Tantas outras

Resultado de imagem para sou tantasNa infância eu fui apenas uma menina.

Na adolescência, uma explosão confusa da garotinha assustada.

Na fase adulta, me perdi. Eram tantas referências...

Hoje, na maturidade encontro a menina que saltita desafiando as teias inúmeras que a vida oferece;

Sou a mocinha deslumbrada com a primeira paixão;

Sou a mãe aflita, insone, repartida;

Sou a madura, regando o verde que o tempo não amarela.

A poda necessária

Resultado de imagemEstava aqui contando nos dedos os momentos em que deixei a tristeza comandar a direção da vida. Foram poucos porque sempre achei atalhos verdejantes. Até mesmo quando tudo parecia desabar, fiquei que nem planta vigorosa em jarro quebrado. Raízes à mostra com pouco substrato, mas resistindo apesar das vicissitudes.

Amo plantas, mas nem sempre sei lidar com elas, assim como o traçar do rumo da minha existência. Há podas para garantir o crescimento virtuoso, assim como aparamos as pontas dos cabelos. Esses cortes necessários doem, marcam e as cicatrizes são ostentadas para o enfado nosso.

Uma poda correta permite o multiplicar de flores cheirosas e coloridas e nessa perseguição sigo tesourando sonhos, formatando realidades e afugentando ilusões.

A dor ensina a gemer


Minha mãe costumava dizer que a dor ensina a gemer. O gemido seria um mantra solicitando alívio.Pode até não ser considerado analgésico, mas já experimentei o murmúrio acompanhado de lágrimas. Passei a escutar a dor – ah, sim ela tem som – convocando a energia presente pelo benefício da calma. E assim adormeci e sonhei que estava curada.


Um bálsamo tomou conta do corpo dolorido e a alma feliz saiu pululando no espaço. Não sei se a experiência própria já fez outros protagonistas. Luiz Gonzaga, o grande mestre da sanfona, aboiava – diziam – para libertar-se das dores provocadas pela osteoporose que o consumia.

Gonzaga não foi vaqueiro, mas cantou a aventura de ser, assim como a faina dos nordestinos pela sobrevivência. Hoje, a dor tem como causa o medo: pela vida, pela família. A dor é mais moral do que física, sendo assim, nem a medicina e muito menos os medicamentos irão curá-la.

No entanto, o remédio nós sabemos o nome criado pela nossa invenção. Tem quatro letras apenas, um resumo para algo tão grandioso que nos foge a compreensão: amor.

Conto com menos de 300 caracteres



Resultado de imagem para violencia contra a mulherFoi a última a deitar-se arrumando malas do marido e filhos e a  primeira a levantar-se para preparar café e lanches para viagem, enquanto todos ainda dormiam.  Já no carro, o marido raivoso reclama o celular que ele não pegara. Bastou uma bala e ela morre na frente dos filhos, embarcando na que seria sua última viagem aqui.

Conto com menos de 300 caracteres

Resultado de imagem para flor despetaladaPassou um mês inteiro sem cuidar da aparência. Até o batom dispensara. O marido passava ao largo, sentindo-se desprestigiado pela mocinha linda com quem casou. Mas no dia do seu aniversário, eis que surge linda, na festa surpresa, que mereceu sacrifício visual para festejá-lo. Quem entende as mulheres?

Contos com menos de 300 caracteres



Resultado de imagem para flor despetaladaA raiva lhe consumia e o rolo do filme da razão espasmódica se repetia num ciclo incessante. Era preciso alimentar a ira para não dar trégua a menor possibilidade de reconciliação. Nesse cismo, o corpo tremia clamando compaixão. Nem o olhar aflito, mas reconfortador da mãe lhe induzia à calma. A irascibilidade era agora  eleita companhia acolhedora.

Conto com menos de 300 caracteres



Não gostava de azul porque lembra os vincos nas belas pernas, escondidas com vergonha de mostrar que não era perfeita. A perfeição tinha sido uma eterna perseguidora. Esticava o  olho com o lápis  e as bochechas disfarçava com blush. Era a máscara usada para afastar falatórios, que não se calaram e escolheu emudecer-se diante de todos.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...