quinta-feira, setembro 15, 2016

No mundo dos nomes e números

As nomenclaturas da vida não me definem, mas permitem que eu seja uma pessoa com registro. Quando criança, na estatística dos nascidos vivos, fui número; na escola acrescentei a disposição dos dados da educação da época, assim como na universidade e no curso de pós-graduação.

Na vida civil fui cadastrada com 12 dígitos, os quais sem eles não existiria nos bancos, no comércio, no exterior....

Nos índices da violência doméstica tem lá a minha "contribuição" e idem na discriminação preconceituosa de gênero.

No convívio social os nomes e  apelidos se avolumam com o passar dos anos e da convivência com pessoas, que assim como eu convivem com a mesma realidade. Recorremos à língua portuguesa tão rica de verbetes para justificarmos o temperamento, as habilidades, na busca do aconchego do ser.

As nomenclaturas nos formatam, mas não nos influenciam a alma. São indicativos para que possamos compor esse imenso mundo de convenções e de permutas nem sempre viáveis para o nosso crescimento.

terça-feira, agosto 09, 2016

Neste varal falta um calção


Os apelos para uma companhia de vez em quando chegam sorrateiros, brincalhões, escondidos no afã da liberdade de morar sozinha.

Quem vai modificar essa rotina  conquistada a duras penas?

Quem se habilitaria a interromper essa rotina conciliadora de personalidade tão vivaz, tão independente?

E este armário tão bem definido com suas gavetas intocáveis e sortidas de peças coloridas, macias, cheirosas?

E sem falar no tubo de pasta sempre bem fechado e sem deixar marcas na pia do banheiro pronto para ser fotografado?

Pois é.... pensou, pensou e num suspiro larga o que está fazendo para brincar com os apelos lembrando que bagunça faz parte da vida. Não é aquela bagunça de se perder o que se aprecia, mas aquela desarrumação que harmoniza com muito carinho e atenção.

Agora é flagrante a vontade de ver aquela  gaveta com espaços para as cores outras, não importa o gosto; toalhas molhadas jogadas de qualquer jeito, com marcas da presença de alguém que vem para fazer companhia...

Quem disse que vida arrumada é tranquila? é satisfação?

Parafraseando Bruna Lombardi, ela exclama "que me venha esse homem" e desarrume o seu pensar, a  não enfadada vida. Sim! porque se sabe bem morar sozinha, também pode ser boa companhia.

quarta-feira, julho 20, 2016

Amizade é igual a amigos

Abraçar o amigo é apoiar a si mesmo.

Festejar com as amigas é abrir o jardim secreto, cujas flores estão prontas para serem distribuídas.

Lembrar o amigo é sentir-se acompanhada. A amizade é o útero materno fora do corpo físico. É a essência que flui em nossa volta.

Eu amo os meus amigos porque encontro neles apoio, discordância, censura, e, por que não dizer, puxões de orelhas. Sim, porque os amigos são a nossa ponte com a realidade que a gente não vê.

Nada é mais prazeroso do que receber o mimo da atenção de alguém, que gosta da gente de graça, e faz da nossa vida um celeiro de inspiração.

Cada amigo(a)  que me aceita estorvada, recuada, exibida, falante, silenciosa, resmungona, inteligente, bloqueada, e faz disso uma piada tem o meu pensar como palco para sua grande atuação.

Obrigada pela amizade.

terça-feira, julho 19, 2016

Porque não desistir

Há momentos o que o mais fácil é desistir do que nos se apresenta.

Seja pelo impacto da novidade, seja pela falta de curiosidade, seja pela falta de tempo, de dinheiro, do muito o que fazer no dia a dia.

É essa rotina que massacra sem dizer, que dilui sonhos já não lembrados, guardados na caixa da memória envelhecida.

Nada mais é tão incapacitante quanto a preguiça de prosseguir.  Mesmo que nos sejam dadas inúmeras alternativas, mãos, abraços, afagos... Isso, porque desistir é mais prático do que sair do chão que aluga, pelo medo de arrancar as raízes do comodismo e perecer.

