sábado, fevereiro 23, 2008

Nos cascos


Fico estranha quando adoeço de corpo. Vejo-me forte, galopando em paragens verdes, maravilhosas, crinas ao vento. Ninguém me pega!

Sob os cascos, a areia cede à minha impulsividade. Sou forte, bela, dorso brilhando pelo suor não sentido. Desejada por olhares infinitamente maliciosos.

Fico assim, nas patas traseiras, desafiando a física e a autoridade do homem. Quando forte e ágil desejo de fortuna e fama. Uma vez machucada, estorvo. Nada mais me resta a não ser o sacrifício.

De volta, abatida em duas pernas trêmulas, sou humana de novo, sem o vento da liberdade, presa ao leito com uma vontade enorme de trotar. Ao largo, sem o verde e o brilho da fama.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O que muda o seu humor?

Onze pensadores responderam à enquete, que permite escolher mais de uma resposta. Sendo assim, três (27%) consideram que o humor muda a partir da alegria do outro; outros três que a tristeza influencia.

A maioria muda de humor devido à indiferença do outro. Foram seis votos correspondendo a 54% das respostas.

A liseira foi o item menos votado, apenas dois (18%) assinalaram, o mesmo número para quem disse ter o humor estável, que nenhuma das situações são capazes de mudar.

Para não apenas ler


Leitura não é passatempo e, se for, vai o tempo em que a ignorância me dava prazer, por pura pretensão de ser, de estar. Acabo de ler Rubem Alves em um dos muitos momentos especiais de sua lucidez.


A expectativa de uma relação pode ir muito além do que se espera e do tempero que alimenta o tal amor, que juramos ter. É bom ler Rubem Alves, que toca fundo na alma e faz suplantar o que mais escondemos, por puro medo de continuar.


Nós, metidos a poeta, rimamos amor com dor, para reprimir, reduzir a quatro letras, sem saber contar os fonemas, de quantos suspiros são necessários para conter a lágrima.


Rimar amor com dor é um caminho, cujos atalhos nos surpreendem com rompimentos precoces, de um estágio imaturo para quem tem tudo a ganhar.


terça-feira, fevereiro 19, 2008

O sentir


"Não somos o que pensamos e, muito menos, o que o outro pensa. Somos o que sentimos", afirma um espírito amigo. Estava lendo há pouco a notícia que trata da morte de um rapaz, moço ainda, que trafegava na contra-mão na rodovia Castello Branco, em São Paulo.


Não havia razões aparentes, comentam amigos e familiares. A gente sempre socorre para o que "sabemos" com relação aos outros. São os apelos nossos em busca de entender o que não é revelado, com prontidão, para aliviar as nossas dores.

Enquanto a dúvida permanece, resta-nos muito tempo para se fazer compreender. Para que não continuemos indiferentes ao sentimento do outro.


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