segunda-feira, junho 21, 2010

Festas juninas

A poesia é infantil. Não podemos matar o tempo, correr para alcançar a idade madura porque até o sabor na língua muda. A canjica da minha infância era muito mais gostosa. Queimava a boca mesmo assim continuava sorvendo aquela maravilha, que minha mãe levava horas preparando.

Acompanhava aquela aventura culinária num afã que até hoje não entendi.Começava na feira perto lá de casa, na escolha do melhor milho que me era mostrado, lembrando a importância dos bons grãos e os mais verdinhos. Anos depois, minha filha Érica, costumava me corrigir: Não é verde mamãe, é amarelinho.

Depois em casa, vinha o debulhe. Era uma mão de obra sem tamanho ter que catar os cabelinhos da espiga. Mas a aposta maior era correr atrás da bonequinha de milho - a espiga ainda em formação com muitos fios que virava brinquedo depois.

Depois de retiradas as cascas da espiga, lavar bem para receber a receita da pamonha, a parte mais grossa do preparo. Ralar o milho era muito dificil e perigoso por isso cabia a minha mãe fazer com ajuda da minha tia Almerinda. Em seguida, retirar a casca do milho coando em um pano, misturar manteiga, leite de coco, coco e açúcar.

Tudo na panela e aí vem a etapa que eu me metia a ajudar que era mexer tudo, naquele panelão - sim porque depois de tanto trabalho tem que fazer muito para render até o dia seguinte. E haja tempo para ferver, para pegar o ponto.

A pamonha não precisava mexer, mas tinha que ajudar na hora de amarrar os pacotinhos feitos com a casca da espiga.

Hoje, a canjica do supermercado passa ao largo no sabor, no cheiro, na cor, no fazer, reforçando a necessidade de vivenciar todos os dias nossos.
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