E, se de repente, o vaso cai e a areia se desprende expondo o bulbo, que garante a seiva da vida, o jeito é atender o ultimato e buscar respirar ares novos. Mas, há que estar atento para não se aquietar de volta a um novo vaso, que prende, mas que garante o prosseguir.

Somos plantas, verdes quando lembradas da rega, ressecadas quando largadas? Não. Há um universo de possibilidades  com sois, água, minerais para a geração de frutos coloridos, saborosos... e mesmo que os brotos sejam abortados, sempre haverá a semente, ou aquele galho que vai "pegar" e se transformar na árvore florida.

terça-feira, julho 12, 2016

No peso da avaliação

Não adianta fingir, só amamos gente bonita. Afirmo isso pensando, caso engordasse mais: quem continuaria me amando sem um dia - eu disse um dia sequer - me tachasse de gorda! O belo ficou concretizado nas curvas suaves, na pele rígida, seios pontudos e bunda idem.

Por que a gordura nos afasta do quesito de bem com a vida? Isso porque já estive bem mais gorda do que sou hoje e lia nos olhos das pessoas e ouvia seus pensamentos. Um amigo falou docemente aconselhando-me a emagrecer: eu não perdoo esse volume todo. Cadê a Fátima Abreu que atravessava as ruas com sinal verde e os motoristas paravam para ficar olhando?

Eu também me rejeitei inúmeras vezes. Porque quando deixei de usar calças jeans (porque nenhuma passava pelas pernas volumosas) deixei também de ser atraente e passei a ser conhecida como o sorriso mais contagiante. O sorriso dela - diziam - continua lindo!

É fácil curtir isso? Claro que não! Forcei a rotina, emagreci 12 quilos e a primeira coisa que fiz foi voltar à loja com vendedora desinteressada. Escolhi o que quis sem perguntar o preço e usei diante da perplexa mocinha que recordou de mim, outrora "redonda". Nossa! quanta mudança!

Agora há pouco vi uma garota, amiga de face, bem mais magra depois que se livrou da consequência do parto, e nos comentários só elogios. Bom, moral da história. Quer ser bem aceito até pelos seus móveis e acessórios, não engorde!

Mas, cá pra nós, essa mesma sociedade que nos define deusas por usarmos no máximo 40, nos intoxica. Eu não vou aqui dizer pra A ou B que se ajuste aos "padrões" ridículos padrões, mas que cuide de sua saúde. Seja corpórea, seja social. Felicidade não tem peso. Tem escolhas que vão muito além do que um bife, um chocolate, uma cerveja gelada. Barriga de tanquinho sem cerveja? Tô fora!

sexta-feira, julho 08, 2016

O choro de Cunha

O choro nem sempre é lágrima.

Nem sempre tem som.

Nem sempre é visto.

Mas, muitas vezes é engolido, secreto, vilipendiado pelo sofredor.

Sorrir quando a lágrima teima em aflorar é uma luta insana.

Debruço-me sobre o assunto depois de olhar e ler interpretações diversas a respeito do choro do presidente afastado e agora, renunciado, Eduardo Cunha. Faço isso, inaugurando nesse espaço um tema tão palpitante e tão factual.

Devido às suas ações, vestimos a toga de juízes e vamos lhe carimbando por uma  diversidade de acintes, achincalhamentos.... e fico pensando, ninguém em sua defesa? Somente ele? Não! não estou para agredir e nem para defender. Apenas cismando sobre tudo isso.

Sobre como nem sempre lágrimas - sinceras, fingidas, teimosas que fluem, marcam a face de uma pessoa que já tem sua imagem formatada- comovem.

O que passava na mente de Eduardo Cunha quando lacrimejava diante de uma multidão de olhares, expondo o seu sentimento do momento, apenas cabe a ele denotar.

O meu pensar cismado segue-o até a intimidade do lar, da fortaleza do seu ego, do vazio gabinete, de Cunha diante dele mesmo, nas entranhas  da sua frustração. Busco nele o que sei que todos nós temos: a vontade de recuar, de revolver, de se despir dos ilusórios enganos que cometemos neste Planeta escola.

