a programação, estava concosco diariamente, sendo platéia e bastidor simultâneamente, aparecia e dava cor e som às comemorações.


Mas, é na informação que está o brilho da AM do Povo. É por meio dos âncoras que a Cidade se mantém informada. Não obstante, a dificuldade de vender espaços, porque só quem trabalha em rádio sente na pele a dificuldade de se fazer reconhecer a qualidade merecida.


Como formadora de opinião, prestadora de serviços e, fundalmentalmente importante na formação de cidadania, o rádio está no mesmo patamar de descrédito que a escola. Afirmo sem medo de estar cometendo injustiça. Falo no tocante à educação porque quem informa, educa.


Mas, resiste ao tempo e às adversidades porque está sempre pronta para prestar serviço e a emissora que foge desse objetivo apenas fica no ar, devendo a todos nós a oportunidade da informação.


A AM do Povo tem se mantido firme porque tem no leme uma pessoa com visão ampla que o meio precisa: Demórito Dummar.

Obrigada pela visita

Espero seu retorno