Na malhação


A história de Judas precisa ser recontada, ou melhor, contada em detalhes para o mundo saber que ele já foi perdoado. Aprendi muito cedo que traição tem o seu nome e, quando soube, não questionei, como hoje faço.


Vi no notíciário da TV que a malhação prossegue tradicionalmente. Bonecos com cara de quem faz moda ou é indesejado por alguma razão personaliza-os. Depois de exibidos por vários bairros, o representante de pano é massacrado impiedosamente.


Incrível sensação tomou conta de mim quando vi crianças portando paus e batendo repetidas vezes em um boneco, que se despedaçava e logo depois atiçaram fogo. Fiquei questionando se elas sabem o que estão fazendo. Antes de vir a resposta, uma entrevistada destacou a importância do gesto, estimulando que as crianças precisam participar em nome da tradição.


É tradição humana malhar? Atear fogo no corpo portador de espírito indesejado? Até quando vamos malhar só porque alguém fez isso primeiro e se tornou modelo?


Enquanto isso, o principal personagem o que anda fazendo para continuar merecendo insultos dessa forma? Ainda bem que aprendi que a gente cresce.

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