Luz!

quarta-feira, junho 29, 2016

Olhos para olhar

Eu queria que tudo fosse enredo de filme, digo ficção, coisa de louco, que imagina misérias para o mundo, essa tal realidade de ontem, hoje e se Deus quiser não de sempre. Não tinha nem tomado café para acordar as ideias, despertar a boca, e já estava  diante de notícias dando conta da loucura nossa de todos os dias de destruição.

Queria que fosse um daqueles  longas do tipo "guerra nas estrelas"  deglutidos com guaraná e pipoca. Ou reprises na telinha e que eu poderia por fim desligando a TV ou mudando de canal. Mas, não! É real demais por isso provoca tanta dor.

Fico cismando porque existe em nós esta ânsia de calar o outro, impondo o que acreditamos ser verdade. Por que teimam tanta a ignorância, a idiossincrasia distorcida, a ilusão do poder?! Não seremos imóveis antigos prontos para serem demolidos atendendo à ganância. Não seremos madeiras corroídas por cupins da moralidade falsa que prolifera.

A cegueira que nos persegue não se desnuda? Os olhos que Saulo sentiu inúteis no caminho de Damasco precisam ser recuperados pela córnea da boa vontade! Que Assim Seja!

terça-feira, junho 28, 2016

Sem pressa

O meu tempo de se avexar já passou. Foi o que ele disse olhando-me com atenção, sem que eu me desse conta da corrida do meu tempo.

A sua calma acompanhava o ritmo quase sereno do movimento das ondas do mar naquela manhã de sol que prometia dia mais claro. Não tão esplendor da vida prometida surgida na infância. Cá comigo desviava atenção da minha rotina de trabalho, deitando o olhar naquelas mãos calejadas curtidas pelo sol e Deus sabe lá de quantos anos empurrando o carrinho de tapioca.

Não, ele não estava duvidando de mim, quando lhe falei que deixara a bolsa no carro com o dinheiro que lhe devia do lanche tão oportuno. Fiquei cismando o quanto deveria saber aquele homem tão simples. Quantas gargalhadas ele já teria dado nos encontros com os amigos? Quantas promessas ele alimentou durante suas caminhadas. Estaria ele tão impregnado pelo prazer da natureza diante daquele mar enorme que lhe oferecia tantas possibilidades?

Saí com uma pauta e voltei com outra história. Uma experiência de vida tocada em mim por uma simples frase. Ele nem se preocupou com o meu pensar. Depois que recebeu os trocados pelo seu produto, despediu-se com um olhar vago mas com muita conversa interior. Deixou-me tão empolgada com a arte de viver. No entanto, fiquei ali caminhando com a mente acompanhando o seu distanciamento com os passos de quem não mais se avexa.


Pela poesia

Há uma enorme necessidade de se conjugar a poesia.

Há um extenso vazio que sua falta provoca na música, nas livrarias do cotidiano da grande maioria das pessoas.

É preciso poetizar a rotina.

Iluminar olhos não tão brilhantes hoje, colorir telas de vidas opacas.

É vital contribuir para o mundo que nos oferece e ao qual lançamos o véu da incompreensão.

É absolutamente oportuno iniciar corridas em busca dos pensadores fartos de ideias,

Abraçar a janela do viver para a poesia

Fazer amizade com o poeta.

Sugerir milagres para o universo.

sexta-feira, junho 17, 2016

Na cozinha

Atualmente sigo a receita para ser feliz:

Descarto temperos antigos, fora do prazo de validade, do tipo é preciso ter sempre um objetivo para continuar caminhando;

potes pequenos que cabem poucas sobras. Sim porque nem tudo que não é consumido é lixo;

no congelador o verde, as hortaliças risonhas do meu viver, para que assim se conservem;

Preparo banquetes em grandes panelas para alimentar de esperança os que me rodeiam. Sim, não preciso viver só para me conquistar;

Mesa ampla para reunir alegrias, desabafos, muxoxos e até falta de apetite. São as minhas fases, verdadeiros graus que me elevaram até aqui.

