Musicalidade
Nem sempre é queda
Sempre lamentei a queda desastrosa dos astros terrenos. Lamentava porque não percebia neles a frustração da ilimitada cegueira diante da infinita criação.
É imperceptível para a criatura, a causa. Apenas estremecemos num arrepiar da Providência. Por isso, alçar vôo é debater-se diante dos pequenos efeitos que somos.
É indefinível a visão estrábica no homem, que ao se inspirar chega próximo a Deus, e percebe o equívoco da imitada arte. Somos o astro que aos poucos ascende na letra da fé que não morre.
Improviso para melancolia
Em defesa de Bial
Foi sem querer
Curioso, que nem sempre se fala na traição feminina. É como se não fosse possível acontecer, ou até mesmo querer fazer de conta que não acontece.
Bom, voltando à questão primeira, foram consultados homens de idade entre os 20 e 40 anos. Vi que algumas das boas razões já eram conhecidas minhas, dentre elas o álcool, e o agente defendendo que se não fosse o estímulo, jamais teria traído o amor da sua vida. Mas, uma em particular cismou o pensar: transar, transei, mas não traí minha mulher emocionalmente(!)
Levando pro campo emocional, quando é que a mulher trai mesmo? Acredito que a partir do momento que depois de noites debaixo de lágrimas, resolve seguir em frente com a relação, mesmo que olhando de soslaio para o bonitão que de longe percebe no íntimo o quanto a fez sofrer. Traiu-se na promessa de livrar-se do problema (ele, o traidor).
Interessante labirinto esse. A traição, na maioria das vezes, é com outra mulher mais ou menos conhecida. Noutras, a vítima foi quem apresentou a peça número três da relação. Será que dois não bastam? Vivemos de assombro, num jogo sexual, no qual a harmonia do prazer requer para tantos outros a fuga do compromisso. Pois é, e nós querendo amar o respeito que se evade.
Flagrantes
Numa súplica aos céus, o corpo que abrigou aquele espírito missionário - não se sabe qual, mas Deus tem uma meta para cada um de nós - virou desfile sem muita platéia. Se não fosse o flash rápido de um fotógrafo teria passado em branco.
Ao ver o flagrante colorido mostrando a palidez da morte fico cismando o pensar para os que treinam em academias, firmando os músculos numa auto-afirmação de ser diferente. A mudança interna, porque dói muitas vezes, é deixada para trás. A cena chocou porque se dá uma importância fundamental ao destino do corpo inválido de força viva. Pergunto-me por que não choca mais ainda a vida clandestina de sorte que os catadores levam.
Não obstante, o otimismo não me escapa na esperança de ser melhor e ter melhores semelhantes. São tantos defuntos entre nós como tantas mais ainda as boas idéias, que fenecem por falta de vivacidade contínua.
Femininas somos

IA conversa comigo
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