terça-feira, abril 26, 2011

Com os calcanhares

Depois de levantar e esquecer que andar de quatro é coisa do passado, descubro depois de uma queda que me deixou de cama durante duas semanas contadas, que não sei caminhar. Ou melhor, pisar. Até então usava os dedões dos pés ao invés dos calcanhares. Quem disse que a gente não aprende a se levantar depois das quedas? 

O diabo é olhar pra trás e ver que o tempo todo poupava o sapato - que posso substituir - ao invés dos pés. A base que se movimenta e me leva para percorrer os ladrilhos de pisos  brilhantes dos sonhos da infância. Criança vive acesa hoje, porque eu sempre sonhei com algo melhor, numa fuga que nem Freud explica.

Andar como soldado em treinamento, pisando firme o calcanhar no chão, passando uma certeza de que sei onde piso? Sei não... Percebo agora, beirando as seis dezenas de vida terrena na atual roupagem que nada sei, que as pernas são para pular e meu transporte físico para situações diversas.

Interessante é saber que na fonte da sabedoria que fuço sem disfarçar o mal estar da ignorância, dou com os calcanhares nos sonhos embalados por uma inércia de atitudes outras e a certeza de que  até agora vivi no chute.

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