Por muito tempo e, acredito que até hoje, por mais estúpido que seja, nós mulheres precisávamos pedir licença para existir.
A existência da individualidade nos foi negada.
Só a respiração, pelo seu processo natural, nos era permitida sem a devida permissão dos "donos".
Não, não éramos e nunca fomos coniventes com situações assim.
Éramos constrangidas a "aceitar" para continuarmos sobrevivendo.
Agora, cismo o pensar: a quem devemos pedir licença?
E quem nos deve permitir tal feito?
Vendo-me por dentro, percebo, sempre que posso, que a permissão para continuar nunca foi invertida.
Ou seja, não me dava conta de que precisava solicitar a mim mesma, licença, alvará, seja lá que nome receba, para continuar em busca do que mais preciso.
Será que o meu pedido de licença expirará um dia, antes mesmo, que seja concedido?