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Reinado infantil

O sonho da mãe é colocar os filhos num pedestal. Na realidade, os pedestais existem a escolher ou deixar à própria sorte. Fico meio amarga quando vejo matérias indicando criança como rainha de bateria de escola de samba. O que a faz eleita? A discussão vai além do que pode significar tal posto, mas aonde estamos colocando o nosso público infantil?

"Oh, que coisa mais linda e cheia de graça?" Quem de nós pensa assim olhando através do vidro do carro aquela ou aquele malabarista no meio da pista, cruzando o nosso caminho e a gente de olho no atalho? As nossas crianças são engraçadinhas, fofuchas, boas de apertar quando saudáveis, alimentadas e agressivas no verbo (coisa de criança).

Lembrar sem saudade


Eu tenho a forte impressão de que as lembranças não devem ser interpretadas como saudade. Aquela dor, que por maior que seja, não consegue preencher o vazio da distância sentida. Lia sobre o sentimento num texto enviado por uma amiga.


É esta a sensação que tenho da redação e dos estúdios da rádio AM do Povo. Acredito que este seja o último post sobre a emissora. Porque de agora em diante, vou me ocupar de outros temas, deitar o meu olhar sobre a Cidade, sobre o meu bairro, a minha rua, a minha casa, e sobre mim.


Não que seja por falta de argumentos, eu sempre vou lembrar daqueles momentos preciosos, mas sem dor nenhuma porque até onde sei, fiz a minha parte. Na briga contra os ponteiros do relógio ditador, o sufoco exigido pelo trabalho sempre nos provocava risos. E fazíamos da redação o nosso nicho para crescer, fortificar e informar com qualidade.


Havia programas outros em que o riso era o móvel dominante. Noutros, a seriedade se fazia sentir. Fui repórter, redatora, produtora, apresentadora e até radioatriz. Imagine, só. Ao lado de Eugênio Stone e de Valéria, que se consagrou com a personagem Rossicléia (à época ainda não estava em cartaz), levamos ao ar estórias argumentativas em programas de cunho educacional.


Ao lado de Adísia Sá, a mentora de todos nós, encarei sem dificuldade e constrangimento as sugestões e críticas dos ouvintes. Ela como ombudsman e eu na direção da emissora. Foi com a nossa mestra que aprendi a fortalecer o meu caráter ético na profissão.


Lembro que Adísia sempre me socorria quando, diante de situações adversas, a dúvida me consomia. A professora costumava dizer: eu não faço concessões. Ou: não tenho saudades. Sempre me dou por inteira. Vivo intensamente o momento, a situação. Sigo o modelo e vou adiante, recordando os amigos, a amizade sem melancolia.


Aos meus companheiros, um abraço virtual, mas uma energia real. Muita luz!


Festa sem barulho


Acabo de ler matéria no O Povo sobre os 25 anos da AM do Povo, como ficou conhecida. Confesso que senti falta de cores. Digo, de festividades!


Comentei sobre a possibilidade de ser mais barulhenta a passagem, mas pensando bem, a rádio tem sido uma festa durante todo esse período, que está no ar. Deve ser essa minha veia festeira que tenho que fica cutucando e criando necessidades.


Logo nos primeiros anos de atividades, os aniversários eram comemorados com a participação de inúmeros artistas de renome nacional. O público que não se limitava apenas a ouvir a programação, estava concosco diariamente, sendo platéia e bastidor simultâneamente, aparecia e dava cor e som às comemorações.


Mas, é na informação que está o brilho da AM do Povo. É por meio dos âncoras que a Cidade se mantém informada. Não obstante, a dificuldade de vender espaços, porque só quem trabalha em rádio sente na pele a dificuldade de se fazer reconhecer a qualidade merecida.


Como formadora de opinião, prestadora de serviços e, fundalmentalmente importante na formação de cidadania, o rádio está no mesmo patamar de descrédito que a escola. Afirmo sem medo de estar cometendo injustiça. Falo no tocante à educação porque quem informa, educa.


Mas, resiste ao tempo e às adversidades porque está sempre pronta para prestar serviço e a emissora que foge desse objetivo apenas fica no ar, devendo a todos nós a oportunidade da informação.


A AM do Povo tem se mantido firme porque tem no leme uma pessoa com visão ampla que o meio precisa: Demórito Dummar.

Nem morta!


O que mais gosto da AM do Povo é porque foi lá que tive oportunidade de ser eu mesma. Humor transbordante, espaçosa, zombeteira, esperta, inteligente e, absolutamente, feminina! Escrevi inúmeros textos em muitas oportunidades de trabalhar na produção da emissora. Bem que este aqui, merecia ter feito parte. Só me veio agora por conta do pensar amadurecido.


