sexta-feira, fevereiro 06, 2009

No anonimato


Sempre quis saber do que os outros falam, do que gostam e - por que não - o que pensam de mim. Depois de conhecer mais de perto o pensar do outro fiquei reticente. Vale mesmo a pena ouvir o que falam? Nem sempre agrada o perfil traçado. Nessa montagem do outro, o sentimento insiste disfarçar o que está guardado lá dentro do imo.


Por isso os comentários dos posts me atraem. Muitas vezes são tão bons e mais atrativos do que o autor escreve. Em alguns momentos, intrigam-me os anônimos. Percebe-se que os que levam essa assinaturas são mais audazes. No anomimato, escondido, posso soltar o verbo e não ter que responder por isso?


Pode até representar ganhos, mas e quanto ao retorno? Interessante é conferir os posicionamentos de anônimos que brigam entre si. Uma matéria intrigante é prato cheio para degustar com salivas arrojadas, esverdeadas. O que seria do veneno - penso agora - se não pudesse ser destilado de vez em quando? Na fortuita escapada, dorme desconhecido por mais que sentido.




quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Com cem anos


Em 2055 farei 100 anos. Será que há razões para comemorações? Eu tenho certeza de que nessa data não farei o bolo, não convidarei amigos para tomar umas e outras - acho que serão apenas outras - mas, provavelmente, os bisnetos poderão encontrar velhos livros com anotações.


Como guardarei os meus escritos? O Google já terá passado por inúmeras transformações. O sistema de busca deverá ter um baú de blogs e este espaço quase diário vai ressurgir e mostrar o meu sorriso na camisa listrada?


Ao longo dos 53 anos - farei 54 no dia quatro de março - grafitei números na tabuada, letras no caderninho de caligrafia, e agora, teclando dígitos na composição regida pelo cursor. O papel carbono foi meu aliado para escrever em várias folhas simultaneamente; o disquete copiou textos e hoje escrevo virtual.


Como será decifrada a memória em torno de mim, do que sou e do que deixarei de ser?



terça-feira, fevereiro 03, 2009

Em meio a crise



Nem tsumani nem marola. Não importa, não sei nadar. Eu também não sei viver sem crise. Deus me livre de acomodação. Masoquista, eu? Não mesmo! O que sou é resultado social de planos mirabolantes e consequencias certeiras. Porque eu posso até não ter participado das grandes orquestrações e/ou negociatas, mas estava na platéia. Ou seja, participei e participo de tudo.


Mea culpa, minha máxima culpa. Não falei quando fui solicitada; não calei quando mandaram; e não me fingi de morta quando apontaram a arma da inquisição. Não estou aqui para julgar. Dispo-me da toga. Na real, sou apenas uma tentadora tentativa de sobrevivência.

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