Só pro pensar

 



O que mais gosto em mim é justamente não saber quem eu sou.

Amo as surpresas que me causo.

Os ânimos levantados que carrego.

O olhar que se considera revelador.

Seria mesmo?

 

Divirto-me com as definições aleatórias.

Acho interessante ouvir comentários a meu respeito.

Há filósofos que querem furar a minha alma e chegarem onde não consegui chegar ainda. Se é que existe um caminho?

Os trilheiros que me desbravam.

 

O mais empolgante é a definição que eu não pedi.

Por que tanta rapidez em me decifrar se não sei se sou uma esfinge?

 

Raymundinho, amado

Eu não sei se falei, com insistência sobre o amor que nutri e nutro por você, meu pai. 

Você merece ser o meu primeiro pensamento no raiar da saudade que, hoje, no dia também do meu aniversário, faz despertar. 

Vários serão os momentos de encontros e, se Deus queira, de reencontros.

Seu Raymundinho, você me mostrou que o homem também sabe amar, respeitar e proteger mulheres. 

Lembra quando a gente se abraçava e o seu aconchego apertava e quase me sufocava?

O abraço sempre foi o eu te amo que você me dedicava.



Arranhões ou rachaduras?

 

A pergunta veio a propósito de um comentário com um colega de trabalho e um bom ouvinte. Ele tem o ouvido amigo. 

Falávamos de sentimentos? 

Não. 

Do arrepio das mudanças - que não mudam.

Permito-me cutucar o leitor para que siga a trilha, não a escolhida por mim, mas a que ele é instigado e, muitas vezes, constrangido a seguir.



Observar é preciso

Nunca estive tão observadora como hoje.

Nunca esbocei menos o meu parecer a respeito de coisas, pessoas, situações que há algum tempo (não muito) pareciam-me pruridos. 

Exigia ações.

Fechando os olhos para o que eu não posso mudar (pessoas) mergulho fundo no labirinto da minha existência. 

Se me perco? Sim!

Mas é nesse perder que percebo o quão profunda sou.

Faço exercícios contantes: observo-me, mas de olho na toga do juiz, que deve permancer desnudo dela.

Afinal, o julgamento é um atalho perigoso.


A Vida que leva?


O meu pai gostava muito de música. Sempre ouvia no radinho de pilha as novidades musicais nossas. O rádio, foi uma das suas grandes paixões porque nele ouvia as transmissões dos jogos do seu time querido - Ceará Sporting Clube - e seus cantores preferidos.

Tempos depois, bem antenado, o seu Raimundin, como costumava chamar, andava com o celular para ouvir Zeca Pagodinho. "Deixa a vida me levar" era entoado por ele, dedilhando na mesa o seu batuque preferido.

Aprendi a gostar mais ainda de Zeca Pagodinho por conta de papai. Deixar a vida levar poderia ser um desprendimento de muitos sonhos que ele ansiava? Não cheguei a perguntar-lhe isso, mas com certeza, ouviria uma boa resposta.

O seu Raimundin tinha umas respostas bem interessantes e que me deixavam entre o entusiamo e a dúvida: "Minha filha, a Terra (Planeta) foi criada por Deus, que nos deu esse paraíso. O problema é que ele criou gente". 

Mas, pai - interpelava - se a gente não existisse, você também não estaria aqui. Ao que ele revidava: "e qual seria o problema?"

A vida que nós levavamos teve lá os seus solavancos e, por algum tempo, na juventude, não ficamos próximos. No entanto, quando me dei conta do quanto eu o apreciava, nunca mais ficamos distantes.

Ainda vejo você, papai, com a mão descansando sobre a mesa, nos intervalos de goles de café, a sua bebida preferida, acompanhando o ritmo da vida que se deixava levar.

Saudades são grandes, tamanhas....

Eu sinto

 A dor e suas formas de ser.

Latente...

Sentida...

Abortada ...

Lembrada...

Guardada...

imóvel

Mobilizada...

Rasgada...

Mutilada...

Estampada...

Disfarçada...

Colorida...

Apática...

Acolhedora...

Viva!!!

Sensação de finais de ano

Estou com a sensação de fim de ano. A minha quase inexpressão causou na sala de trabalho. O primeiro comentário lembrava-me que sim, estamos no final do ano. Outro, entre risos, concordou. 

Depois do momento hilário, retruquei


(mas para mim do que para a pequena plateia): eu poderia não estar tendo essa sensação.

Foram vários finais de ano que atravessei. Lembro da euforia que senti na maioria deles. Cheguei a escrever sobre isso, neste mesmo espaço.

Mas, agora, neste exato momento, a sensação de final de ano, não lembra nem um pouco de mais 365 dias que se completam.

O pensar nem sempre deve ser dito? Acredito que sim, deve ser exposto, deve ser alardeado.

Afinal, quando falo estou não só me expondo, estou mais elevando a voz do meu pensar. 

Só pro pensar

  O que mais gosto em mim é justamente não saber quem eu sou. Amo as surpresas que me causo. Os ânimos levantados que carrego. O olhar...