quinta-feira, maio 24, 2007

A culpa é da rotina


Aquele prazer enorme, incalculável de estar perto do outro está vazando, indo embora? Também essa rotina ordinária que não nos deixa mais nos encontrar. É o que acontece quando se passa a dividir o mesmo teto. O que antes poderia significar estar colado no seu céu, como diz Belchior, o dia inteiro, dá espaço aquela solidão danada.
O que aconteceu com aqueles almoços e jantares comuns em lugares românticos, num convite de um aconchego sem fim? Aquelas saidinhas rápidas, aquele mata-aula inocente?
Uma vez casados, eis o desencontro. Aliás, o estresse da solidão começa antes, no noivado e na tal festa que é um desgaste infeliz, comprometendo os recursos financeiros do casal.
Quantas brigas já presenciei por conta da recepção que decepciona!

Passada a lua-de-mel – hoje sem mistério algum – voltamos à casa, ou para quem cumpriu a relação flerte-namoro-noivado-casamento, cada um fica no seu cada qual. Ou seja, escola – se ainda prematuro o casal – trabalho, supermercado, prestação de contas. Existe algo mais chato do que o outro ficar perguntando onde está sendo utilizado o dinheiro?

Falta tempo para rever a agenda para um encontro completo. E vamos levando o dia-a-dia em busca do romantismo e da ansiedade do primeiro encontro.

Tudo é culpa da rotina: gerenciar a vida de casada é um tormento, dizem muitos, sem parar para pensar que a questão converge para a falta de gerenciamento da emoção da vida comum. É a queda das máscaras que se completa. Não há mais disfarce, mas mesmo assim, só é conhecido do outro o que o outro permite ser.
Na intimidade, estamos distantes porque ser íntimo não é dormir junto.
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