sexta-feira, novembro 23, 2007

À flor da pele


Nós mulheres, a despeito da profundidade com a qual costumamos despir os sentimentos, gostamos demais de roupas diferentes. Quer dizer, num tempo passado, porque hoje muitas de nós quando quer aparecer, ser notícia, tira tudo, menos a maquiagem.


Não sei quando começou, mas depois que o nu virou arte, substituiu a inspiração, os atores tiram a roupa, com o argumento de que a arte merece sacrifícios. Mas, no fundo, nós sabemos que na arte da sobrevivência, não é preciso despir o corpo, mas a alma.


Lamento pela geração de hoje, que permanece na superficialidade, fazendo caras e bocas e só porque aparece na telinha, é celebridade. Lamento também pelos bons produtores, constrangidos a acenar a cabeça com um sim, diante da crise instalada.


Tudo isso é para reclamar do apelo da Globo, que atropela arte e artistas, que sente na pele o quanto falta ainda a mostrar do que pode, do que tem.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Qual foi o crime da Eva?


O "crime" de Eva não prescreveu ainda? Esta pergunta, é no mínimo, exorbitante. Sim, porque exorbita qualquer tipo de manifestação contra os gêneros que somos. As manifestações são punidas, contudo, o que cabe aqui é o sentir. Mesmo que calemos a voz, o sentimento contrafeito existe, vai continuar existindo.


As reprimendas civis coibem a manifestação, mas a gente aprende quando? A figura Eva, que personifica a mulher no mundo, é usada, convencionalmente, contra o jeito feminino de ser. Não me surpreendi com as declarações do juiz Edílson Rumbelsperger Rodrigues , também não vou aqui ser pretensiosa a ponto de julgá-lo. O que pertine, como já disse, é o sentimento nosso, conosco, convosco.


Sou o que alimento na alma, insisto na mente. Sei que por muitas vezes, o super-ego cochila e despacho sem preocupação o meu sentir, o pensar. Por esta razão, sempre desperto o querer da mudança, do fortalecer na fé de que tudo passa. E nós, passageiros dessa nave, pegando atalhos para alongar o caminho.

terça-feira, novembro 20, 2007

Arco-íris


Eu cresci ouvindo que consciência negra é ter pensamentos maus. Era o resquício de uma cultura alimentada, infelizmente, no meu País. Tudo que não era recomendável era escuro, numa alusão às sombras que nos persegue, da ignorância da essência real da vida.


Pois bem, a luz, que é o discernimento, espanta a negritude do pensar. E hoje consciência negra é reconhecer que podemos ter todas as cores; que podemos ter todos os idiomas; todas as vozes e todos os direitos.


Neste mundo multicolorido, penso conservar o arco-íris que Deus nos concede e alimentar o pote de ouro para enriquecer o sobreviver num Planeta que nos experimenta, todos os dias, neste caminhar, nem sempre vivenciado como deve.


O amor reúne todas as cores.

segunda-feira, novembro 19, 2007

No seio da família


Sem desmerecer o homem, a sua função na família, a mulher-mãe conta muitos pontos. Apesar das adversidades e da dor, parir, criar, educar e manter a união na casa, verdadeiras provas de fogo no quesito sentimento.
Sempre vi na mulher a condição doméstica de atuar sempre, sem direito a férias e murmúrios, a mãe é a escola da família, é aluna eterna da vida.


Estou assim ligada ao ventre depois de ter tido a felicidade de participar do aniversário da mãe da minha amiga Sílvia Goes. Zoraida é o nome da figura que não se impõe, mas que se fez líder de uma comunidade, espalhando bondade, aprendendo e ensinando a amar e como conseqüência, vive reunida à sua prole carinhosa.


Penso no que seria a sociedade - com certeza receberia outro nome - se figuras assim não sobrevivessem na Terra. Entre pratos saborosos feitos com a avidez de agradar, circulei entre aquelas pessoas que via pela primeira vez, mas com intimidade, penetrando no seio do lar, imitando um labirinto com tantos quartos, num objetivo de abrigar almas atentas ao conforto do reduto.


A felicidade terrena é assim: um punhado de gente, que ri, chora, e faz tudo junto, por acreditar na amizade, a maior demonstração de amor que sentimos por aqui. E já espaçosa como costumo ser, plantei a minha sementinha no solo de Tejuçuoca, querendo retornar, abraçar e trocar energias com os personagens vivos, quentes de amor, fazendo-me pinçar o quadro poético a que sempre recorro, quando o prazer é infinito.

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