segunda-feira, março 05, 2007

Tentando ser companheira

Quem disse que repórter não morre de medo de errar no ar? E ao vivo? Estou lembrando das primeiras reportagens para a rádio Am do Povo. Foi no programa da tarde apresentado por Paulo Oliveira, em plena terça-feira de Carnaval, passando um
flash-resumo das atividades do Juizado da Infância. Que experiência.
De repente, alguém segura com força o microfone e passa a narrar uma história triste de uma agressão que o filho sofreu. Não deu para finalizar a matéria porque fomos impedidas de continuar.

A direção do local entendeu que a matéria feria os princípios da confiança que
havia me dado. Tive de largar o microfone e saí para uma conversa escoltada por um gentil bombeiro. Fiquei cerca de uma hora no gabinete, numa poltrona fofa, que
me deixava mais funda do que estava.

Imagino agora, o que poderia ter ocorrido. Paulo me perguntou, antes de sair
do ar, o que estava acontecendo. Não sei, respondi e engolindo a frustração própria dos iniciantes.

Claro que houve solidariedade dos colegas de rádio. Aliás, quando o assunto
é responder qualquer embargo, nós somos imediatistas. Sem flashs sobre o
tema por 45 minutos, sem dúvida foi um imenso buraco.

Mas, o que realmente me deixou marcas foi tomar consciência da vida de
inúmeros jovens, sem o conforto de uma casa, sem comida,cujos corpos, ao
invés de alimentos, apenas recebiam drogas químicas.

Como mãe me senti impotente. É como já disse aqui, a dependência química de
jovens me leva às lágrimas. Foi no ano de 1983, quando a inflação atingia os 200% e a delinqüência juvenil ultrapassava o limite do tolerável.
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