sexta-feira, dezembro 14, 2007

Dá pra correr?


Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Chavão oportuno para comentar sobre os humores da economia do País, depois que o Senado atendeu ao apelo de muitos brasileiros e rejeitou a prorrogação da CPMF. Pois é, e agora?


Lembro que muitas vezes reclamei da tal cobrança, que não importando o quanto eu tivesse que gastar, ou pagar, ou ainda, investir, lá estava o desconto compulsório, com uma pontualidade matemática lógica, precisa, mas longe de atender para que veio.


A contribuição, que era para ser provisória, ficou por um bom tempo, acalentada por várias razões e um dia - porque tudo tem um dia, um prazo de validade - ao invés de terminar, é rejeitada. O diabo é a palavra rejeição, que veio completar uma campanha de socorro para saúde no País, mas que foi rejeitada com uma doença ruim, de longa duração.


Quase lamentei o fim da CPMF, mas não era provisória? Este não foi o argumento para sua criação? Agora, quando for retirar dinheiro no caixa eletrônico não lerei mais o aviso de um desconto futuro - aliás, que satisfação sem conforto - no papel amarelo.


O pior, é que logo vem os analistas financeiros falando que o mal é necessário e que outros inventores econômicos já estão se preparando para dobrar o que já somos constrangidos a pagar. É como fazer favor para preguiçoso: vira obrigação.


Eu queria tanto, em muitos momentos meus, não entender o que falam, o que dizem. O diabo - e a neurolinguistica explica - sempre escuto o que não diz o repórter; sempre leio o que não escreve o redator e sempre vejo o que não mostra o âncora do telejornal. É isso: entrelinhas, linguagem sublimar.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O valor da mensagem


Gosto do mês de dezembro mesmo com tudo o que representa na questão consumista. Mas, o que mais quero curtir é o momento, que dura 31 dias, de querer chegar mais próximo, até mesmo daquelas pessoas que a nossa intolerância desafia a distância física.


Neste período costumamos enviar mensagens, que se não representam o nosso mais íntimo desejo, pelo menos é uma tentativa de dizer que a mágoa já não mais existe. Que a inveja está mudando; que a raiva já passou e que é possível sorrir diante do azedume, sem desmascarar a dor que lateja e faz chorar.


Recebo muitas mensagens que me convidam a pensar, a refletir, a desejar o bem, o melhor para o "autor" dos pensamentos. Gostamos de copiar palavras que expressam sentimentos, que não se expressam expontaneamente.


Lembro que na adolescência era assediada por amigos - porque tinha facilidade de escrever - para colocar no papel o que eles sentiam, mas que não conseguiam expressar nas letras.


Percebi desde cedo que costumo ser mais suave ao escrever do que ao falar, a começar pelo timbre de voz. Aqui sempre busco defesa: não sou grossa. Sou enfática ao falar. Incisiva ao defender o que acredito e por isso mesmo alvo de tanta atenção. Mas isso não quer dizer que não saiba diminuir o volume da voz e adotar uma postura mais dócil, quando diante da emoção estimulada pela simplicidade da fala dos que me amam.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Porque o antigo vive


Sinto uma enorme atração por prédios antigos, chamados de velhos porque estão no abandono. Não é nostalgia o pensar, mas uma necessidade básica de mostrar - a nós que dependemos da matéria - de ver sempre para alimentar a memória.


Fui assaltada pela necessidade da preservação ao ler matéria do Jornal O Povo de hoje, em defesa de mais um prédio construído na década de 50, no Centro da minha Fortaleza, Cidade que me acolheu ao nascer, e que adotei como o meu reduto familiar. A reportagem trata do Lorde Hotel, que já foi um dos maiores e favoritos do Estado.


As construções amplas, de paredes resistentes ao tempo, levam-me a um passado que não guardei com clareza. Para momentos vividos entre fortunas e abusos de poder. Certamente, sabe bem Deus, que se a memória guardasse agora, com tanta força, estaria eu detonando o tempo atual.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Melindres


Tantas vezes bati o pé, refiz o caminho só para não seguir em frente como o outro fazia. Quantas vezes endureci a pele dos cotovelos no umbral da janela, só para não ter que sentar e ouvir o que o outro dizia. Tudo por conta da melindrada menina que insistia ser.


E quantas boas ofertas recusei só para não ter que dizer que tudo me era desconhecido e, por isso mesmo, não queria que o outro soubesse o quanto me dóia a ignorância. Mal sabia que tudo era teimosia minha.


Hoje, que bom poder dizer que continuo com melindres - frescuras de menina que está caindo de podre porque é tempo de amadurecer - mas, só que desta vez, refaço o caminho de mãos dadas ou pelo menos, próximas da do outro.


Uma das minhas queixas é a tal mania de não lembrar os nomes das pessoas com as quais convivo, pelo menos uma vez por semana. Normalmente dava um jeito de não demonstrar a tal "falha". Hoje, faço questão de dizer que não lembro o nome porque simplesmente não presto atenção na hora das apresentações.


Agora eu sei que os melindres ainda vão continuar me atrapalhando, mas lá dentro de mim, a luz que acende diz sempre: deixa de frescuras Fátima Abreu. Te alui mulher!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Nada secreto


Estamos vivendo a época do amigo secreto. Aquela pessoa que nem sempre o nosso olhar e pensamento indicam. Em algumas ocasiões, vive-se uma verdadeira saia justa ao abrir o papel dobradinho e ver o nome de um total desconhecido. E agora, o que fazer? Eu não conheço a pessoa, o que comprar para ela?


O amigo secreto nunca foi tão desconhecido. E vamos nós pensando o que comprar com aquela vontade danada de acertar, ou mesmo que o dia chegue e nos livremos logo desse compromisso. A fraternidade aí é a escolha do presente. Não há ainda aquele entendimento de tentar estar mais próximo da pessoa em questão.


Forma estranha essa nossa de ser fraterno. E aqui, confesso escancaradamente, que já devolvi para cestinha o nome do papel dobradinho, só porque não gostei do secreto. Mas, não menti. Apenas disse que queria trocar. Sei que perdi uma oportunidade de aproximar-me de alguém distante do meu circulo de amizade.


A amizade não é mistério. É querer estar próximo, não importa como. Afinal, temos amigos distantes fisicamente, mas tão perto do coração.

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