Manter em banho maria os alimentos a servir, verdadeiras companhias do caminhar. Sim, na falta de visão noturna, costumo dormir na direção e pego atalhos.


quarta-feira, junho 15, 2016

Companhia

Com quem andas? Esta frase com o português no popular - com quem tu anda? - era o interrogatório materno fazendo alerta para as más companhias, aquelas que nos induzem ao mau caminho. Santa ignorância minha, o que seriam as más companhias? Aquelas garotas que usavam saias curtas, que usavam cabelos também curtos? que saiam em companhia dos namorados, colegas de escola, que pintavam as unhas? Resmungos e mais resmungos acompanharam-me por muito tempo, que geravam uma insatisfação tão grande própria de quem não alcançava o sinal amarelo da vigilância.

Após o fim do primeiro casamento, lá vem o questionar com dedo em riste para a atenção à mulher descasada, que não pode namorar porque tem filhas, as meninas precisavam de muita presença.

No trabalho, as companhias nem sempre más com as rasteiras incertas.

Nas noitadas as quais costumava chegar e sair sozinha...

Afora todas essas provocações sociais, dava-me conta das más companhias quando sozinha. Ensimesmada e por que não dizer assustada com o pensar nevoento, que arrancavam dores da alma. Não eram presenças físicas, que podem atordoar com tantas informações, mas imagens fortuitas, vozes sem endereços, e o que é pior, sem clareza.

Com quem ando, pergunto eu agora, com insistência. A vigília agora é minha!

terça-feira, junho 14, 2016

O valor da flor

A continuidade da vida - além da existência física na Terra - permanece em nós ainda encarnados, saudosos dos que partiram como uma promessa de reencontro. Enquanto isso não nos é permitido vamos nos agarrando ao palpável. Nessa rotina de vida reta, exploramos os sentidos numa busca incansável de contextualizar em nossos momentos aquele que nos ensinou a sorrir, a chorar, a nos perplexar diante de um leque infindo de experiências.

A imagem ao lado, as flores  cheias de vida são um presente. Foi o meu pai que levou para crescer no meu quintal uma muda, que ele tinha sempre o cuidado de observar seu crescimento, fazendo recomendações e alertando para a importância da rega. Essa planta vai crescer um bocado e dá umas flores muito cheirosas, você vai gostar, dizia ele.

Naqueles momentos não nos davam conta- pelo menos eu - do quanto essa planta, com seus galhos magros e altos e suas flores maravilhosas me fariam companhia. Hoje, longe da presença física dele, esse mimo do meu jardim está ali prometendo manter o carinho que me dispensava.

Obrigada papai. Você me ensinou que a vida é o melhor presente.

quarta-feira, junho 08, 2016

Pelo valor da escrita

Nesta necessidade minha de escrever diariamente ou todo o tempo da minha vida, andei vasculhando sobre essa necessidade vital de outros escritores. Vi neles suas finalidades e pretensamente quis igualar-me. Sim, é necessário portar e postar letras unidas em palavras para parafrasear e contar sobre os acontecimentos diários. Nisso eu me sustento literalmente. O jornalismo me força a isso.

Nas letras eu me perco ou me encontro. Nessa estrada nem sempre asfaltada pela razão, vou pulando os obstáculos e surpreendendo-me na proeza de vencê-los. É prazeroso. Aí já não escrevo para pagar as contas somente,
mas para manter a mente desocupada. Sim, porque é de uma leveza esse trabalho que dispenso o cansaço físico.

Não estou aqui para ser entendida, mas quero ser lida. É uma vontade enorme de lançar ao mundo palavras que chegam e que vão tão rápido, o que me obriga, muitas vezes a ter sempre um caderninho de anotações e uma caneta que não falha. E quando isso ocorre lá se foi a inspiração.

