sexta-feira, dezembro 05, 2008

Pichando a arte da vida



Arte em São Paulo, autor desconhecido


Conjugar o verbo pichar pode ter conseqüências danosas com a lei. Não vou aqui pretender analisar os jovens que praticam o ato tido como vandalismo. A pichação agride o visual, destrói a arquitetura, suja as ruas, dá prejuízo aos cofres públicos e às pessoas físicas. Eu não quero o meu muro pichado. Mas, o que me chama atenção é quem está por trás. Quem segura a lata de spray.



Eu entendo - me perdoe quem não concordar - que pichar é chamar atenção, de fato, como diz a garota que está presa há mais de um mês por ter pichado as paredes do prédio da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Ela fala sobre vazio. A gente sabe que há um enorme vazio que encastela e divide classes.



O vazio de Caroline, garota que libera a criatividade porque não quer privar-se dela, é um flagrante, que nem a Internet, com toda a sua comunicação democrática, consegue encolher. Quando garota, não se pichava, mas andava-se de moto, as lambretas temidas pelas famílias conservadoras. O cigarro pendurado no canto da boca caía bem no rosto do menino que deixava o pega moça na testa, bem ostentado.



Eu sempre vi a juventude como promessa de uma frondosa árvore: galhos em desalinhos, crescendo em busca de luz; frutos sem nenhuma timidez, jorrando num eterno desafio às forças da Natureza; tronco familiar necessário, vital; e as raízes, ah, as raízes... profundas, que apesar de alimentarem a vida, também alimentam os pesadelos.




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