sábado, junho 16, 2007

Ladrão da tristeza


Lendo a história de vida do palhaço Trepinha, agradeci a Deus pelas inúmeras gargalhadas, sem reparar no que os outros iriam comentar porque também faziam coro.


Que bom que o avanço da tecnologia não conseguiu retirar da arena, ou melhor, picadeiro, o riso do palhaço, que resiste ao tempo, porque não somos indiferentes ao bom humor. É preciso - insisto - que nos seguremos no riso simples, dos gestos e das piadas óbvias dos palhaços nossos de cada dia.


A piada ingênua, curtição da rotina diária que passa despercebida porque crescemos, ainda infantiliza a vida. E é no que consideramos bobagem o riso frouxo despreocupado, que nos libera das sensações das adversidades e nos liberta a alma.


O palhaço é o artista nato que recria ações. Nada de novo faz porque não é necessário. Cara pintada, nariz de plástico vermelho, sobrancelhas exageradas, caricaturam o humor nem sempre correspondido dos adultos.


Palhaço é para criança, período feliz porque nos aliena das adultices futuras. E a gente aporrinhando a infância perguntando o que quer ser quando crescer. E eu sei? Grande? É a tal mania da antecipação, do pre-ocupar-se, saltando os dias leves, comprometendo o advir.

quinta-feira, junho 14, 2007

Oportunismo



Aproveitando o embalo da declaração da ministra Marta Suplicy, saí por aí, como quem nada mais tem a fazer e, sem cair na vulgaridade, encontrar frases similares com sentidos outros. A que costumo repetir, ensaiando o canto é de autoria do nosso cearense Belchior : eu quero gozar no teu céu, pode ser no teu inferno.


Se a ministra ainda não conhecia os dois extremos antes, agora está tendo a oportunidade de experienciar. Ela nem precisava se esforçar para ser criticada pelos adversários políticos, sem contar com o entortar de boca de muitas senhoras, que vestem a seriedade e a compostura conservadora devem estar fazendo.


Mas, matéria de ontem, sai das primeiras páginas. Hoje eu quero acompanhar Belchior, buscando ponte, na qual me transporta para o inferno, queimando no mármore das improbidades verbais, e que também me conduz ao alto, no refúgio das letras da poesia.

quarta-feira, junho 13, 2007

Se é pra relaxar...


Realmente, a palavra tem vida e costuma se voltar contra quem a pronuncia. O gozado, para não dizer dramático, é que muitas das sentenças vêm de pessoas que descuidam do palavreado. A ministra do Turismo, ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy já falou dezenas de ações, deixou fluir em verbo clássico num universo de palestras, que não ocuparam espaço por muito tempo nos meios de comunicação por não serem impactantes.

Esse gosto brasileiro de escancarar nem sempre é ilário. Talvez seja porque Marta Suplicy , mulher esclarecida, se tornou conhecida por ter a coragem e a simplicidade de falar sobre sexo, com prazer , tratando do assunto na TV Mulher, no programa em que também ficou conhecida - pelo menos para mim - a jornalista Marília Gabriela.

Ainda inspirada no linguajar, a bela política para aliviar a tensão provocada pela crise aérea, recomendou que relaxassemos e gozássemos. E não é que relaxando a gente chega ao climax mesmo!

Sem querer sair agitando bandeiras em favor do mulherio eu quero mesmo é voltar aos céus, romper o horizonte num pássaro de prata. Se vou gozar, não sei, mas desde já estou relaxando.

terça-feira, junho 12, 2007

A propósito do dia de hoje

Não concordo quando dizem que nós mulheres queremos sempre ganhar presentes e, de preferência, caros. São bem vindos quando chegam, e caros pela oportunidade. Não no sentido de grana, mas que sejam frutos de um minucioso exame de quem vai presentear. Pode ser uma rosa simples sem a companhia de folhas, verdes esperanças de uma relação duradoura.


Também pode ser um passeio bem do tipo romântico onde ninguém mais possa ouvir as íntimas promessas. Ou algo mais exposto como uma grande faixa com recados bem elaborados.


Quem assim descreve limita a razão de ser da essência romântica. Um sorriso bem que vem a tempo para traduzir uma oferta de gentileza.

Hoje à noite, muitos murmúrios e congratulações entre os mais antigos. E há ainda aqueles casais cujo convívio está tão ressentido, que sequer querem lembrar a data. Noutros, um simples feliz dia dos namorados com um beijo ao vento, só para não ter que dizer que não lembrei.


Tranqüilidade para os "solteiros", os que pensam na grana que economizou, no tempo que não gastou, na conversa que não ouviu. De qualquer forma a data chega e passa e quem mais comemora é o comércio.

O namoro para ser presente se faz todos os dias. Tenho um colega que sempre pergunta à esposa o que ela quer ganhar. E ela responde, o que você acha? Ainda não aprendeu a me conhecer ?Nada mais cortante do que a usual expressão.


Dizem que a mulher gosta de ensinar coisas diferentes e simples ao homem como se comportar à mesa, como andar, como se vestir, conversar, olhar, dentre outros. Eu acho que no fundo, no fundo nós gostamos de comandar. É por isso que ensinamos, esse é o pretexto. Mas, antes que o homem reclame, aprender é uma forma de se libertar.

segunda-feira, junho 11, 2007

Senhores passageiros


Entrei para a história da viação brasileira. Fiquei plantada que nem um vaso no aeroporto internacional Pinto Martins, por cerca de seis horas, à espera de um vôo que dura 40 minutos.


Sem sofrimento: curti a companhia dos colegas de trabalho e até neste momento, quando atualizo o blog, às 17h32min, ainda não dormi. Pura excitação de ser figurante de uma das maiores crises do país.


Eu gosto mesmo de coisas que passam e enquanto duravam, estavam bem, do tipo voar com direito à sala Vip, com cafezinho, chazinho e algumas olhadas nos pilotos e tripulantes com aqueles uniformes que chamavam a minha atenção.


Eu sempre quis voar igual ao pássaro, mas não me contento com migalhas. Por isso, me adequo ao movimento - digo as paradas - do tráfego aéreo. Quem disse que precisa ser chique pra voar?


Nos tempos de hoje, é só ficar de plantão na internet e clicar no endereço oportuno. A única desvantagem é ficar na fila de espera.

domingo, junho 10, 2007

Enquanto crescemos


É curiosa a forma como nos vemos. Nascidos simples e ignorantes, com o crescimento e os desejos mais ou menos similares, vamos nos distanciando com relação às metas, os objetivos, sonhos, nem sempre olhando para as nossas aptidões.


O certo - se é que podemos assim considerar - é que uma grande porção da humanidade se repete. Não quer avançar porque o olhar ainda está preso às vísceras do egoísmo. Não obstante, soltamos o riso diante de tudo, numa espécie de psicoadaptação.


O bom - pra mim - é que esse processo de convivência inspira textos iguais a esse, vindo de uma pessoa que se locupleta por não fazer parte, pelo menos diretamente, de ações que provoquem insônia. Porque assim me permito sonhar - sem ilusão em demasia - no dia melhor que está pra chegar. Já está bem aí diante de mim.


Enquanto isso, vamos curtindo a arte da crítica ilária do chargista Clayton.

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