sexta-feira, julho 30, 2010

Cuidados


As músicas românticas que falam do amor - dentro da visão estreita nossa - lembram apelos para vida doméstica da mulher. Estava há pouco ouvindo a letra da música Abandono gravada por Roberto Carlos na década dos anos 1970.

A letra fala de uma mulher que parece pretender voltar pra casa depois de ter largado o companheiro. Pelo que entendi, e se ela existir, com certeza não vai voltar. A natureza feminina é organizada, gosta de limpeza não e a toa que a gente vive esfregando chão, paredes e cozinhas...

Mas, você que me lê agora, correria para se encontrar com alguém que propõe que caso volte, cuide apenas de você e não faça espantos (Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você) e em seguida sugere que cuide da casa, limpe tudo?

Se voltar não faça espanto, cuide apenas de você(como?)


De um jeito nessa casa, ela é nada sem você

Regue as plantas na varanda, elas devem lhe dizer

Que eu morri todos os anos, quando esperei você

Se voltar não me censure, eu não pude suportar

Nada entendo de abandono, só de amor e de esperar

Olhe bem pelas vidraças, elas devem lhe mostrar

Os caminhos do horizonte

Onde eu fui lhe procurar

Não repare na desordem, dessa casa quando entrar

Ela diz tudo que eu sinto, de tanto lhe esperar

quarta-feira, julho 28, 2010

Envelhecência


Às vésperas das seis décadas, concluo - é precoce, mas assim faço - que o ímpeto da adolescente em querer dizer tudo o que pensava não era estratégico.

O código de convivência ensina-me que o pensar deve fluir no espaço da mente e a boca deve liberar apenas - já com edição - o que o outro gostaria de ouvir.

Mas, como não sou precoce, sou retardada, continuo adolescente.

terça-feira, julho 27, 2010

Ser mãe é padecer na chatice


As campanhas de desarmamento que têm como alvo as crianças e os adolescentes fazem lá sua parte. É verdade, é preciso fazer algo. Mas fico cismando o pensar com relação o que passa na cabeça dos pais quando escolhem uma arma de "brinquedo" para o filho.

Nos filmes de bang-bang as crianças convivem com armas e violência e ganham arma de verdade. Na vida real quando a TV é a babá de quem não consegue contratar um profissional de confiança, a morte não é ficção. É verdadeira.

O pior de tudo é que a cada dia matamos oportunidades de conversas, que podem até ser os antigos sermões- acredito que mãe tem que ser necessariamente chata - ou puxões de orelhas. Sou do tempo "que se cortava o mal pela raiz", argumento doméstico que funcionava sempre.

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