Nesse diário íntimo, que não tem nada de obscuro e que pode ser lido por qualquer um que se habilite, vou me expondo sem medo, sem sequer pensar, que posso um dia ser admirada. É o exercício meu diário, de deleitar-me no teclado, meu berço de estimação.


quarta-feira, junho 01, 2016

Ser madura

Amadurecer, ah que pausa boa nas perspectivas conflitantes da vida.

Como é bom flagrar em si o afrouxamento das rédeas das situações que nos circundam, das quais ainda agentes ativos , mas sem querer ser a única mão que aperta o laço.



Que ter sempre razão é cansativo, que ser feliz é a meta sob quaisquer circunstâncias, sem negligenciar com o dever que abraça.


Que a frase “deixa pra lá” é mais bem vinda do que “deixa que vou resolver isso”.


Que deitar na rede a noite depois de um dia longo de trabalho é traduzido como um dos maiores prazeres.


É mostrar os braços sem tentar explicar a pele que se distende.


É reunir amigos para um longo bate papo e dar altas risadas sem preocupar em demonstrar isso.


É banir o juiz que julga, julga, julga...



Amadurecer não é o entardecer da existência. É, na verdade a contemplação do que pode ser.



 


terça-feira, maio 24, 2016

Negros cabelos

Quando os meus cabelos eram negros - na maior parte porque aí já contavam alguns fios brancos que surgiram aos 14 anos - claras eram a esperança, a vontade de crescer, o ritmo frenético das novidades que apareciam na redação da rádio O Povo.

Eram claras as minhas intenções no trabalho, como mãe e como mulher em busca de um grande amor.

Eram altos os degraus dos sonhos meus acalantados por noites adormecidas e sacudidas pela voz do filho mais novo pedindo colo.

Eram fartos os cabelos que cobriam o cérebro com ideias que pululavam o dia inteiro.

Eram fortes - assim como ainda hoje são - o temperamento e a firmeza nas decisões.

Hoje, os fios multicoloridos - porque depende da vontade e da química - mantenho firme a vontade de continuar crescendo.

terça-feira, junho 30, 2015

Sigo aprendendo

Aprendi que somos responsáveis pelo o que fazemos a nós mesmos, o que permitimos que os outros façam e sobre o impacto que causamos nas pessoas(na maioria das vezes bem desconhecido pra mim). Não sei se deixo as pessoas ou se elas me deixam. Ou se existe um acordo secreto para que isso venha a ocorrer. Se é tão secreto, como prevê-lo?

Há situações na minha vida que se repetem, sem cessar, e eu não caio em mim para descobrir as razões. Na superfície do pensamento não faço a menor ideia. Fico deixando-me levar, como se boiasse nas águas buliçosas da vida. E nessa maré vou ao encontro de rochas - chega a doer em muitos momentos - e noutras estaciono esquecida em alguma praia deserta.

Noutros momentos, eu faço do cabresto o meu guia, a vara cega da vista turva dos meus pesadelos. Curto, sim, eu curto! a solidão de momentos, reúno as mil faces contidas no ego, que ressurgem com muito barulho. Ouça-as sem interromper. É neste momento, que se revelam ou eu me revelo, não sei. Mais uma vez, cansada de tanto diálogos infindos, ofereço o rosto ao sol, os cabelos ao vento e, numa tentativa sem muito esforço, volto à realidade personalizada, da qual nem sei se controlo.

Nas divagações sempre deixo mais interrogações do que respostas. Talvez sejam os questionamentos que me mantém sóbria, lúcida.

Eu não sei qual paraíso ou inferno que te abriga.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Desbotar-se

As cores da vida necessariamente não precisam desbotar. Aliás, o desbotar é uma oportunidade para pincelar sonhos. O colorido é a força de querer realizá-los. Pensando assim, vejo casas da minha cidade com suas paredes marcadas pelo calor do sol e pelas poucas chuvas. Dá uma vontade enorme de cravar a unha na cratera formada pela tintura endurecida. Arrancar como se fosse o desejo do pintor ao derramar braçadas a custo de muito suor.

Paredes não são apenas paredes, são asilos, onde furtivamente expressamos o nosso desejo de evitar contatos, de se expor.A tinta é o véu mais opaco que serve como proteção. Assim, fugir do olhar é o desleixo do fluido colorido.

