Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros. 

                                                         Créditos: depositphotos.com / steve_byland
Cantos maviosos.

Eu sempre soube que havia uma razão para os concertos matinais.

Uma chamada da Natureza, impulsiona-os

Sons que se repetem e encontrem eco em outros

Há pessoas, que me falam, que soam como pássaros

Suas falas são convites 

E as minhas respostas são silenciosas

Porque curto ouvir a passarada

Sei que, em muito pouco tempo, os cânticos passarão

O silêncio substituto faz eco em mim

Imito-o

Deixo ecoar o que os ouvidos sentem falta

Eu gostaria de soar igual a um pássaro

Ser agradável quando falar

Aí, lembro que algumas aves tem um som incomôdo

Então, uso o voo para imitar-me

Atendo ao chamado da natureza

Aposentando...

 Você já se aposentou, não é? 

A interpelação de uma desconhecida veio assim, do nada!

Fico cismando o pensar o porquê da pergunta.

Qual a impressão que causo? Por que, justo uma mulher faz a indagação?

Perguntas que não calam, nunca!

Se for jogar para o lado politicamente correto, estarei sendo alvo de etarismo?

Palavra estranha para lembrar que tenho direitos que vão além da aposentadoria.

Fico jogando ao chão toda uma trajetória de vida: riscos, perdas, ganhos, sorrisos, lágrimas, enfim, emoções sendo exploradas por mim rotineiramente.

E você, interlocutora. o que te motivou me dar um bom dia tão diferente?

Tira o S

Em momentos de quebra fui cola

Quando rasgou, costurei

Usei acessório para a fissura não ser percebida

Quando trincou, evitei atritos para a quebra iminente

Quando soltou, segurei

Quando a luz apagou procurei o interruptor

Quando a lâmpada queimou, troquei

Cola, agulha, linha, habilidade

Lembro sempre de um amigo

Que dizia no nomento da crise, tire o S


De frente com o front

https://www.significados.com.br/equilibrio/

Quando o front não te mostra o que está para vir com a nitidez do olhar no futuro.

Do que estou falando? Do meu corpo que esqueceu como sentar e levantar em seguida. 

Nunca dantes havia imaginado que isso me ocorreria. 

Como assim quadril? Perdeu a sintonia com as pernas? 

Agora, dá pra ver e ouvir os sinais que o corpo indicam. Nem para escutar, nem para ver. 

Apenas aquela sensação de que o equilíbrio é uma coisa do passado! Seria mesmo? Agora me deparo buscando na internet, formas de sentar e levantar sem que as posições sejam constrangedoras. 

Gostaria de ser mais ágil, assim como o meu pensar que não conheceu (até agora) limites. 

Vou reaprender os movimentos do corpo que está me deixando sem muitas opções. 

Afinal, enquanto habitar esse "vaso" preciso seguir adiante com os movimentos do espírito. 

 

Ferindo feridas

 


De vez em quando penso nas feridas que tenho. 

As que cicatrizaram, 

as que sangraram muito, 

as que tive que apertar para o sangue sair e não doer depois por dias intermináveis...

As feridas da pele são visíveis.

As que não vejo são as que mais sinto. 

Quando sangro, quem as estancam?

Quando doem, quem as balsamizam?

Em meio a tantos questionamentos, as vezes penso que me acostumei com a dor

Noutros, percebo que já cicatrizaram.

Então, por que o pensar aflito nessas marcas?

Cismando lembranças

 Quem dera eu pudesse guardar o desenrolar de inúmeros sonhos que tive, que tenho. 

Para minha sorte, as sensações ficam por algum tempo. 

Mas, com o passar das horas, aqueles instantes marcantes sossegam o meu pensar. 

Ficam num arquivo, cuja senha, esqueço. 

De vez em quando me despertam. 

O gatilho é disparado por alguma tentativa - nem sempre exitosa - minha para acordar o sentimento adormecido. 

E como dorme o sentir. 


No entanto, como mãe cuidadosa de filhos inquietos, me pego lembrando... ou seria a vontade de lembrar o que não teria esquecido, caso cismasse mais? 

Silêncio

 The sound of silence,


de Paul Simon, que fazia dupla com Garfunkel, sempre expandia dentro de mim. 

Nem desconfiava o que a originou. 

Mas, como um mantra a voz deles, o eco da letra ressoavam em mim, falando coisas que não se apresentavam mas que despertavam em mim o que bem conhecia. 

O som do silêncio que tentava abafar a batucada incessante do meu pensar. 

Costumo ser assim: ruidosa por dentro e por fora. 

Na verdade, lá no fundo, ecoa a voz teimosa que me manda berrar, quando fecho os lábios e selo com o silêncio o que de mais primitivo tenho.

Pássaros

Sempre gostei de ouvir pássaros.                                                           Créditos: depositphotos.com / steve_byland Cantos...