segunda-feira, março 17, 2008

Musicalidade


Quer fazer uma viagem sem cansar, sem gastar, sem preocupação? Vá até onde costuma guardar seus discos favoritos. Aqueles que não lembramos de imediato o nome do album, da música, do compositor, mas que bastam ser tocados, para que acompanhemos os versos musicados.


Estava assim entretida ouvindo e tentando acompanhar canções da adolescência, marcas de um tempo de sonho de olhos fechados. Hoje, numa reflexão mais sisuda dou razão à mídia pelo que chamou invasão norte-americana na cultura cambaleante do meu país.


Abrimos portas e ouvidos para os Bee Gees, Bob Dylan, Terry Winter, Carly Simon e para grupos que não conseguiram continuar no estrelato, como os Pholhas, num My Mistake repetido.


Apesar da crítica enfadonha não posso esquecer que me deixei embalar pelas melodias, que até hoje me transportam para caminhos já conhecidos, sem titubeios, mas apenas deleitando-me ao reconhecer-me mais madura. Por que censurar-me pelas escolhas quase impostas musicalmente?


Mesmo porque cantava em bom português a brasilidade da nossa arte. Cresci ouvindo Chico Buarque, experienciei a poesia de Vinicius.


Afinal, não são melhores - e põe melhores nisso - do que as baboseiras da atualidade? Solidarizo-me com os jovens de hoje de tímpanos irritados, mas com certeza, não irei culpá-los num futuro breve quando lembrarem dos sonhos abafados pela voz gritante dos cantores da época.

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