Entardecer da vida

As coisas de ontem dão saudade porque eu só pensava no amanhã, que é hoje. E faço grande rebuliço nos anzois da esperança na pesca de algo surpreendente.

Nada é mais temível do que a velhice - porque lembra esquecimento. A gente esquece de sorrir, de comer, de desejar e quando isso ocorre alguem está sempre de guarda para nos lembrar, que o único balanço na rede da vida, é tangido por um pé cansado, impulsionado por uma perna, que pesa.

Sei que estarei morrendo quando deixar de querer. Só que  o poço dos pedidos continua aberto com fundo encoberto de moedas de melhoras.

Música

A música é uma viagem sem custos.

É mão que pressiona o relógio da vida.

É a centelha viva de um amor na saudade.

É um passeio pelos cachos dos anos vividos a fio...

É a nave espacial que o homem recriou para mostrar que é sensível.

É a inspiração divina que a alma se identifica.

Costumo entender que conheço as pessoas por suas escolhas musicais.

Há canções que as letras sou eu com a minha história sentenciada a um término.

Na paz das asas

A poesia é uma forma agradável de dizer o que vai na alma. Por isso, permito-me ocupar este espaço e dedilhar os sentimentos profundos, que ressurgem na superficie da letra.

Vai longe a pretensão da compreensão que, promete o meu rigor sobre as postagens do blog. Aqui sou que nem borboleta: livre, leve e solta num espaço azul. Sem esquecer a fragilidade das asas  coloridas e com a mente estreita na pequenez reduta.

Se busco o perfume da calmaria, é para alimentar a ilusão de que posso voar sem muito esforço. Uma vez presa, a realidade- mulher aguilhotina a lepidez da alma. Sim, o corpo aquece, mas detém a inspiração.

Iso(lados)


Eu já tive lados, que foram mais de quatro. No enquadramento fui triangular: eu, você e os outros, que falaram mais, que ditaram mais.

Os meus lados - arredondados pela lâmina do passado -  querem a circunferência da vida que retorna.

Eu já tive partes, que foram segmentos inventados, traduzidos por equívocos. O todo que se perde num monte das coisinhas, que me oferecem.

Eu já tive arranjos, que não foram flores, apenas vasos.

Pelos se(s) da vida....


Se me vir chorando. Deixe o desaguar sem pressa de ficar. 

Se me vir rindo imagina o que pode me tornar feliz e participa desse colorido momento. 

Se me vir gargalhar, faz eco, revira-se pelo avesso da dor.

Se me vir calada, não me insulta a palavra pensada e se me vir tagarelando, empresta o ouvir e olha-me nos olhos.

Se me vir aflita, serena o teu pensar. 

Se sentir calor no meu olhar, refugia-te. É o abraço que há tanto estendo em tua direção.

A propósito de Florbela Espanca...

Eu sempre quis amar e este amor me foi apresentado de variadas formas, matizes.

Cinzas para não prenunciar a idade primaveril e vermelho sangue da paixão que arrebata!

Amarelo, prenúncio de  risco de afogamento na ânsia.

Dores doridas sem oxigênio, implodindo cenas desagradáveis, sem paternidade, mas com muitos autores.

Assinaturas sem crédito.

A sinceridade convém?

A pergunta é simples: você costuma mentir? Dois verbos para um só sujeito não pode ter resposta imediata, justo que a complexidade faz parte do meu cérebro, compõe e confunde o pensar. Se retirar pelo menos, um dos verbos, a exemplo de você mente, poderia alargar a saia justa, devolvendo o questionamento: em que momento?

Já li por ai que a mentira é a verdade que se esconde e outras baboseiras. Na verdade, mentir é um grito de socorro expresso na vontade de dizer o que se sente. Confesso: eu minto, mas não sou mentirosa. Pode tudo ser uma grande conveniência que, por similitude da ação, um acordo social. Não mentir é ser mais sincero?

Sinceramente...

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...