sexta-feira, julho 10, 2009

Pelo diploma




O grito dos diplomados tapa a aclamação dos sem diploma. No rádio, a coisa tá angustiante há muito mais tempo. Os sem diplomas ocupam espaço nosso . Na Tv, é um tal de cara bonita, cabelos caprichados, maquiagem. Tudo tem que estar no ponto, menos o diploma. Pra que este papel timbrado, quando o que importa é presença?




Pois é, assisti quase impassível a festa dos sem diplomas, desfilando bem a minha frente numa alegria que só o grupo sentia. E agora, a exigência virou Proposta de Emenda Constitucional. Pois sim, vamos aguardar.






quinta-feira, julho 09, 2009

Nó sem velas



Nada mais confuso do que mensagem incompleta. A consideração vem a propósito da confusão que se faz com a imagem do povo hindu. Até agora, o que se aprende é que a mulher continua sendo constrangida a obedecer um costume tradicional; que a vaca é uma figura alegórica da mãe, de acordo com a explicação de um dos personagens da novela Caminho das Índias, porque alimenta o homem com o leite.


A mulher rica é preparada para ser linda, cheirosa, coberta de cremes e de jóias. Tem que procriar, cozinhar e dançar. O homem que gera homens tem mais lucros com os casamentos. Ou seja, ter filhos é melhor do que ter filhas. As que estão a margem da casta privilegiada negam-lhe até a fé em Deus.


As mulheres brigam, disputam entre si numa intriga sem fim. Cismo o pensar de que os costumes se misturam e confundem mais ainda a cabeça nossa. É lamentável a forma como nos é apresentada a cultura do povo da Índia. De bonito até agora os adereços, os panos coloridos, os brincos enormes, que as brasileiras exibem numa alusão erótica da mulher, que necessita de marido.


De frente à telinha, fico cada vez mais ignorante. O caminho,na verdade é um atalho.


quarta-feira, julho 08, 2009

Exame




Estou fora de muitos sistemas que a sociedade incorpora, plano de saúde é um deles. Já paguei exorbitâncias por alguns planos e até penso em retornar ao quadro de associados. Contudo, quando digo os números de vida terrena, a coisa fica desigual.




Vivo sendo "sorteada" pelo telefone para retornar ao sistema seguro de saúde - dizem que na minha idade (54) é bom prevenir, ter consultas com mais frequência e um internamento hospitalar garantido. Ao lançar os olhos no futuro próximo, o cenho se franze diante das dificuldades nossas para conseguir um leito em um hospital. E se não tiver plano...




Logo mais me submeterei a uma mamografia. Não estou preocupada, tá no preço que posso pagar, mas com relação aos outros, como ficaria diante de uma necessidade urgente?




Quando leio a respeito do Sistema Único de Saúde vejo o "primor" da acuidade de quem projetou a idéia. Simplesmente perfeito para atender a todos. Mas, idéia boa nem sempre chega ao cume do sucesso. Estou num período assim: uma mulher sem planos (de saúde) querendo ter saúde longa e um período de vida mais distante ainda dos hospitais.


terça-feira, julho 07, 2009

O eco do ECA



Quando menina não conhecia os meus direitos. Sou de um tempo em que a boa infância era viver de acordo com o pensamento dos pais, a forma como eles viam o mundo - não muito diferente de hoje - mas com a diferença de que criança não emitia opinião. Ou seja, falava quando era estimulada para isso para responder questões do tipo qual é o seu nome? quantos anos você tem? Passou de ano?


Na maioria das vezes, criança nos anos 50 e 60 seguia um rotina imutável de comer tudo para ganhar sobremesa, levar palmatória se não estudar; castigo sem sair de casa e nem olhar a rua além da janela; procurar a palmatória para levar uma boa sova...


Direitos garantidos por lei com certeza haviam, mas quem cobrava? Os pais sempre tinham razão em tudo, até quando estavam errados. E quem era besta para dizer o contrário? Hoje, o Estatuto da Criança e do Adolescente é louvado por uma grande maioria e se faz necessário. Mesmo assim, apesar de tudo, nunca fui uma menor abandonada, frequentando ruas como moradia, fora da escola...

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