
Fortaleza

Retrucar
Sem linha ocupada

Você pode perguntar para quem gosta de viver pendurada ao telefone, qual a sua opinião sobre os serviços prestados por meio dos telefones. De início, é esquisito você seguir ordens de uma voz metálica, fria, sem a menor intimidade e afinidade.
Você disca os números e eles se multiplicam, te passam para várias pessoas, as quais ouvem a sua história, que por sua vez, é repetida pelo menos três vezes e, ao final, depois de contar em detalhes o que deseja e quando finalmente, parece que vai se resolver o problema, a ligação cai.
Aquele sinalzinho de queda me persegue por horas, e lógico a frustração temperada pela indignação. Agora, finalmente, o governo resolve moralizar o babado: nada de ficar passando de atendente para atendente. Acabou a farra! E quando eu quiser cancelar um serviço não vou ter que ficar ouvindo o pobre funcionário da empresa insistir comigo para continuar recebendo mal serviço.
Pelo mercado
Infelicidade
Pelos milhões

A minha filha me perguntou o que eu faria se ganhasse a mega-sena acumulada. A resposta, em tom de brincadeira, não dá para repetir aqui, mas tem o mesmo sentido do que a da maioria das pessoas que enfrenta filas nas casas lotéricas, em busca de dias melhore$.
É a mesma resposta ensaiada: vou mudar de vida. Vou melhorar. Deixar de trabalhar e sair de férias permanentes. Não sei não. Tem gente que me diz que eu penso como lisa, quando digo que não deixaria de trabalhar por dinheiro nenhum. E ter uma ruma de dinheiro não dá trabalho?
Não gosto de estar ínsone e os milhões tomariam o meu sono e nem adiantaria apelar para o vinho porque Baco não faria as pases com Morfeu. Deixar de trabalhar cultua o queixume do assalariado que vê na lida diária, um castigo. A interpretação se faz jus porque trabalhador brasileiro como lembra Seu Jorge não tem dinheiro.
É uma sinuca: sem trabalho o homem parasita-se, trabalhando indigna-se e nem se dá conta de que engorda as contas dos agentes lotéricos. Quanto maior o prêmio, maior a procura. Aí não se deve ler: quanto maior a demanda, maior o ganho.
Eu não acredito nos números fáceis que estão à vista e não os enxergo. O mundo financeiro atrai pela numerologia, ilude pela multiplicidade, engana pela divisão e equivoca pelo brilho no desbotar do desengano do ouro do tolo.
Traçando

A traça, que eu não traço, estava escondida no teclado e eu ignorando a sua presença. Dentro de sua casinha, que ela arrasta para onde vai, sem a preocupação de pagar IPTU ou seguro para intempéries. Ela deve ter algum dispositivo para prevenção dessa natureza.
Quem a criou pensou em tudo. Não sei se a libertei quando virei o teclado ao contrário e a vi cair, ficando paradinha. Depois, olhei de rabicho e lá estava ela, arrastando-se. Mas, com a insensibilidade que me rege algumas ações, despachei a visitante para a cesta onde jogo o que não quero.
Nem tive tempo de arrependimento, a moça que ajuda a manter a sala limpa, deu outro destino a tracinha. Fico curiosa e vou atrás do Google. Esse bichinho tem lá suas manias. Gosta de se esconder de gente e não lhe tiro a razão. O diabo é quando se esconde nos livros preferidos. Ele os come.
Pode ser hóspede constante e parece até nem incomodar até um dia que aquela blusa preferida tem sua marca e você num muxoxo deixa de usar. Largo o pensar meticuloso e penso que já tracei livros e roupas, deixando-os largados, perdendo a vida. A blusa retesada - porque é assim que a roupa fica quando se deixa de usar, esperando sei lá o quê - e aqueles ensinamentos maravilhosos que se perderam no arquivo sem memoriol.
A gente tem raiva dos insetos, da sua presença repelente, mas quantas vezes fugi da essência humana e já me inseticei...
IA conversa comigo
Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você. E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade. ...
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Sabe aqueles dias em que você se subestima? Carrega pensamentos sombrios, que só fortalecem o pessimismo? Pois é, de vez em quando eu me as...
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Fico cismando o pensar sobre a minha existência perguntando a mim mesma, o que eu poderia ter feito diferente? Se eu não tivesse filhos, se...
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"Quero morrer trabalhando. Não aposentarei atividades. O rádio é a minha vida". Frases repetidas, inúmeras vezes pelo amigo Narcé...