terça-feira, novembro 14, 2006

Praias, pra que te quero


A caixa postal recebe tudo. E é uma excelente opção para quem quer propagar produtos e avaliar comportamentos sociais. Por ter mais de três endereços eletrônicos eu vivo sobrecarregada.

Também pudera! Há e-mail para tudo e o trabalho que tenho é marcar e deletar. Processava assim, hoje cedo, quando recebi e-mail de alguém solicitando-me que respondesse um questionário. Se fosse prova para seleção, com certeza, estaria perdida. O conteudo da “cartinha” era para que eu avaliasse o Beach Park. Não deu. Eu não conheço e por isso, respondi, amigavelmente: Oi colega, realmente não posso responder porque não conheço o local. A minha grana de jornalista, provedora de casa, não me permite. Mas, sabe que isso não me frustra? O lugar é para ricos.

Eu sei, eu sei que muita gente mais ou menos bem, e outros não muito bem vão lá de vez em quando. Adquirem o cartão que permite descontos... e essas coisas todas. Mas, tô fora! Eu não posso gastar num dia, o que me vale comprar ou pagar algo mais prioritário. Os meus filhos conheceram bem cedo ainda, através dos pacotes das escolas. Que também não foram baratos.

Lembro o tempo em que eu achava chiquérrimo ser sócia de clubes. Aqui em Fortaleza, os clubes representavam status muito maior do que hoje, que quase não se ouve falar. O Beach Park está nessa constelação: é o clube social da nossa época.

Ser sócia de clube já chegou a ser meu sonho, mas antes que eu desabasse por conta da falta de oportunidades, vieram as barracas nas praias. Ah, aí sim, eu já podia freqüentar e curtir tudo que tinha direito. Porque ser cearense e não curtir o mar, provar das delícias marítimas, é um desperdício. E a praia é, acima de tudo, democrática.

Mas praia também tem grife, gente. Eu sou adepta da grife que sai da prateleira e vai para o estoque. Afinal, qual é a mulher que não curte uma liquidação? E eu não permito que me digam o que devo vestir. Já pensou o quanto deveria, se assim permitisse? E também por que desperdiçar uma criação, só por conta da mudança de estação?

Mas o que eu mais quero ver são as jangadas do meu Ceará, levadas pelos fortes pescadores, que são capazes de vencer o desafio do mar, mas que sofrem terrivelmente em terra. Vejo que as características da minha terra são ricas para empolgar as letras, o romance, mas não garantem a sobrevida.

Ainda bem, que hoje sei que a verdadeira alegria, a verdadeira riqueza são os tesouros do coração.
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