Foi sem querer

De vez em quando dou uma olhadinha nas matérias do tipo comportamento que fazem perguntas aparentemente supérfluas, mas que no fundo tratam de assuntos que mexem conosco, machucam até. Desta vez, fui atraída por uma matéria que apontava as razões possíveis que justificam a traição masculina.

Curioso, que nem sempre se fala na traição feminina. É como se não fosse possível acontecer, ou até mesmo querer fazer de conta que não acontece.

Bom, voltando à questão primeira, foram consultados homens de idade entre os 20 e 40 anos. Vi que algumas das boas razões já eram conhecidas minhas, dentre elas o álcool, e o agente defendendo que se não fosse o estímulo, jamais teria traído o amor da sua vida. Mas, uma em particular cismou o pensar: transar, transei, mas não traí minha mulher emocionalmente(!)


Levando pro campo emocional, quando é que a mulher trai mesmo? Acredito que a partir do momento que depois de noites debaixo de lágrimas, resolve seguir em frente com a relação, mesmo que olhando de soslaio para o bonitão que de longe percebe no íntimo o quanto a fez sofrer. Traiu-se na promessa de livrar-se do problema (ele, o traidor).



Interessante labirinto esse. A traição, na maioria das vezes, é com outra mulher mais ou menos conhecida. Noutras, a vítima foi quem apresentou a peça número três da relação. Será que dois não bastam? Vivemos de assombro, num jogo sexual, no qual a harmonia do prazer requer para tantos outros a fuga do compromisso. Pois é, e nós querendo amar o respeito que se evade.

Flagrantes


Semana passada vi um flagrante que mereceu três dias para apaziguar o pensar, libertando-o da reflexão superficial. Um trabalhador marginal depois de vencido o fluido vital, foi transportado no carrinho, que levava o ganha - pão. Catava lixo, os resíduos largados, dispensados que nem ele. Ficou teso, corpo frio como a nossa mente em relação aos outros tantos miseráveis desta Terra.

Numa súplica aos céus, o corpo que abrigou aquele espírito missionário - não se sabe qual, mas Deus tem uma meta para cada um de nós - virou desfile sem muita platéia. Se não fosse o flash rápido de um fotógrafo teria passado em branco.

Ao ver o flagrante colorido mostrando a palidez da morte fico cismando o pensar para os que treinam em academias, firmando os músculos numa auto-afirmação de ser diferente. A mudança interna, porque dói muitas vezes, é deixada para trás. A cena chocou porque se dá uma importância fundamental ao destino do corpo inválido de força viva. Pergunto-me por que não choca mais ainda a vida clandestina de sorte que os catadores levam.

Não obstante, o otimismo não me escapa na esperança de ser melhor e ter melhores semelhantes. São tantos defuntos entre nós como tantas mais ainda as boas idéias, que fenecem por falta de vivacidade contínua.

Femininas somos


Amanhã é o dia internacional da mulher. Recebo flores, sala de trabalho colorida - gentileza masculina num reconhecimento de que as rosas falam sentimentos calados na boca sorridente.

Ouço depoimentos de força, de garra, de fé e de dor. São tantas as realidades femininas. Saem com risos, gargalhadas e, outras tantas, vozes embargadas, tímidas. E eu encorajando: vamos amiga, hoje a mulher tem voz. Use o microfone, exponha o seu pensar. Elas aceitam o estímulo e dizem sentir prazer na maternidade, na forma de ser companheira do marido nem sempre presente.

Ser mulher hoje é o questionamento. A resposta é quase sempre a mesma. Observo sem cismar muito o pensar, que o discurso mudou, de certa forma. Não mais competir espaço com o homem, mas afunilar os caminhos, num mesmo endereço que é o crescimento em busca da valorização humana.

Ser mulher é também compreender as dores que inventamos.

