Os sons misteriosos da minha casa. Eu sempre apreciei. Aguçam-me o sentir do desconhecido.
Eu sempre fui fã dos sons não apresentados com biografia, a exemplo de pancadas em algum cômodo, os arrepios que se seguiam após os sopros de ventos no pescoço...
Quem seriam? Acontece, que sempre gostei de lugares amplos - gosto de morar em casas grandes - e nunca me senti sozinha porque os sons se repetem. Há aqueles cujas origens permanecem em sigilo. E há outros que a mente laboriosa reconhece como estalos físicos.
Quer exemplos? A geladeira lá de casa estala. O telhado estala. O vento uiva dizendo que não visto, mas é sentido.
No entanto, o que mais me assombra é quando percebo que o barulho dos argumentos se calam.
Há fantasma maior do que o sentir sem expressão?

