Descoberta


Descobri que sou assim meio chata, chata mesmo, mandona, necessária, desnecessária, atrevida, endividada, só quero ser as pregas! Eu não lembro de quando ouvi pela primeira vez esta expressão. Foi quando menina ainda, que sonhava ser muito maior do que hoje, na altura e, principalmente, na independência.

Descobri também que não se perde muito em não ouvir o conselho dos mais velhos. Porque eu precisava crescer sobre as minhas próprias pernas. E como agradeço hoje ter sido teimosa. Como poderia entender o fracasso dos meus sonhos se não tivesse acreditado neles? E o que é mesmo fracasso?
A minha teimosia está aí. Mesmo tropeçando continuo seguindo em frente, mesmo que esse seguir não seja para o norte. Sei que recuar tem sido uma das minhas maiores virtudes.

Descobri que sou mandona porque mando mesmo e se o outro não obedece, opção dele.

Mas sei ser necessária até mesmo quando todos dizem que não há porque me envolver, e atrevida, pretensiosa porque em muitos momentos me flagrei querendo que as opções sugeridas fossem seguidas.

Descobri que tenho senso comum estou sempre torcendo por algo novo. Só que agora não fico no aguardo. Saio de trás da cortina e antevejo o que mais quero. E sei que isso não é precipitação sou eu somente, trilhando o caminho decorado por meus sonhos e reforçado pela fé.

Por que Bussunda foi embora?


O que é uma piada? E por que nem sempre nos faz rir?
O brasileiro tem paixões que só o brasileiro conhece. Quase tudo transforma em piada. E a mais sem graça até agora foi o desaparecimento do Bussunda.

Mas, já tem piada rolando por aí:
Bussunda chega ao céu e pergunta meio apalermado:
- Ué, morri??!!
_ Sim.
_ Fala sério, meu!

Estranhando o texto? sem ele fica tudo assim. Estórias incompletas de uma vida de risos.

Plantando estrelas


Todos nós queremos ser notícia, de primeira página, de preferência. Mas, se parássemos para pensar no que pode nos ocorrer no dia seguinte, ou melhor, no momento seguinte, tentaríamos continuar no obscurantismo.

Porque os momentos de glória, de manchetes, nos pegam de surpresa, até mesmo quando é tudo o que mais desejamos. Somos conhecedores de inúmeros casos que personificam aquele(a) que vende uma imagem que não lhe pertence.

Todos somos telhados de vidro e não resistimos à pressão. Como se fossemos perfeitos, exigimos a perfeição do outro, que escolhemos como ídolo. Se é cantor, não pode perder a voz, sob pena de ser execrado. Se for ator, jamais poderá deixar de representar o papel desejado pelos fãs, porque vai pagar com o esquecimento. E, se for jogador....

Para nós que vemos a vida ainda em três momentos- começo, meio e fim - somos os melhores quando o atleta vai ótimo, excelente forma. Ficamos acostumados às suas jogadas e, apesar de não alimentarmos tanta ênfase, queremos mais e mais. E , quando durante um jogo ansiado, a bola não balança o gol do adversário...

Eu tenho acompanhado a vida de um jogador em particular, Ronaldo, que já foi Ronaldinho, o querido menino de todos, que, com a chegada de outro Ronaldinho, ganhou o sobrenome de Fenômeno. Foi manchete alegre, entusiástica, percorreu quase todas as páginas dos maiores veículos de comunicação impressos do mundo. Vendeu e como vendeu!

A conseqüência de tanto sucesso rendeu-lhe fortunas que não vem ao caso divulgar, mesmo porque desconheço o valor. E também deu muitos lucros. E foi copiado. A ordem é raspar a cabeça, lançou um estilo diferente, que antes representava o castigo para quem fosse flagrado em situação irregular.

E, o gol que não veio, frustou todos aqueles que dele nada mais esperavam. E como um animal ferido, que perdeu a oportunidade de mostrar a sua força, foi posto de escanteio. E todos que apenas querem gritar gol, exigiram a sua retirada.

Lembro filmes épicos quando o homem escravo do outro, lutando até a exaustão, caía e era condenado a fenecer. O vencedor(?) era obrigado a eliminá-lo definitivamente, obedecendo a ordem ditada pela posição do dedo polegar.

E hoje continuamos gritando "Fora!", apontando todos os demais dedos.

Pela dieta


Fala-se tanto em dieta, regime e corpo escultural e eu fico me perguntando o por quê de tanta nóia? Conversando com o cérebro e o estômago, percebi que a comida, ou melhor, a comilança está no cardápio da nossa vida.

Qualquer aborrecimento, o estômago responde: flatulência, empachamento, dentre outros. A vida tem sido o grande estômago. Na hora da promoção olhamos para o nosso umbigo. E, na maioria das vezes nos prendemos nele e deixamos o tempo passar.

Depois de uma extenuada vida noturna que saía pra beber e comer, só vou de pizza agora. O estômago está sempre falando mais alto! A maior conta do mês vai para o supermercado. A grana extra é para os finais-de-semana, que incluem um bom prato de macarrão ou um almoço mais arrumadinho pra família aos domingos.