No meu desbotar adquiro novas cores, sem pinceis, sem trinchas...

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Feliz sem saber?

Um dia desses fui surpreendida com o convite de falar sobre a felicidade para pessoas que não tinha convivência, mas que iriam me dar ouvidos mesmo assim, na busca - talvez - de entender sobre os seus momentos aflitivos e/ou suaves. Fiquei impactada. Isso, porque à época com o auxílio do Evangelho, divagava sobre a orientação de que "felicidade não é coisa deste mundo". E eu estou neste mundo de meu Deus até quando o ser superior determinar.


Pra complicar a minha falta de noção sobre o tema, fatos domésticos torturaram-me exatos nesse dia. Situação pra lá de vexatória, que me colocaram, como mãe na defesa da cria. À proporção que o dia passava, às voltas com a literatura de auxílio, a felicidade que sentia estava limitada. Finalmente, chegou a hora e fui!

Diante de um salão lotado - e com certeza não estavam lá por mim - esforcei-me para ser leal à plateia. Falar para quem não conheço tem sido uma das minhas principais funções, já que faço rádio. Com um sorriso acolhedor, mirei os presentes ao mesmo tempo em que rogava por auxílio. Senhor ajuda-me a ser útil. Cruzei com os olhos o espaço fazendo Z e X para os rostos atentos e- que beleza - receptivos!

Saí-me com uma desculpa salvadora: Estou aqui porque me pediram para falar sobre felicidade. Felicidade... o que eu sei desse sentimento? Dessa sensação? Seria a pessoa certa para tratar desse tema? Pronto! a partir daí, fui tão sincera que os 50 minutos da "palestra" voaram.

Mereci os aplausos finais? Não sei, talvez pela minha coragem de não ter desistido mesmo com o sentimento de que ali não deveria ter ido. O que importa agora que fico feliz por ter tido esse contato, que se repetiram em outras vezes, falando não como uma palestrante sábia, mas como uma pessoa simples, em busca também de respostas para tantas perguntas que não me deixam ouvir as  respostas. Por isso, o silêncio em si se faz tão necessário.

terça-feira, setembro 02, 2014

Para os que me olham

http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/files/2011/04/Sem-t%C3%ADtulo.jpg
Para os que me olham e me veem com surpresa, a resposta: Sim! Estou apaixonada e não é pouco porque sou assim vou com tudo. E antes que a segunda questão aponte, sou correspondida! Quem é este ser que me eleva, me alça nos devaneios dos sonhos de olhos abertos?

Quem me conhece tanto assim, que se cala quando a minha mente barulhenta pede silêncio, a mão se aquieta e deixa apenas o olhar me tocar?

Quem está tão perto o tempo todo e não cansa, que não se ausenta, que ri e chora comigo sem perder a individualidade, sem deixar aviltar-se?

Quem dorme comigo sempre na cama que eu faço, que faz companhia na insônia e silencia diante da dormência?

Eu!

Estou assim cada vez mais apaixonada por mim. É um amor self, de fato, construido em longas décadas, longos caminhos, longas temporadas de aflição e de contínuas esperanças.

sexta-feira, julho 18, 2014

Musicizar

Com a música costumo fazer um passeio pela alma. Se o verso me consola, afago o ser inquieto que habita o corpo. Se guerreiro, espanto com lanças a tristeza, cupim do meu concreto.

A música é a mensagem contínua, situação perene do ser. É o assobio que a boca sopra para espantar os agouros da tristeza.

O artista que desperta canções em linhas retesadas dos instrumentos de cordas, é um enviado de Deus para tornar entardeceres saudosos em alvoreceres iluminados de otimismo.

Sem a música, feneço na desesperança.

quarta-feira, maio 28, 2014

Sorriso falado

Música é o som da vida que mais perpetua a minha espécie poética. Surge como sussurros, preces ao infinito azul que se estende a inspiração. O toque leve, o dedilhar da letra que escorrega entre um pensar e outro.

