Se


Se eu trabalhasse por dinheiro viveria de mau humor. Porque os credores - o grande público que me circunda - estariam na minha cola, esnobando a minha forma de estar.


A lisite faria concorrência com a sinusite e com certeza, teria mais problemas nas vias aéreas que o presidente Lula com o caos nos céus do Brasil.


O apagão seria generalizado: sem luz, sem água, sem comunicação.


Nem o SUS teria a tolerância de ter mais uma na fila de espera. Já estaria virtualmente cortada dos planos de saúde, que sequer planejam trabalhar com gente sem classe. Digo, sem grana porque no Brasil, não ter grana significa ser um desclassificado. Quem defende a classe pobre?


Xingaria os supermercados, os grandes shoppings, como ousam me ofender com tanta ostentação?


Fico pensando se o pobre fosse preguiçoso, lamentaria, com profundidade, o quanto deveria sofrer. Se tivesse o privilégio da esperança morreria com a boca escancarada à espera do maná.


O que mais admiro e respeito é a vontade descomunal dos trabalhadores nossos, que apesar dos insultantes salários, continuam na labuta. Estes sim, não trabalham por dia. São os que nos garantem.

Dinheiro vai...


Há uma grande distância entre o que eu espero ganhar, mereço ganhar, preciso ganhar e devo ganhar. O que espero sentada, já adormeceu o ego e deixou o super ego de standby.

O que mereço ganhar está perdendo o verde, apesar das estações serem efêmeras.
O que preciso para poder dormir mais tempo, de preferência com sorriso nos lábios, característica de quem está de bem com a vida, tá dando pro gasto.

Mas, o que devo ganhar, nem sempre cobre as dívidas contraídas com a facilidade da proliferação de cartões, dinheiro plástico, cuja plasticidade foge à renda.

Isso tudo foi escrito ouvindo as discussões a respeito do reajuste dos servidores estaduais. Todos reconhecem que é pouco, mas garantem que não há perda salarial. É por isso, que a lógica deles passa bem longe da minha compreensão.

Enquanto isso...

Enquanto trancamos as portas, na vã esperança de escapar dos violentos; corremos na tentativa de aproveitar as promoções nos supermercados e levar mais fartura para mesa;

Pintamos os olhos para realçar o olhar; a boca para ser sexy; ignoramos o pedinte na nossa porta;

Protagonizamos grandes e pequenos gestos na rotina humana na Terra, o Criador continua a sua providência divina.


A imagem é de flores branquinhas, nascidas em um cano, na China.

Quem ama, alimenta


A apresentadora Xuxa Meneghel foi convidada pelo cerimonial do presidente Lula para participar do lançamento do Programa Não Bata, Eduque. Com certa propriedade por ser a preferida das crianças, com reforço do programa da Globo, ela protestou veementemente contra a violência à criança.


“Não sei falar com adultos, eu só falo com criança", disse ela.Como mãe de três filhos, fiquei cismando, puxa, será que eu soube falar com os meus quando pequeninos?


Um dia me perguntaram se sou boa mãe, saí pela esquerda indicando ao questionador que perguntasse aos meus filhos. Ele não retornou com o comentário e até hoje está para saber o resultado da enquete. Mas, pelo menos, sinto a boa energia do abraço que recebo deles até hoje. Do sorriso sincero igual a muitos dos embates que tivemos, nos quais a lealdade dos sentimentos sempre tem falado mais alto.


Isso, pra mim é o que importa. Também concordo com as ações do presidente para combater a violência contra crianças. Sei que muitas delas sofrem espancamentos em casa, já escrevi inúmeras vezes os números dos registros e lamento profundamente a sorte delas. Como também lamento a indiferença do Governo para a maioria dos pais, que agride os seus filhos com a ausência de comida, de um pouco conforto que eles não tem condições de dar.

As sete maravilhas




A Folha está promovendo uma enquete para escolher as sete maravilhas da cultura mundial. Arrisco nos setores que conheço, aqui não vai bem o chute. Por isso voto no Rio de Janeiro como uma das cidades maravilhosas e vejo que a maioria tem a mesma opinião.