Embriões ainda


Tudo o que fazemos é regrado. Ou melhor, é consentido porque tudo nesta vida é concessão. Portanto, vejo com reticências o avanço científico. Até onde o homem quer ser Deus. Se deve levar ao pé da letra o que o Mestre em outra oportunidade entre nós, disse: vos sois deuses - numa alusão de que a promessa universal fatalmente se concretizará.


Ainda sem ter a noção exata do que venha a ser Deus, nós humanos, neste Planeta consentido, estamos tentando pular as etapas, queimando as chances de reconhecimento futuro sem abalos morais. Devido a isso, nos dividimos em controvérsias múltiplas. Ser ou não favorável a pesquisas que invadem a Criação, que mutilam o homem, tudo em nome da salvação de nós próprios.


No quesito salvação, penso: seria o corpo a ser salvo, o reduto de todos nós, um apelo inconteste? Nas questões morais somos embriões ainda. Questionar se um embrião congelado é vida, é duvidar do próprio criador. É negar-se sempre. Também não podemos nos fechar diante da porta larga da ciência. Afinal, a inteligência do cientista também é uma concessão. Assim como livre arbítrio que o dirige em suas investidas cautelosas.

Obrigada


Hoje quero agradecer. Ou melhor expor o meu agradecimento por tudo que consigo perceber, certeza das conquistas e por continuar respirando ares com tanta gente em volta.


Agradeço pelos aborrecimentos, que me mostraram o quanto sorrir faz bem. Pelas lágrimas que me fizeram ver que as dores se acalmam quando decidimos largá-las. Pelos adversários - não conto, os números neste caso, não são o meu forte - que me fizeram ver que se aprende mais com a vaia.


Agradeço pelas barreiras que criei diante de mim as quais tive coragem e discernimento para saltá-las. Pela memória que me toca o passado, me mantem no presente e me alça ao futuro.

Pelos que me amam, apostam na caminhada e se dispõem ao abraço.


Pela fraternidade que encontrei no meu reduto; pela solidão afastada pela leitura de bons livros. Por esta razão agradecimento especial aos homens e mulheres escritores. E, pela sua tolerância, de buscar aqui, neste espaço, palavras que tenham a mesma sintonia do seu pensar.

Cinqüenta e tantos...


Estou naquela fase de que ter 60 anos é ser jovem! E por felicidade minha e de tantos outros da geração 50, a juventude esticou, mudou de tamanho com a tal prolongada existência. Estou escrevendo o post ainda no marco 5.2.


Pois é, logo mais, estarei inaugurando nova versão: 5.3. E acredite, não estou apavorada. Nem penso na morte do corpo porque ainda agüento o tranco.


Antes, ainda nos 20 e poucos anos, julgava distante e com assombro, o tal dígito cinco. Ele chegou, festejei, reuni amigos, ri, dancei e continuei dando gargalhadas estrondosas - uma das minhas marcas. Amanhã, dia quatro de março, darei mais outras sonoras gargalhadas. Afinal, é pra comemorar!


Adoro o meu aniversário. Sinto-me em festa o dia todo. Os abraços, os sorrisos , que acredito sinceros - vão estar comigo 24 horas. Sem falar nas promessas da vida, que prossegue sem doer muito, porque a gente tem a vida que escolhe.


Desde já, estou apostando num monte de comentários para este post.

Do verbo blogar



Disseram por aí, que blogueiro não tem o que fazer. Que passa o dia na orgia do nada para repetir à tarde, quando posta. Tem razão.


Durante as manhãs de trabalho, que começam sempre às seis horas, castigo o teclado para por em dia os fatos que merecem destaque e que vão alimentar o ouvinte da emissora, que tenho um prazer enorme de fazer.


À tarde, continuo fazendo a mesma coisa, além de gerir e tentar por em ordem o que a burocracia emperra. À noite, continuo na rotina, tentando equilibrar com as atividades domésticas e os amores do lar, digo família.


Faço nada não. Só quero continuar respirando com inspiração que a letra expõe.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...