Estou praticando a naturalidade do retorno para o mundo de onde vim. Encarar numa boa o desenlace (ainda bem que não é um nó), desta para uma melhor. Ilusão, meus caros. Para estar bem no retorno, é preciso conquistar bagagem aqui.

Costumo imaginar como será a reação dos que me conhecem por aqui, e já preparo as respostas:

Para os que disserem que já vou tarde, direi nem tanto. Há muito o que fazer ainda, eu vou voltar.

Para os que não sabem viver sem mim, saiam da minha aba. É tempo de crescer.

Para os que vão falar mal, não joguem sal nas minhas asas de anjo indefinido.

Para os que vão contar os meus cases, riam muito porque oh! exercicio bom.

Para os que estou devendo, xi....

Para os que queriam minha atenção e eu, nem tchun, paciência, vai!

Para os que sempre falharam comigo, obrigada por terem sido instrumentos que me permitiu trabalhar as minhas frustrações.

Para os que dizem até mais amiga, vai aí um aperto de mão. Ok, se não quiser apertar, apenas acene. Eu vou entender.

Para os que não me perdoaram ainda, libertem-se, eu não mereço a sua mágoa.

Para os que ficaram desesperados(?) com a minha ida, meus amores eu vou continuar amando e, logo mais, acreditem, a gente vai se encontrar.

E para os que rezarem por mim, obrigada. Necessito de muita luz e podem mandar muita. Aqui, a Coelce não tem vez.


E para os que pensam que a morte é o fim, quem vocês acham que lhes intuiram para estar lendo agora?

E, finalmente, para aquele que queria a gostosa, sabe aquela frase que não disse? Pois, nem morta!

A Rádio O Povo é uma das maiores razões de riso porque é qualidade no ar.

Planta é notícia

Hoje saí para ver o dia de São José. Há quanto tempo não curtia água, areia e sol. Claro que fiquei metade sombra. Acontece que a pele do rosto resolveu rejeitar o calor. Para quem vivia na Praia do Futuro, curtindo tudo o que lá se oferece...

Mas, o que o meu dia de sol tem a ver com o meu tema do mês de março? Estava degustando um caranguejo saboroso, quando percebi a presença de um cameraman da TV Cidade e, olhando um pouco mais adiante, uma corajosa repórter, desafiando o calor.


O meu pensamento foi para o tempo de repórter da rádio Am do Povo 1010. Na produção, nem sempre o que colocamos no ar é factual. Não ficamos sentados esperando que algo aconteça para enviarmos um repórter. Saímos em busca de notícias. E tudo o que acontece em sociedade, na sociedade, merece ser mostrado? Nem sempre.
No entanto, lembro um fato interessante. Numa manhã de sábado, com tudo aparentemente calmo, sugeri ao repórter Renato Abreu que fosse verificar que tipo de planta, apontando para o futuro um árvore robusta, crescia na parede de um dos prédios da UFC, na avenida 13 de Maio.

Renato Abreu, que agora é visto na TV Assembléia, fez uma das coberturas mais fantásticas. Pena que eu não lembre o nome da planta. O interessante ressaltar que naquela manhã de sábado, que nada prometia, Nonato Albuquerque e Renato Abreu acordaram a Cidade e moveram inúmeras pessoas ao local.
Foi uma festa! Ouvintes ligavam dando sugestões; transeuntes sugeriam nomenclaturas mais diversas; motoristas até de coletivos paravam para observar. O clímax aconteceu quando um botânico, professor universitário, curioso pelo "barulho" ,nos descreveu o tal móvel da matéria.


Lamento mesmo não lembrar os nomes. Mas, repórter que é repórter realmente sabe despertar a atenção, o interesse pela vida. Nem que seja presa à uma parede.


Apenas um show


Navegando na Net, vi que hoje é aniversário de Bruno Barreto, um dos maiores cineastas do momento. Não tive ainda a oportunidade de conhecê-lo, mas foi trabalhando na redação da rádio O Povo, que cheguei a conhecer artistas que enlouqueciam as cearenses.


Fábio Júnior, no auge da carreira, foi um dos causadores do terremoto que destruiu o jardim da empresa O Povo. Foram tantas fãs enlouquecidas querendo vê-lo, tocá-lo, que fui obrigada a trancar a sala onde trabalhava para evitar que fosse machucada. Estava grávida do meu terceiro filho.