Como sou ignorante no aspecto filme - não consigo gravar nomes, atores, só me prendo no quesito emoção e das opções apresentadas apenas o filme, Um corpo que cai ,de Alfred Hitchcock, vi mais de uma vez.
O melhor da web pra mim é a comunicação virtual que entendo como todo o serviço oferecido pela Web.

Voto na Bíblia ( maravilha da Literatura) por conter farto material e pelas dificuldades de reunir tantas informações numa época em que escrever era uma arte muito difícil, principalmente por se tratar do contexto espiritual.

Na filosofia, cito A divina Comédia, de Dante, que ainda é uma espécie de esfinge para quem lê na superficie.

E por fim, no quesito cientifico, escolho a descoberta da estrutura do DNA; e na arte uma obra do espanhol Francisco Goya, que viveu nos séculos dezoito e dezenove e que me causa uma grande impressão.


A obra em questão é intitulada Quinta do Surdo, que ele fez para retratar o seu sofrimento diante da surdez provocada por uma séria doença.

Chega de barulho, quero música!


Eu sei que está difícil fazer programas melhores, mas oh!da TV, pelo amor de Deus, chega de clonar o mau gosto. Quando surgiu uma nova emissora na Cidade fiquei feliz: oba! mais espaços para nós jornalistas. Ledo engano! para produzir o que nos é oferecido, eu prefiro mudar de profissão.


Cismo o pensar, imaginando a cena constrangedora de gabar as bandas, que deveriam estar lá naquelas bandas que costumamos praguejar quando irados, com mais 100km de distância.


Chega a ser cruel a forma como nos é empurrada de juizo a dentro, aquelas garotas desavisadas, imitando dançarinas desconexas acompanhadas de vozes gritantes, entoando o que chamam de música. Um verdadeiro absurdo!


Pode até ter algum talentoso perdido em meio a tudo isso, mas bom senso não tem contra indicação. A tecnologia investe na TV plasma e, logo mais teremos TV digital, mas pra que vou comprar um aparelho tão fantástico se tenho na TV apenas futebol, crimes e bandas de forró?
Enquanto isso, perco a oportunidade de ler textos e informações com qualidade de nominimo.

Viver só


Enquanto apagava aquela ruma de e-mails - tem gente que não se contenta e entope a caixa como se não tivéssemos outra coisa a fazer do que olhar a caixa postal - pensei na solidão. Em alguém particular que se fechou - acredito - para o que tem fora de si.


Comecei a cismar sobre o que seja esse sentimento isolador e percebi que dói e, a proporção que permite expandi-lo, a dor intensifica-se. Mas, o que vem a ser solidão? Considerando que o sentimento é único, individual, como é que os outros o sentem?


Quando menina achava, pelos papos que costumava ouvir, que ser só é morar numa casa ampla, quando todos os familiares foram distribuídos nos caminhos de escolha. E já me via andando por corredores enormes, com portas amplas assinalando quartos solitários, cheios de poeira. Solidão era abandono, portanto.


Fugindo da tal solidão, buscava mais companhias de meninas para brincar, de meninos para imitar os heróis da TV, nos livros que me transportavam para outros costumes; e na escola onde aprendi a libertar-me da sisudez da ignorância.


Hoje, quando morar só é uma realidade iminente, percebo que não serei, necessariamente uma pessoa solitária. Porque assim já seria se tivesse feito opções, como fechar questão em tudo que penso ser correto; bater martelo, sentenciando o pensar sobre alguém; não dar ouvidos a quem quer que seja; enfiar a cara no monitor e viajar pela net sem passar um e-mail para uma pessoa querida.


Seria solitária diante da dor sem conceder o favor da palavra alegre; sem fazer a leitura de um texto que me aproxime de Deus, sim porque sem ele, a solidão é infinita.


Xô solidão! porque só quero ser solitária no momento de decidir o que é bom pra mim. Só quero estar só, acompanhada de um por-de-sol, com contextos de árvores, balançando seus frutos, numa promessa de vida infinda.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...