domingo, dezembro 03, 2006

Precisamos de correio


Estava há pouco falando com amigos sobre o avanço da tecnologia mundial. Como não domino o tema, limitei-me a deitar observações da vivência cotidiana. O consenso é de que, apesar de lentamente, também avançamos como pessoas.

Experimentei um grande prazer por ser contemporânea e de fazer parte desse avanço. Eu nada criei para estimulá-lo, contudo, participo dele ativamente. Saí do papel carbono, da máquina de escrever e hoje, se for o caso, não preciso sair de casa para trabalhar.

Atualmente, é tão fácil e rápido conhecer novas oportunidades de trabalho e de fazer amigos, o que nos permite crescer melhor. Percebo como somos coletivos e como sabemos lidar com o momento em que vivemos.

Até na paixão pelo outro, a tecnologia interfere. Na minha adolescência, que até hoje ainda não resolvi, o avanço tecnológico se fez presente. Naquela época, quem me fazia bater o coração era o rapaz vestido de amarelo, que suado,me entregava a carta do europeu com quem eu me correspondia. Legal, né?

E hoje, o grande amor da minha vida, eu conheci por meio de um clique no mouse. Viu como avancei e acompanho o progresso? Engraçado, é que como na adolescência, eu continuo me correspondendo.

A fantasia me leva ao tempo em que as mensagens de amor eram transportadas através dos oceanos. Penso na angústia que seria o retorno da resposta de palavras escritas com tanta afã. E se tudo naufragasse? Nesse momento, me visto de longo preto, insensível à água fria que me rega os pés, com os olhos marejados e perdidos no infinito, que dobra lembrando uma redoma, onde os meus mais íntimos anseios são abafados.

E hoje a gente começa e termina com um simples clique. Você se linka ou bloqueia. Mas, na verdade, o que importa é que o amor navega, voa, anda, flutua em qualquer transporte.
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