No pé

Estava cismando o pensar a respeito de um sonho repetido. Algo com porta, portão. Sempre quando estou incomodada volto à cena: uma casa, um quarto em que sou personagem perseguida por alguem que não consigo identificar. É uma ameaça e quando tento fugir a porta não abre, não tem saida. Costumava acordar já sentada na cama com o coração aos saltos. 

Noite passada, o sonho contextualizado com a chuva. Uma parede amarela, um parafuso solto que antes segurava um portão. Não precisava fugir, mas resguardar-me. A água infiltrou na parede que cedia e dispensava a força no parafuso.

Penso na porta estreita e na limitada visão minha que, não me deixa ver o que mais necessito. Vivi uma época em que tinha curiosidade acentuada sobre os significados dos sonhos. Diziam tratar-se de ocupações de adolescente. Mas, normalmente, alguem fala quando começo a despertar. Agora, lembro perfeitamente da noite pasada :Você, Fátima, vive com um pé no passado e outro no presente.


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