sábado, maio 05, 2007

Prostituição na TV


O que a Globo pretende com o personagem da excelente atriz Camila Pitanga? Estou - só de bem - acompanhando, de vez em quando a trajetória de Bebel na novela, em sua forma invejável(?!)


O papel que alguns insistem em dizer que é rico porque ser prostituta não é fácil, não mereceu ainda, um tratamento que me convencesse. Qual é mesmo o recado? Mostrar que a mulher objeto ainda é a bola da vez? Que a única inspiração de vida é o sexo vendido? Que a maior felicidade é ser cliente exclusiva para sair das ruas?



A repórter Glória Maria fez recentemente uma entrevista tímida com Camila Pitanga a respeito do personagem. Tímida porque só se ocupou da performance da atriz num passeio num dos belos recantos do Rio. Senti a idéia da Globo que é tornar o Rio de Janeiro, uma cidade mais agradável, apesar de perigosa. O apelo global mostra a maravilha que já foi de forma superficial demais.


O cenário, restrito ao bairro famoso Copacabana, maravilhoso por Deus, está longe da realidade que a própria emissora mostra em seus noticiosos.


E o que diabo uma cearense tem a ver com a cidade maravilhosa? Tudo! Faz parte do meu cenário também porque o que mais me incomoda é a insegurança, não só pelo números de vítimas, mas por todo um contexto que desvaloriza o ser humano.


E também porque estou cansada da superficialidade. O brasileiro é antes de tudo, um criativo incansável, mas muitas das idéias morrem na praia. Não sugiro o aumento do espaço de Bebel na novela, mas será que daria para ser mais objetivo?

sexta-feira, maio 04, 2007

Sonhos para realizar


Já falei aqui de muitos dos sonhos que me acalentam o pensar. Lembro que já fui vítima de confusas resoluções. Já cheguei a acreditar, de fato, que na interação do dia-a-dia, tinha por obrigação alimentar os sonhos do outro. E nessse acreditar, prover a realização dos desejos animados pela sensibilidade dos protagonistas.


Ainda hoje, fiquei no cismar e, como sempre faço, converso com o assessor de todas as horas, em busca de uma resposta, que não só me convença, mas que me dê respaldo para continuar vivendo no Planeta sem muitas oscilações. Quero dizer: culpa por não ter facilitado, ou melhor, ter sido aquela mão que distribua recursos para tornar real o sonho do próximo.


O meu amigo invisível fala-me com a sua sabedoria exemplar, que o sonho pertence ao sonhador e que a realização deste deve-se unicamente a quem o planeja. Mesmo com a nossa participação na vida do outro, o sonho é individual e cabe tão somente ao desejoso realizá-lo, buscando meios para essa conquista, sob pena da transferência desaguar o sonho.


Dei-me por satisfeita, e abrindo o baú das recordações num dowload célere, vi-me realizando passo a passo os meus mais fervorosos sonhos, por vias nem sempre tão viáveis, mas que ao final, à chegada ao alvo, vislumbrei-me mais fortalecida.


Realmente, não posso realizar o sonho do outro, não posso roubá-lo. É o que mais nosso temos.

quinta-feira, maio 03, 2007

Cronicando


Eu tenho um sonho: ser cronista. Passei algum tempo da minha existência cismando a respeito do desejo. Afinal, é preciso ter uma visão macro para chegar ao micro da questão. Não sei se vou conseguir, mas continuarei tentando porque há tentações infinitas ao meu alcance.


Os fatos merecem, além da notícia, o aprofundamento para fugir da superficialidade e se contextualizar com o cotidiano. Nada é isolado. Essa é a compreensão. É preciso lincar-se, estar presente, mesmo que o tema aparentemente não nos diga respeito. Ler é fundamental, daí a necessidade da escrita.


Nada me dá mais prazer do que uma leitura que se faz compreensiva. E há aquelas ainda que costumo assinar ao final do texto, sem plagiar, só pela emoção de fazer parte do conteúdo. O nosso País, apesar dos inúmeros analfabetos, é farto de escritores maravilhosos.


Quando quero encontrar a veia da escrita, busco ajuda nas letras de Carlos Drummond, de Afonso Romana Sant'Anna, Machado de Assis - como cresce a sintonia quando os leio. Afonso, por exemplo, diz que o cronista é um escritor crônico.O cronista é crônico, ligado ao tempo, deve estar encharcado, doente de seu tempo e ao mesmo tempo pairar acima dele.


quarta-feira, maio 02, 2007

Depois da festa


Não sei não, só sei que fiquei frustrada. A festa foi tamanha que me deu uma ressaca enorme! Estou falando das comemorações do dia do trabalhador. Não fui para a praça do Ferreira curtir o babado - teria sido esse o mótivo para o meu tédio?


