quinta-feira, novembro 09, 2006

A vida é uma nó vela


Quando a rua está molhada, não adianta colocar salto alto para evitar molhar o pé. Ou seja, quando algo não está bem, não adiante se fingir de morto. Eu falo das nó velas(é assim mesmo que escrevo) da TV brasileira. Eu não sei se é por capricho dos autores, ou se a criação passou a ser reduto do mau gosto.

Sei porque não gosto de acompanhar os folhetins televisivos: eu não suporto certas cenas. Pode até ser por questões mal resolvidas na minha mente maluca. Mas, aquela cena do casal de adolescentes na cama, o pianista e a bailarina... essa, eu não paguei pra ver.

Infelizmente, as nó velas invadiram a minha vida e o meu texto. Te contei?

Rasguei as páginas da vida. Dei uma escalada, soltei o grito, disse cobras e lagartos. Achei pouco, abri a janela estiquei o olho para o espigão vizinho, e quis ver a feia mais bela das ruas da minha Cidade.

No calor da alta estação, desejei um copo de cristal de chocolate com pimenta. Se eu morasse na Amazônia seria um bicho do mato, uma gata selvagem, esperaria paciente pelas flores do mandacaru, antecipando refresco para minha sede.

Mas, na impossibilidade de pertencer à zona Norte, eu me consolo, fazendo malhação, na avenida Beira-Mar, lugar de louca paixão de turista equivocado, dono do mundo, num cavalo de aço, querendo viver paixões proibidas. E, se ele se demorasse na cisma, com certeza, perguntaria que rei sou eu?

Eu ainda com temperamento rebelde, tomando emprestado o linguajar do sudeste, diria que já enfiei o pé na jaca. Mas, pelo menos, resta-me o consolo de que em vidas opostas, noutra viagem, eu não tenha sido a sinhá moça. Para minha felicidade, como profeta, eu espero ter visitado o tronco e tenha venerado os ossos do barão.

Mas, com toda a desarrumação, e os conflitos que se somam, por amor, ainda torço pelo cidadão brasileiro, o salvador da pátria. Para que ele coma todos os dias feijão maravilha, dancing days, numa praia tropicaliente, que mantenha os laços de família, e carinhoso, seja amigo dos irmãos coragem. Um pai herói.

Também espero não ser a próxima vítima do desemprego, reclamar do pão que a gata comeu, nem tão pouco participar de cambalacho. Quero escapar do tititi da maledicência, e não ser clone do bebê a bordo. Porque não tenho vocação para ser barriga de aluguel. Quero um filho bem amado.

Já com relação à sexualidade, eu queria mesmo era que desaparecesse o personagem locomotiva, e desse lugar a outro, as mulheres apaixonadas, Tiêta, ou a rainha da sucata, por exemplo.

Uga-uga pra você porque o morto o texto, eu faço ponto, e rogo a Roque Santeiro, paciência.
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