Mergulho sem surpresas no vocabulário devastado da mente...

Vou emergindo em busca do ar doce e místico das notas lentas e me perco sem pressa nenhuma, presa na atmosfera do olhar na paisagem do teu sorriso de promessa.

quarta-feira, abril 09, 2014

Que nem a chuva

Quando a chuva desce obedecendo comando da gravidade, a terra é que nem mulher saudosa. Aceita a visita e se prenhe de sementes adormecidas num abraço infinito de produção.

A alegria é tamanha e se conjuga a gratidão profunda com um olhar aos céus escuros numa clara promessa de vida contínua.

Eu sou árida de espaços para tingir céus de emoção. Por ser passional quero chuva de discernimento para expandir os grãos numa fraternidade ainda desconhecida, mas que nem por isso, tão desejada e tão latente.

quarta-feira, janeiro 22, 2014


Estou numa fase de namoro próprio.

Reencontrando-me nas vivências avulsas e dormentes da minha existência.

No conjunto de emoções habito um vulcão. Quando adormecido, a paz reina ao meu redor.

As amizades perenes e efêmeras povoam-me.

Quando transbordo, extravasando a verdadeira essência pontual, queimo, chaga aberta ao céu: machuco e sou machucada.

Uma vez morna, terra devastada, superfície dura, a cinza apaga o colorido dos dias. Volto a adormecer, e tudo outra vez, floresce na terra fértil da imaginação.

terça-feira, novembro 19, 2013

Saudade

Hoje estou saudosa de uma saudade que não doi.

Só me faz lembrar com muita exatidão o que vivo, vivi.

Bato palmas para os aniversários dos momentos que mais mereceram a minha atenção: as dores.

Aperto as mãos e aceito os abraços do conforto vindos de tantas direções... até mesmo das que ignorava.

Debruço o dorso para cumprimentar quem sempre está comigo e dou saltos longos, altos para lembrar o rastejar da pena para libertar-me das tempestades.

Nada é mais calmo do que um dia sem temporal de ideias e imagens negativas.

quinta-feira, outubro 24, 2013

Descoisificar

Eu passei a gostar mais de mim quando parei de coisificar pessoas.

Há hoje um grito de alerta para o retorno pessoal. Assim, é melhor quando lançar olhos para uma criança não ofertar tanta matéria. Os presentes serão acréscimos, sem a pretensão de identificar a minha presença. Hoje, com três netos, é importante não representar com mimos o meu amor pelos pequenos.

Foi desde cedo que aprendi - sem o aparato da psicologia - que as pessoas são também marcantes por serem gente. Não ganhei brinquedos e no mergulho interno não vejo lacunas pela ausência de bonecas, bicicletas. Mantive amigos invisíveis que me acompanham até hoje e me ajudam a fortalecer amizade otimista com os visíveis.

quinta-feira, setembro 26, 2013

O presente

Acho que estou ficando madura. Amadurecer não é contar rugas do rosto, os pés de galinha que se acumulam formando molduras, que aos 15 anos não eram ameaças. Olho-me todos os dias e compreendo perfeitamente o que vem ocorrendo comigo. E como na adolescência, sou apresentada à uma nova pessoa. Todos os dias sou renovada.

Há pouco lia um testemunho de uma mulher falando sobre os cem anos de sua avó. Perguntava o que podia comprar de presentes para aquela senhora. A resposta de uma parenta foi que um pijama confortável seria o melhor mimo.  Adoro o dia do meu aniversário pelas palavras bacanas que inspiro as pessoas a dizerem pra mim. Sei que é de coração porque tudo vem de lá. Agradeço sempre e correspondo aos abraços, a troca de digitais que costumo dizer. Os presentes também são bem vindos: batons, cremes, roupas e os acessórios das orelhas, cintura, braços e dedos.

Não abro mão do jeans e do batom. Pulo alguns anos no tempo e busco a boca risonha marcada pelo tempo... vou querer colori-la? A cultura põe cinza no outono da vida rica nossa. No entanto, pra mim, cinza só na cor do lápis que circunda a minha herança indígena.

terça-feira, setembro 03, 2013

Profundidade

Eu não sei nadar.

