sábado, abril 21, 2007

Caçadores de nuvens


Existe profissão mais incrível e benevolente do que aquela que presta serviços ao outro, sem pensar na remuneração, só pelo bem- estar? E é nesse clima benfazejo que destaco aqui o trabalho de inúmeras pessoas - dentre elas até garotos - em busca do líquido precioso da natureza.


Enquanto nós aqui desperdiçamos água fluoretada limpando calçadas e carros, habitantes do deserto de Atacama, no Chile, o mais árido do mundo porque lá só chove a cada oito anos, sobrevivem, apesar de tudo.

A engenhosidade se dá quando é capturada a água que está no nevoeiro, o que eles têm de fartura.


O céu chega até eles e por meio de uma rede que retém as gotas. E quem nos conta tudo isso é um garoto de 11 anos de idade. Nada de tecnologia, apenas o interesse pelo outro.


A matéria do Fantástico, domingo passado, me tocou profundamente, algo que não sentia mais vendo programas de TV. Eu sei da importância do factual, mas como jornalista sei também que podemos apresentar todos os viés de um fato, inclusive, saída para a crise, que nós temos, mas, por falta de espaço na mídia, não é mostrada.


sexta-feira, abril 20, 2007

Isso dá trabalho


Costumo dormir na frente da TV. Tive um pesadelo: vi Collor e Roberto Jefferson defendendo os direitos dos trabalhadores!?


Ciro Gomes me convida a pensar no Planeta. Ao final da apresentação em tom fraterno, o Planeta azul pulsa, imitando a batida do meu coração.


Reflito: faz sentido.
Acorda, Alice!

quinta-feira, abril 19, 2007

Em festa



O livro dos Espíritos há 150 anos foi queimado em praça pública por ordem de um dos mandatários da Igreja Católica porque não entendeu a mensagem.

Hoje, é conclamado em plenários. A Assembléia Legislativa realizou ontem, sessão especial para comemorar a data. E nesta quinta-feira, foi a vez da Câmara Municipal.

Eu festejo o meu melhor discernimento com relação à vida.

Valeu Kardec.

terça-feira, abril 17, 2007

No tempo do faz de conta


Vi no último domingo, na rede Record, o doutor Beleza, cirurgião plástico que renova corpos humanos nem sempre cansados de guerra.


Nessa briga contra o tempo, o que se ganha mesmo? Mais tempo?


Depois de uma recauchutagem, eu quinquagenária, exporia a figura numa boa, ou cobraria ingresso? Para ter lucro no investimento, usaria os populares com toda a franqueza que o virtual interessado mereceria e assim escreveria:


A ordem agora é fazer de conta: faz de conta que o tempo não avança e não me torno mais velha. Que os meus seios até cresceram! Veja agora uso 46, contra centímetros a menos na cintura. O meu bumbum também está lá em cima, firme, duríssimo, imitando uma pêra. Muito desejável.


Meus braços, agora musculosos, desafiam o tempo e a gravidade. As partes internas da coxa fazem inveja aos atletas mais aptos e as panturrilhas perfeitas, enfrentam o salto com harmonia.


Em tempo estou com 52 anos e sou a maior enganação. Só peças de reposição.


E aí, vai encarar?


Nem sei se teria condições psicológicas para conviver com alguém que fizesse de conta que me aceitasse assim. Por enquanto, estou com e em tempo de querer mudanças, mas internas. Aí, realmente, tento encontrar o belo.

segunda-feira, abril 16, 2007

Cur(ativa)


Feridas e ferimentos. Veria a vida assim caso fosse médica? Cada um de nós tem um pouco das profissões necessárias, mais básicas, para continuar sobrevivendo.


Em muitos momentos fui ferida aberta. Dolorida não queria que me tocassem, dóia demais. Fui surda diante das súplicas de amigos (enfermeiros) alertando-me para a necessidade de, pelo menos, assepsia, mudança de curativos...


Mas, sangrava sempre na troca e ficava assim, quase que anestesiada, esperando a dor maior. E depois, via a necessidade de modificar, levantar, ver crescer, renovando a pele, numa cicatriz. Magia do amor.


Outras vezes, amputavam-me as chances, a esperança tinha sido cortada, mas agora, já prevenida, e mais flexível para com os enfermeiros, deixava-me cuidar. Retornava o membro retirado e me via inteira.


Pronta pra outra? Sim, mas só na companhia do mágico amor.

domingo, abril 15, 2007

No badalar


Tomava café, aproveitando a solidão promovida pelo sono dos encarnados da casa, colocava o pensar em movimento. Gosto muito daquele cantinho da cozinha, tendo como companhia o café quentinho preparado pacientemente por mim. Rotina diária que não me rouba o prazer de degustar o líquido quente. É um abraço matinal. Um agradecer à vida por momentos tão comuns e mesmo assim tão valorosos.

Penso nos que já esqueceram o prazer necessário do café da manhã por falta de provisões e de oportunidades. Vou longe, transcendo as paredes, o teto da minha casa e procuro o infinito. Com o providencial transporte - o pensamento - rompo barreiras de altitude e longitude.

Um som convidativo me repõe no lugar à mesa. É o sino da igreja de Fátima, marcando oito horas. O meu relógio está atrasado cinco minutos. Sem querer questionar as razões para as diferenças, acompanho as oito badaladas. São tão familiares. Busco na memória quantas vezes já fui embalada por esse som.

Volto à viagem. Vejo-me de vestido longo e preto. Cabelos presos com uma espécie de chapéu esquisito. Não é chapéu é um lenço. Corro para atender ao chamado e me junto à outras mulheres com o olhar esticado no além. Nunca sei o que acontece em seguida. Histórias interrompidas. O mesmo ponto e vírgula que a minha existência sugere.

De volta ao presente, fico curiosa para saber a história do sino. É tudo tão interessante. Hoje, depois de perder vários relógios de pulso - alguns esquecidos numa gaveta qualquer - verifico o passar das horas no celular. No entanto, a nostalgia e aquela cena em algum bolsão da memória, se repetem.

É tão bom saber que a vida prossegue.

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