terça-feira, dezembro 05, 2006

Doutor da leitura


Foi uma festa para os meus olhos, sentimentos e memórias incontidas. Revi e previ a vida daquele garotinho sorridente, enlaçando a cintura fina de uma
menina de olhos brilhantes e de sorriso constante.

Parei o tempo ( a gente pode fazer isso) e me deixei levar pelo momento mágico. A vida, realmente, é uma grande magia. É por isso que muitos de nós se perdem em conjecturas
loucas com relação à questão da sobrevida. Como se Deus fizesse algo improdutivo. Isso não é só descrença. É ingratidão.

Firmei o olhar e abri um sorriso, que se tornou perene para aquela par de olhos que buscavam aprovação nossa. Victor, meu netinho, colava grau e curtia a festa merecida pelo esforço do ano.

Na véspera perguntei-lhe se estava ansioso por conta do encerramento. Disse-me que sim, não queria estar, mas estava. Que lindo! Como lamento a falta de ouvidos para as crianças. Como elas são sensatas, ricas e deslumbrantemente professoras.

Na minha já vivida escola, aconselhei-o que apesar da ansiedade, curtisse aquele momento maravilhoso, pois era uma festa merecida e o sufoco já havia sido vencido. Ele concordou com aquele jeitinho peculiar de menino sábio e me abraçou. Outra magia. O abraço é assim. É aquele encontro de emoção que dispensa a voz para expressá-lo.

É provável que a primeira valsa de Victor caia no esquecimento porque outros ritmos fazem parte de sua vida e muitos outros serão apresentados para que faça a sua escolha. Mas, com certeza, o alicerce provocado por esse momento, vai sedimentar e lhe dar segurança do amor familiar.

Nós somos produtos do que fazemos hoje, mas antes disso, somos produtos do que recebemos, enquanto ainda muito tenro o nosso entendimento.
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