Deve ser por isso que vou sempre ao fundo de tudo. Nas relações, no trabalho...

De vez em quando penso como seria se ficasse vez por outra na superfície... boiando na inércia, no tal "deixa a vida me levar..."

Percebo que sempre quis o controle e, com isso, me descontrolo.

Mas, ter fé não é olhar pro ceu e ficar esperando o maná. É preparar a vasilha para o doce que está pra vir.

É cair na vida, ralar nas escadarias. No patamar onde cheguei subi de joelhos.

Mesmo assim, gosto de me largar no espaço porque sei que sempre haverá um chão para apoiar.

quarta-feira, agosto 21, 2013

Felicidade



Felicidade é quando você não se prende ao tempo para identificar o que te faz bem. Saudade é perda de tempo.É um reter inútil de uma suprema força para garantir a perpetuação de um instante flagrante.

A felicidade é humilde, não se apresenta com estardalhaço. É terna e vibrante com a recepção que lhe impomos. Nem sempre depende do esforço íntimo. É latente. Habita a alma e permanece calada ouvindo os rompantes da angústia, a prima mal criada que rouba o sossego.

A felicidade é suprema e independe do tempo. É o raio que acompanha a tempestade da emoção. Curta, no entanto, extremamente plena!

A felicidade é a irmã que divide o quarto, a cama, o jardim nas brincadeiras com as flores. É a borboleta que pousa no desenho da tela colorida. É simples, mal vestida, mas sempre recebe convite para festas nos salões do cotidiano da vida.


quinta-feira, julho 11, 2013

Raimundin

Hoje, o meu pai, Raimundo Rodrigues de Abreu, estaria completando 90 anos. Eu não tenho só a sua lembrança física, tenho o aprendizado de gente séria. Foi sempre tão simples, tão carinhoso e sempre me compreendeu tanto. Nem precisava falar e ele já recebia o recado.

Quantas vezes, o gênio explosivo meu açoitou o seu olhar sossegado... Em resposta, balançava as pernas na cadeira, sacudia um pouco o corpo e com voz calma "o que foi que te mordeu hoje?" É falta de dinheiro? Quando eu ganhar na loteria, dou tudo prá você." De mim, a gargalhada incrédula das chances com os números, mas uma vez quebrado "gelo", a felicidade de viver tão intimamente com alguem que sempre me respeitou.

Raimundin como chamava - e ele deixava - não media esforços para participar da minha rotina. Rasgava elogios com o meu trabalho; xingava quando alguem me aborrecia "mas, pai, você nem conhece a pessoa" chamava sua atenção, e ele "mas conheço você."

Eu tive a grande sorte de conhecer e conviver com meu pai. O legado é tamanho, que a saudade não vai cobri-lo.

segunda-feira, julho 08, 2013

Enjoei, tô dispensando...

Eu já estou de saco cheio com os convites midiáticos de ter corpo definido.

Se for para me submeter ao bisturi para retirar gorduras(resultado de anos de comilança boa em companhia de amigos mil)...

Esvaziar-me das bebidas geladas que garantiram(e garantem) gargalhadas,  conversas jogadas fora e também aconchego familiar...

Para caber no número 38(qual o problema com os quarentas?);  carregar pesos num frenesi para endurecer músculos que não resistem ao tempo e se penduram embaixo dos meus braços.

Qual é o problema de envelhecer, ficar flácida? De que adianta cortar tiras e mais tiras de pele, esticar-me toda, entupir o rosto de germes(botox), isso tudo pra atender quem eu não conheço e resolveu ditar-me modos de vida?

Enjoei! Nunca fui magricela, tive o meu tempo de gostosa e, confesso, nada conferi de melhoria pessoal com isso. Hoje estou pra ser vista muito além do que a calça jeans esconde ou realça, dependendo de quem me vê.

A propósito, nem sempre quem me olha, me vê, de fato.

Obrigada pela visita

Espero seu retorno