terça-feira, novembro 07, 2006

Susto aos 25(esta é para o diário)


Gente, quando completei 25 anos tomei um susto terrível. Pensei em parar o tempo e passei a dar mais atenção às filhas pequenas, imitando a infância. Tentativa vã.

O susto era porque não queria ser balzaquiana e temia as décadas que viriam. Pudera! Naquela fase de casamento mal arrumado(pra não dizer desgastado), queria mesmo era ser uma mulher gostosa. Irressistivel, porque era assim que eu compreendia a forma de chamar atenção do marido, que não tirava os olhos das bonitas frequentadoras dos restaurantes.

Curti , e como, o buzinaço na rua. Era uma barulheira danada sem me importar, de fato, com o sentimento. E quem pensa em sentimento, quando o propósito é aparecer de qualquer maneira? Hoje, cinco décadas vividas, me vejo tão mais bonita. A gostosa deu espaço a mulher que está aprendendo a apreciar o que tem de bom. E, olha que eu tenho.

São descobertas solitárias, prazerosas. Nem sempre as pessoas percebem o maravilhoso que há em nós. E sabe por que? Porque o crescimento é individual. O Bem é que é coletivo.

Experimentei todas as fases. A da criança sofrida, incompreendida, que descobriu um aliado, um companheiro invisivel que ouvia os meus queixumes de menina ignorante do ser integral que sempre fui, mas que não via, como hoje ainda, integralmente.

Fui adulta por conta do tamanho, cabeça nas nuvens, pensamento ao vento. Fantasia contínua. Fui Polyanna menina, moça e hoje, ainda, escreveria a Polyanna adulta. Beirando a fase sexagenária, não me surpreendendo com a transformação do corpo e não corro, como já disse aqui, em busca de parar o tempo. O que hoje vislumbro é tão intensamente maior.

Os 60 anos não me ocupam antes do tempo, que se tornou aliado(oh, chavão) . Só a expressão senhora me incomoda, deve ser lembrança de algo que não me traz boa impressão. E hoje, feminina sempre, acompanho com tranquilidade o corre-corre de outras em busca do retardamento do tempo, no corpo.

Conter os efeitos é uma escolha, no entanto, é preciso querer crescer. E nada é tão grande quanto a isso. Foi mais uma vez, Clara Rodrigues que me tocou, como texto sobre o aprendizado do crescimento.

Confira e descubra a sua melhor fase.
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