Não aprendo mesmo: estou sempre com a expectativa lá em cima. Alguém aí ouviu falar de mudanças? Ah, tá, nem eu. Pois é, estou assim meio desolada. O empenho dos promotores das festas no país até que capricharam, sortearam até apartamentos e carros.


Mas, nem isso me deu alento. Cadê o novo mínimo? Alguma resposta para a crise do desemprego? Para segurar os pequenos e micros empresários? Será que ando lendo pouco? Ou ainda é muito cedo para reclamar?


Longe de torcer por conflitos, mas as festas em homenagem ao dia do trabalho me deram uma canseira...

terça-feira, maio 01, 2007

Dia do trabalho


Hoje estou apoiando todas as atividades em homenagem ao dia e pela honra do trabalhador.


Eu disse honra!

A propósito, você sabe quando começaram as comemorações pelo dia e por que surgiram? O site Brasil Escola resume bem a história.

Interessante, que apesar de ser feriado nacional, a data sempre foi marcada por manifestações nem sempre pacíficas.

A imagem ao lado é de Peter J. McGuire, o idealizador do Dia do Trabalho.

segunda-feira, abril 30, 2007

Para lembrar


Não faço silêncio, mas também não desrespeito e cito aqui o pedido feito pelo site onedayblogsilence.com, em homenagem às vítimas da Universidade de Virgínia.

O Silencio pode dizer mais que mil palavras.
Este dia nos unirá sobre
este doloroso e chocante evento e mostra algum respeito e amor àqueles que
perderam seus entes queridos.
Em 30 de abril de 2007, a blogosfera irá
fazer um dia de silêncio nos blogs para honrar as vítimas de Virgínia. 33
mortos no massacre da universidade.
Todos devem espalhar esta notícia
para o mundo e publicar o gráfico em seu blog em 30 de abril de 2007. Sem
palavras nem comentários. Apenas respeito e empatia.

Alguns chegaram a comentar que não atenderiam à solicitação, alegando que o ato interessaria apenas aos norte-americanos - no que discordo - e que muitos morrem no Brasil vitimados pela violência.


O terror atinge a todos nós, no Planeta. O homem mata e se mata a cada movimento ou ato violento. É preciso sim lembrar os que caíram diante da ausência do bem.

domingo, abril 29, 2007

Dignificando


Participei de uma discussão interessante e oportuna sobre o trabalho, o limite dele e o repouso. Uma frase bem batida mereceu atenção : o trabalho dignifica o homem. Ah, tá, quem se habilita a perguntar ao assalariado, como ele se sente na sua dignidade?


Oquei, como expressa Maísa Vasconcelos, o ócio não dignifica e sabe quais as razões? A primeira porque não se faz nada pelo outro. Bem diferente daquele que trabalha o mês inteiro, suando camisas rasgadas - quando tem para usar - chega em casa, olha para a mulher e aquele monte de filhos com olhinhos quase sem expressão e diz mulher, isso não pode continuar.


Aprendi desde cedo que me considero mais digna quando como, durmo, a cordo e sei que tenho um lugar para ir trabalhar e que ao final do mês, sei que vou voltar ao supermercado, que vou continuar com acesso à água, luz e telefone.


O país ainda amarga a escravidão. De vez em quando surge nos noticiários informações dando conta de trabalhadores que vivem no cruel regime. E não só brasileiros. Vi recentemente que nós também maltratamos estrangeiros, como os bolivianos que vêm para cá, em busca de melhores dias, sendo submetidos ao trabalho exaustivo e com pouquíssima renda.


Ainda usamos irmãos nossos como degraus na escada do que chamamos de sucesso profissional. Puxa, como necessitamos de uma nova leitura para o manual de convivência humana. Eu não estou revoltada, muito menos indignada, só vejo com muita distância ainda, o sucesso do homem na Terra.
Pra mim, dignidade começa na escola, razão pela qual destaco aqui o educador Paulo Freire, pernambucano que conheceu a miséria bem de perto e promoveu a inclusão - palavra batida - mas tão necessária para nós.


Obrigada pela visita

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