Os restaurantes fazem a festa: quinta do caranguejo, sábado da feijoada, e do churrasco; domingo de pratos variados; promoções de sushi, de fondue e lá vamos na onda da colher, mergulhando nos caldeirões.

Comer é pra todos, mas a democracia não é praticada no prato. Enquanto um grupo seleto senta-se a mesa, delicia-se com as guloseimas em ambiente de ar-refrigerado, logo ali na esquina, a poucos metros, alguém revira a lata do lixo em busca de alimento.

A comida também está presente na cantilena das campanhas eleitorais e muitos programas alimentam o que se chama de social: temos o Bolsa-Família, que veio para combater a fome. Que regime!

Precisamos ajustar a pirâmide comestível: na base, educação e emprego; acompanhada de preços baixos, mais cor nos pratos com menos agrotóxicos, liberdade nas ruas, portas e janelas aberta pra casa respirar. Isso seria o começo.

Do lixo


O lixo acompanha a nossa história. Eu sou do tempo que se enterrava sobras no quintal. As folhas das grandes mangueiras, goiabeiras, cajueiros e outras árvores frutíferas eram recolhidas e queimadas. Ninguém reclamava da fumaça porque era consenso na vizinhança. O trabalho era alertar para a retirada dos lençóis passados no anil, que dançavam ao vento e se iluminavam a luz do sol.

O recurso poético é para tentar abrandar a situação de hoje dos que vivem amolestados pela abundância do lixo. Os resíduos sólidos, matéria orgânica, não adubam apenas, alimentam o homem, como imortalizou a poesia de Manuel Bandeira.

Somos convidados a mudar a cultura da convivência com o indesejável, armazenando com cuidado em sacos plásticos; separando os recicláveis, dentre outras medidas.

Só não se vê uma fórmula para resolver e dar vida digna ao sobrevivente dos lixões. Não falo dos produtos que levam anos para desaparecer. Estou falando do pai de família, da mãe do garotinho subnutrido que se cobre de poeira, oferece o seu corpo à contaminação para (que paradoxo) garantir a sua vida.

O Povo flagra a realidade, que na maioria das vezes, fingimos não ver.

Matu(r)idade


Costumo dizer brincando que envelhecer dói e que preciso aprender a amar os velhinhos. O sorriso não tira a veracidade. Não precisamos andar muito a procura de exemplos para perceber a falta de amor a quase todos nós, no convívio social.

Vemos o que a cultura da moda dita: ser gordo, ser idoso e usar óculos, dentre outros, é ser constrangido a se policiar e pedir licença quase o tempo todo para participar do código de convivência no cotidiano.

Foi como camaleão que nos pintamos e absorvemos palavras de ordem para fazer a leitura imposta. Nos psicoadaptamos em ver nos quilinhos a mais( a expressão já deixa você por baixo) e nas marcas de expressão(substituindo as rugas, as marcas do tempo) como algo indesejável e que nos causa horror!

E tudo faz parte de um processo natural, no caso, a flacidez da pele e outras conseqüências que o tempo carrega; e a praga da dieta forçada, posta de goela abaixo, que nos faz sentir culpados e experimentar o crime de comer escondido!

E escondido fazemos outras coisitas mais que não agridem o corpo, mas a mente. Mentir, por exemplo, no ledo engano de que não seremos descobertos. Ou de prometer, sabendo lá no fundo, antecipadamente, que só queremos adiar a ação. E aqui, lembro de outra aculturação de que não devemos confiar no político, na política. Mas, aí é outra estória ou história.

Para ter discernimento, a alternativa é se fortalecer de informações, e iniciar uma nova cultura de saber o que deseja pra si, por exemplo. Um bom começo é a leitura de Mulher madura do escritor mineiro Afonso Romano Sant'Anna.

Aposentar?

Eu não me imagino aposentada, fazendo crochê tranqüila e postando no blog pelo prazer de escrever sem medo de perder o provedor por atraso na mensalidade, apesar das inúmeras vantagens promocionais.

Também não me vejo curtindo uma boa cadeira na varanda sem a menor preocupação com o valor da mensalidade do plano de saúde, que de tão caro, já nos causa turbulência na estrutura física.

Não me sinto aposentada porque olho na minha carteira de trabalho e sinto a distância do tempo a percorrer porque está desatualizada há sete anos. A última vez que recebeu um carimbo foi na despedida do emprego de 18 anos.

E aposentar pra quê? pra pegar empréstimo com juros estabelecidos de 2,9%? O teto máximo já está em vigor para o aposentado que se arrisca a solicitar empréstimo com desconto em folha.

Como sou otimista e ainda falta muito tempo para aposentadoria, vou torcer para quando o meu momento de aposentar (duvido que o faça) chegar, não seja constrangida a correr pro asilo do empréstimo.

Quer saber como ficou definido o empréstimo? Segue aqui O Povo.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...