Da janela de vidro assistia sem ter a compreensão real do que ocorria: dezenas de mulheres em cima dos veículos a exibirem o corpo num convite desesperador. Algumas chegaram a promover streaptease, num gesto de admiração(?) Não sei, realmente, nunca fui à loucura por conta de um ídolo.


Fábio Júnior foi obrigado a escalar o telhado da sede onde funcionava a emissora e, lá de cima, cumprimentou e ensaiou duas músicas, numa tentativa de acalmar as mais afoitas. Qual nada! detonaram os jardins.


Foi uma cena improvisada, mostrando que a nossa equipe estava sempre pronta para os desafios. O comunicador Ronaldo César em cima do telhado, tentando se equilibrar com o microfone também enlouquecia as fãs. Que tempo glorioso!

Na defesa do consumidor


Neste espaço tomo a liberdade de expor a minha opinião, ou melhor, os meus sentimentos com relação à nossa realidade. A defesa do consumidor quando começou encontrou resistência como toda mudança.


Foi na AM do Povo que a luta ganhou força. Todos os dias, pela manhã, a procuradora geral da Justiça, Socorro França tirava as dúvidas dos ouvintes e da população geral sobre os direitos de consumir produtos com qualidade e por preços compatíveis com o mercado.


Lembro, que eu mesma sofri discriminação, como dona-de-casa quando reclamava qualidade e preço dos produtos consumidos na minha casa. Aliás já escrevi aqui sobre isso.


A AM do povo não parou por aí, criamos ouvidorias outras, o momento do ouvidor para falar sobre os reclames e direitos na prestação de serviços.


O pioneirismo na informação e na prestação de serviços razões pelas quais o rádio está no ar, ainda, são argumentos vitais da Companheira.

No Orkut


Criei uma comunidade para abrigar profissionais que tiveram a oportunidade de fazer a AM do Povo. E também para tornar mais próximos colegas de trabalho que o tempo nos obriga a distância.


Para alegria e conforto alguns dos meus amigos estão presentes. Rita Célia atendeu ao apelo. Nós nos conhecemos desde à época da faculdade. Costumávamos sentar no chão, olhando para a Avenida da Universidade. O assunto em pauta nada tinha a ver com que vivenciamos ao longo do tempo.


Hoje somos avós, e tenha certeza, nunca o tema esteve nas nossas previsões. Nos encontramos algum tempo depois, na rádio, as duas com filhos pequenos. Rita continua na empresa, na redação do Povo, acumulando prêmios pela excelência do seu talento.


Nada mais autêntico do que falar sobre nós mesmos, quando nos sentimos à vontade para fazê-lo. Hoje, vou capturar da comunidade Já fui da AM do Povo, depoimento da minha amiga Rita Célia, postado no dia 31/08/05 .


Meu primeiro emprego



"Foi na Rádio O POVO que comecei minha vida profissional. Foi trabalhando lá que
conheci meu marido, casei, tive filhos. Jamais esquecerei essa rádio
maravilhosa. Tenho saudades da nossa turma prá lá de genial: Fabreu,
Socorrinha, Maryzinha (que ainda está lá), Nonato, Carlos Augusto (o amigão
como lembra a Débora Lima), Paulo Oliveira, Paulo Roberto, Tertuliano Siqueira...ihhh são tantos. E nossa direção as queridas Carmem Lúcia Dummar
Azulay e Adísia Sá...como posso esquecer esse tempo maravilhoso. Marcou a minha
vida e de meus filhos que viviam por lá... Amo essa rádio!!!! "














Os alagados


Sabe quando se está perdido no trânsito em meio à chuva e ruas transformadas em rios? Aí, no desespero mais controlado (se é que pode) liga-se o rádio e uma voz, no mínimo calma, deixando fluir toda a amizade e o prazer no que faz vai lhe informando, sem que você pergunte, qual a melhor alternativa de se mover e sair do sufoco?


Pois é, a rádio O Povo, a Companheira de sempre, é assim. Certa feita, Fortaleza foi totalmente alagada, foi a maior chuva que já vi por aqui. Foi no dia 24 de abril de 1998. Foram 270,6 milímetros de água, 403 desabrigados, 2.830 casas alagadas, 95 desabamentos e, pelo menos, uma vítima fatal.

Mesmo que quisesse ir para casa, à época residia no Montese, não poderia. A água do canal do Jardim América transbordou e tomou conta de tudo.
Ficamos também molhados, porque a cobertura da sede da rádio não suportou o peso de tanta água. Mas, não paramos o serviço. Nonato Albuquerque , totalmente ilhado, fez o programa do seu apartamento. Como? Simples, ligamos para ele e o âncora segurou firme o programa.

