De frente com o front

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Quando o front não te mostra o que está para vir com a nitidez do olhar no futuro.

Do que estou falando? Do meu corpo que esqueceu como sentar e levantar em seguida. 

Nunca dantes havia imaginado que isso me ocorreria. 

Como assim quadril? Perdeu a sintonia com as pernas? 

Agora, dá pra ver e ouvir os sinais que o corpo indicam. Nem para escutar, nem para ver. 

Apenas aquela sensação de que o equilíbrio é uma coisa do passado! Seria mesmo? Agora me deparo buscando na internet, formas de sentar e levantar sem que as posições sejam constrangedoras. 

Gostaria de ser mais ágil, assim como o meu pensar que não conheceu (até agora) limites. 

Vou reaprender os movimentos do corpo que está me deixando sem muitas opções. 

Afinal, enquanto habitar esse "vaso" preciso seguir adiante com os movimentos do espírito. 

 

Ferindo feridas

 


De vez em quando penso nas feridas que tenho. 

As que cicatrizaram, 

as que sangraram muito, 

as que tive que apertar para o sangue sair e não doer depois por dias intermináveis...

As feridas da pele são visíveis.

As que não vejo são as que mais sinto. 

Quando sangro, quem as estancam?

Quando doem, quem as balsamizam?

Em meio a tantos questionamentos, as vezes penso que me acostumei com a dor

Noutros, percebo que já cicatrizaram.

Então, por que o pensar aflito nessas marcas?

Cismando lembranças

 Quem dera eu pudesse guardar o desenrolar de inúmeros sonhos que tive, que tenho. 

Para minha sorte, as sensações ficam por algum tempo. 

Mas, com o passar das horas, aqueles instantes marcantes sossegam o meu pensar. 

Ficam num arquivo, cuja senha, esqueço. 

De vez em quando me despertam. 

O gatilho é disparado por alguma tentativa - nem sempre exitosa - minha para acordar o sentimento adormecido. 

E como dorme o sentir. 


No entanto, como mãe cuidadosa de filhos inquietos, me pego lembrando... ou seria a vontade de lembrar o que não teria esquecido, caso cismasse mais? 

Silêncio

 The sound of silence,


de Paul Simon, que fazia dupla com Garfunkel, sempre expandia dentro de mim. 

Nem desconfiava o que a originou. 

Mas, como um mantra a voz deles, o eco da letra ressoavam em mim, falando coisas que não se apresentavam mas que despertavam em mim o que bem conhecia. 

O som do silêncio que tentava abafar a batucada incessante do meu pensar. 

Costumo ser assim: ruidosa por dentro e por fora. 

Na verdade, lá no fundo, ecoa a voz teimosa que me manda berrar, quando fecho os lábios e selo com o silêncio o que de mais primitivo tenho.

Pecado

 Eu sou uma pecadora confessa. 

Disse isso, certa vez, a um padre. 

Mas, antes dele Deus já havia visto o meu "mal feito". 

Foi assim que aprendi que pecar seria tudo aquilo que alguém jamais esperaria que eu fizesse?


 

Dar um cotoco, por exemplo. 

Juro que achei que quebrariam o meu dedo. 

Será que por isso passei a usar o tal cotoco mental? 

Sou tão ruim a ponto de ficar feliz, olhando para a pessoa que está me enchendo o saco, enfiando-lhe um cotoco diretamente da minha testa? 

Sei não! Mas, confesso, a satisfação que dá....

IA conversa comigo

 Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você. 

E conversou. Só naquele momento, porque não dei continuidade. 

E não fiquei curiosa. 

Gostei da honestidade da IA. 

Tudo aconteceu quando tentei lembrar o nome de uma música e escrevi o trecho na janelinha do Google.

O texto em questão é da canção Meu Cofrinho de Amor. Tão lindo este nome, né?

Assim que introduzi Você é meu céu é minha vida, meu amor, minha querida....

Quase sempre faço isso. Brinco ou brigo com a memória, tentando lembrar o nome, a pecha....

Já pensou em agir como um computador? 

Ser acionado e responder honestamente?  


Quem esqueceu o quê?

 

Não é sempre, mas existem manhãs em que eu fico lendo coisas que me fazem muito bem. Podem ser piadas, podem ser textos filosóficos.Uma chamada de atenção para o meu viver não muito pacífico.

E entre um gole de café e outro, uma mordidinha na minha tapioca preferida, olho para o fogão que está bem à minha frente e vejo que o fogo que cozinhava os ovos está desligado. Paro e me pergunto, eu desliguei quando?

Será que eu já estou no nível senil e não lembro das tarefas recentes?

Mas na mesma hora eu me compenso respondendo que pela manhã fico tão no automatismo, que não percebo o que faço.

É um pilotinho automático que toma conta da vida. Que me faz colocar um brinco para depois no caminho, ficar segurando para ver se coloquei o par igual.

Ficar buscando a lembrança, que brinco peguei, já que a gaveta tem tantos?

Entre a perda de memória da senilidade, (não sei se senilidade seria a colocação certa) prefiro pensar que é o automatismo.

Afinal, a repetição faz parte da minha rotina.

Ainda bem que eu me compenso em abrir as janelas e portas. 

Olhar para esse céu infinito...

Dar uma fungada no tempo e sentir esse ar ainda não tão poluído que as manhãs nos oferecem.

Porque à noite, quando a maioria dorme e deixam as ruas, a terra respira e nos dá de volta esse ar de alento.

Que maravilha!

E diante dessa imensidão, o que é que importa, em qual momento eu desliguei o fogo?

De frente com o front

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