Vou criar uma ouvidoria para mim. Mas, é só para ouvir o meu íntimo. Estou tentando ser leal comigo. Pensa que é fácil? É um exercício lento, gritante, enquanto que para os outros, irritante.
Sempre reclamei lealdade, mas na maioria das vezes fui cúmplice. E como dói. Vi que ficar calada diante de uma situação constrangedora nem sempre é sapiência. Pelo contrário. É deixar escapar oportunidades de recuperar a fonte da verdade perdida no ego.
E quando falava, digo melhor, reclamava, quem queria me escutar? Nem euzinha. A medida que mergulhava no self e me deparava com o que considerava arquivo morto, quanta decepção! E para não continuar sofrendo, fechava, interrompia o dowload. Criava uma outra pasta tipo aquelas portas com dizeres não entre.
Mas, é tudo uma questão de aprender conviver consigo. Não gostou? Reclame! Mas, hoje escolho o tempero que acompanha o molho. Antes, irritada, raivosa. Hoje, mais amena, não menos incisiva, mais sóbria, menos arisca.
E sinto um prazer enorme quando sou atendida. Hoje, mesmo experienciei a glória. Cobrei ação imediata contra a fumaça que invadia minha casa, no momento em que preparava o almoço.
Prontamente, sem falar, o incendiário e esquecido de mim, o vizinho, apagou o fogo antes de queimar a paciência. Mas, tenho argumentação: a fumaça, por menor que seja (aqui eu medi), me deixa sem respirar. E eu vou morrer só porque você quer?
O vizinho (nem vizinho, de fato é) que nem me conhece, atendeu. Eu espero, sinceramente, que ele se lembre que a casa desocupada é a dele à espera de comprador. A minha e as outras do quarteirão estão devidamente ocupadas.
Moro em casa com cultura e traumas de apartamento. Nem sempre tive boa vizinhança. Mas isso, é outra história.
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