Tivemos a idéia de fazer parceria com os motoristas de táxis. Eles nos indicavam por telefone as ruas em situações piores e as que podiam ainda ser transitadas. O país ficou conhecendo a nossa situação por meio dos flashs que se repetiram durante todo o dia.
Sem sairmos da redação víamos e ouvíamos a todos fortalezenses. A Companheira tem disso. Faz todo mundo de repórter.

O gosto da mulher




A Am do Povo foi a rádio mais feminina de todas. Já teve a minha cara, da Ian Gomes, da Carmem Lúcia Dummar, da Rita Célia Faheina, da Lígia Matta, da Sílvia Goes, da Jaqueline Costa, da Socorro Ribeiro, da Marilena Lima, da Angélica Martins, da Rejane Limaverde, da Socorro França, da Fátima Vilanova, da Maria Luiza Fontenelle, da Débora Lima, e hoje tem a cara da Maryllenne Freitas, da Tina Holanda e da Adísia Sá.




A emissora continua fazendo companhia a todas mulheres que acreditam em dias melhores, incluindo você.










Da buchada à barra de cereal


Eu costumo agora ficar observando uma pessoa em particular: euzinha. Como mudei! Eu sabia que um dia cresceria, mas assim, tão decidida, tão assumida... que coisa boa que estou fazendo pra mim mesma.


Até a refeição ganhou mais qualidade. Sem querer desprezar os bons temperos da terra, flagro-me comendo cereais enriquecidos com fibras. E não é pra enganar o estômago. Curto com essa mudança, eu ex-comedora de buchadas, não é engraçado?






Na rotina puxada de trabalhar, remando contra o motor do tempo, naquele mar de ínformações em que navegávamos na Am do Povo, costumávamos correr para o Vicente, comer miudo de frango ensopadinho e panelada, acompanhada de uma boa cerveja gelada.

Para essa escapada também tinhamos o relógio tirano, só que agora, mais ameno: 12h15min de sábado lá estávamos reunidos no bar da Joaquim Magalhães. Tanto fazia ter dinheiro como não. Pendura aí Vicente e reserva do táxi porque estou sem carona. Na cara de pau e ele atendia prontamente.

A turma da Am do Povo merecia toda atenção e fazíamos um barulho inconfundível. Aliás, o bom humor reunia todos. As noites de sexta também. A primeira parada, Vicente e depois aproveitar as cortesias para os shows das casas noturnas.

Foi lá no Vicente que vivemos os nossos melhores momentos de festas. Foi nesse reduto que também nos solidarizamos com colegas que hoje fazem barulho no outro plano, como Laerte Alves, o sorriso mais aberto e mais amigo que tivemos oportunidade de dividir.






Tentando ser companheira

Quem disse que repórter não morre de medo de errar no ar? E ao vivo? Estou lembrando das primeiras reportagens para a rádio Am do Povo. Foi no programa da tarde apresentado por Paulo Oliveira, em plena terça-feira de Carnaval, passando um
flash-resumo das atividades do Juizado da Infância. Que experiência.
De repente, alguém segura com força o microfone e passa a narrar uma história triste de uma agressão que o filho sofreu. Não deu para finalizar a matéria porque fomos impedidas de continuar.

A direção do local entendeu que a matéria feria os princípios da confiança que
havia me dado. Tive de largar o microfone e saí para uma conversa escoltada por um gentil bombeiro. Fiquei cerca de uma hora no gabinete, numa poltrona fofa, que
me deixava mais funda do que estava.

Imagino agora, o que poderia ter ocorrido. Paulo me perguntou, antes de sair
do ar, o que estava acontecendo. Não sei, respondi e engolindo a frustração própria dos iniciantes.

Claro que houve solidariedade dos colegas de rádio. Aliás, quando o assunto
é responder qualquer embargo, nós somos imediatistas. Sem flashs sobre o
tema por 45 minutos, sem dúvida foi um imenso buraco.

Mas, o que realmente me deixou marcas foi tomar consciência da vida de
inúmeros jovens, sem o conforto de uma casa, sem comida,cujos corpos, ao
invés de alimentos, apenas recebiam drogas químicas.

Como mãe me senti impotente. É como já disse aqui, a dependência química de
jovens me leva às lágrimas. Foi no ano de 1983, quando a inflação atingia os 200% e a delinqüência juvenil ultrapassava o limite do tolerável.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...