Arranhões ou rachaduras?

 

A pergunta veio a propósito de um comentário com um colega de trabalho e um bom ouvinte. Ele tem o ouvido amigo. 

Falávamos de sentimentos? 

Não. 

Do arrepio das mudanças - que não mudam.

Permito-me cutucar o leitor para que siga a trilha, não a escolhida por mim, mas a que ele é instigado e, muitas vezes, constrangido a seguir.



Observar é preciso

Nunca estive tão observadora como hoje.

Nunca esbocei menos o meu parecer a respeito de coisas, pessoas, situações que há algum tempo (não muito) pareciam-me pruridos. 

Exigia ações.

Fechando os olhos para o que eu não posso mudar (pessoas) mergulho fundo no labirinto da minha existência. 

Se me perco? Sim!

Mas é nesse perder que percebo o quão profunda sou.

Faço exercícios contantes: observo-me, mas de olho na toga do juiz, que deve permancer desnudo dela.

Afinal, o julgamento é um atalho perigoso.


A Vida que leva?


O meu pai gostava muito de música. Sempre ouvia no radinho de pilha as novidades musicais nossas. O rádio, foi uma das suas grandes paixões porque nele ouvia as transmissões dos jogos do seu time querido - Ceará Sporting Clube - e seus cantores preferidos.

Tempos depois, bem antenado, o seu Raimundin, como costumava chamar, andava com o celular para ouvir Zeca Pagodinho. "Deixa a vida me levar" era entoado por ele, dedilhando na mesa o seu batuque preferido.

Aprendi a gostar mais ainda de Zeca Pagodinho por conta de papai. Deixar a vida levar poderia ser um desprendimento de muitos sonhos que ele ansiava? Não cheguei a perguntar-lhe isso, mas com certeza, ouviria uma boa resposta.

O seu Raimundin tinha umas respostas bem interessantes e que me deixavam entre o entusiamo e a dúvida: "Minha filha, a Terra (Planeta) foi criada por Deus, que nos deu esse paraíso. O problema é que ele criou gente". 

Mas, pai - interpelava - se a gente não existisse, você também não estaria aqui. Ao que ele revidava: "e qual seria o problema?"

A vida que nós levavamos teve lá os seus solavancos e, por algum tempo, na juventude, não ficamos próximos. No entanto, quando me dei conta do quanto eu o apreciava, nunca mais ficamos distantes.

Ainda vejo você, papai, com a mão descansando sobre a mesa, nos intervalos de goles de café, a sua bebida preferida, acompanhando o ritmo da vida que se deixava levar.

Saudades são grandes, tamanhas....

Eu sinto

 A dor e suas formas de ser.

Latente...

Sentida...

Abortada ...

Lembrada...

Guardada...

imóvel

Mobilizada...

Rasgada...

Mutilada...

Estampada...

Disfarçada...

Colorida...

Apática...

Acolhedora...

Viva!!!

Sensação de finais de ano

Estou com a sensação de fim de ano. A minha quase inexpressão causou na sala de trabalho. O primeiro comentário lembrava-me que sim, estamos no final do ano. Outro, entre risos, concordou. 

Depois do momento hilário, retruquei


(mas para mim do que para a pequena plateia): eu poderia não estar tendo essa sensação.

Foram vários finais de ano que atravessei. Lembro da euforia que senti na maioria deles. Cheguei a escrever sobre isso, neste mesmo espaço.

Mas, agora, neste exato momento, a sensação de final de ano, não lembra nem um pouco de mais 365 dias que se completam.

O pensar nem sempre deve ser dito? Acredito que sim, deve ser exposto, deve ser alardeado.

Afinal, quando falo estou não só me expondo, estou mais elevando a voz do meu pensar. 

Solar

Sabe aqueles dias em que você se subestima? 

Carrega pensamentos sombrios, que só fortalecem o pessimismo?

Pois é, de vez em quando eu me assombro com essa "maleta".

A destarte, o otimismo, que não desiste de mim, sopra ventos, afastando a tempestade do pensar cinza.

Hoje, a alegria que me preenche tem nome: Márcio Holanda Martins. 

Sabe, aquele menino por fora e enorme por dentro?

Ele é o agente, é o sopro do ânimo meu.

Numa conversa sem muitas pretensões - da minha parte - ele joga sem aviso prévio: "Você é solar"!

Você que me lê já recebeu uma definição assim?

A partir de então, todas as minhas luzes estão acesas.

O "interruptor" afastando sombras tem um sorriso calmo, assim como o seu caminhar, e o seu abraçar.

Gratidão, querido!

Fotos de Bia Medeiros, também amiga e colega de trabalho.





(In)tolerância


 A respeito da violência a que somos constrangidos a conviver, vou tecer um leve comentário - se é que é possível leveza nesse quesito. Vi e revi imagens de dois veículos conduzidos por duas mulheres numa disputa por espaço.

Uma atravessou, ou melhor, ultrapassou com o veículo, na frente de um carro. Não estou aqui apontando dedos e, muito menos, pendendo por lados de quem estaria com a razão. Na investida considerada insultosa, a condutora do veículo ultrapassado passou a agredir o automóvel que estava à sua frente. 

Parecia que nada conteria aquele ataque de fúria. E não conteve, mesmo! Isso porque chegou a ferir, nas suas investidas, a perna da motorista "infatora". 

Não sei como resolveram a situação com relação aos gastos financeiros e danos morais. Mas aqui fico cismando o pensar, o que ganhamos com  intolerância? 

Olhando para as inúmeras vezes que deixei falar mais alto, o meu EU, percebo o quanto de tempo perdi.

Arranhões ou rachaduras?

  A pergunta veio a propósito de um comentário com um colega de trabalho e um bom ouvinte. Ele tem o ouvido amigo.  Falávamos de sentimentos...