quarta-feira, dezembro 20, 2006

Vaia resolve?



Eu não assisti à solenidade de diplomação dos deputados eleitos. Mas, fui informada de que as vaias foram ouvidas com intensidade. Lembro que nós não sabemos lidar com a rejeição. É complicado ser alvo desse sentimento.

Sei também que o ouvido vaidoso amplia o som da vaia e neutraliza os aplausos. Ou seja, numa platéia formada por cem pessoas, se uma delas soltar um estrondo uuuuuuu, com certeza é para ele o arquivo especial da memória.

Eu nunca esqueço que a rejeição significa perda, e por isso, mesmo deve ser instrumento de aprendizado. O aplauso alimenta a vaidade e, com o tempo acostumamos a ele, nos perdendo no seu verdadeiro significado.

O mesmo não ocorre com a vaia. Ela marca. Estigmatiza. Degenera. Quer experimentar? Se o manifestante bem soubesse, se avaliasse o dano que consegue provocar no íntimo, não faria.

É claro que não estou aqui cobrando mudança de atitude. Estou apenas tentando refletir sobre a rejeição.

Muitas figuras importantes do país já foram vaiadas. Graça Aranha quando declamou a poesia o Sapo, de Manuel Bandeira; Caetano Veloso, durante o festival de MPB quando interpretava É proibido proibir. Nenhum artista brasileiro foi tão vítima de apupo como aquele.

No entanto, recentemente, um ministro de Lula destronou Caetano. Durante uma cerimônia ele foi vaiado durante dez minutos seguidos. Confira no site
www.ucho.info, matéria com o título Matando a cobra.
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