Ora, bolas!


Ora bolas, deixem-me envelhecer em paz! O desabafo alimentado por uma tremenda dor de cabeça -causada por uma virose somada a uma sinusite- foi dado enquanto lia e-mail insistindo para que mantivesse o corpo em forma. O texto sugeria ginástica diária, não sei quantos exercícios. Mais adiante, emagrecer, endurecer, fortalecer e outros "er".


Quer dizer que beirando os 60 anos ainda tenho que continuar sendo a mulher maravilha, imitação das artistas, que ainda acham que precisam ser lindas aos 70 com cara de 20? Ora, bolas!


Eu quero curtir os meus 54 anos, com a soma de todas as minhas vivências. Com o prazer de ouvir os meus netinhos chamando-me vovó, sem me sentir como uma velha acabada. Eu sou tão ocupada para estar gastando a energia que ainda tenho com bobagens.


Aos 20 anos, fiz o que se faz aos 20; aos 30 anos, curti o amadurecimento e fiz companhias a muitas lutas por ideais, agora mais direcionados. E assim fui aos 40 anos. Agora, com licença, eu vou ser cinquentona com muito gosto.

Choro para adolescentes


Ouvi de um colega a declaração exacerbada de que a juventude de hoje sofre do mau gosto. E ele justificava sobre a questão musical e sobre a forma como dança. Realmente, o mau gosto é enorme. Mas, de onde vem o alimento disso tudo? Da mídia, obvio!


E faço mea culpa: a mídia que está aí também é feita por mim, mas não vou declinar a fala diante de tanta responsabilidade. Por isso, estamos resgatando na FM Assembleia a nossa MPB, apresentando o trabalho dos inúmeros músicos e compositores, além dos intérpretes formidáveis que temos.


A música é o convite para se fazer ouvir sempre. Hoje, no dia choro, vamos chorar por melhores opções.

Ação Divina e ação do homem


Terra molhada, ruas alagadas.

Nunca se viu tanto verde. As plantas não necessitam do homem. Elas crescem, florescem, frutificam até ele chegar.


No dia da Terra, no descobrimento do Brasil, muitas mãos lavadas e mentes nem tanto.

Inquietude



Estou voltando depois de uma ausência absolutamente justificável. Feriados não combinam com a minha rotina. Atrapalham o ritmo da vida: ocupo-me e sou ocupada por tantos afãs. Interessante, mas é preciso admitir que estou voltada para o trabalho.


Não consigo ficar quieta. Até quando me deito prazerosamente na minha rede branca com rosas pintadas, bem coloridas, tenho que ler ou gasto bateria do controle remoto. Ou seja, preciso estar ocupada para fazer sentido este viver nem sempre pacífico.


As vezes o pensar assalta-me com relação a uma possivel limitação cerebral - ou o tal do suíço que ameaça as mulheres com mais de 50 anos - como sobreviveria assim? Apesar de querer manter distância, o tal estrangeiro bem conhecido da intimidade alienada de muitas mulheres, é um sombra no final do túnel.

Dia do jornalista



O dia do Jornalista é também dia da saúde. O que diria o jornalista fora do mercado, que desemprego faz mal à saúde? E o emprego, melhora a vida? Não sei não. Quando me perguntaram para que a minha filha, Érica, teria feito vestibular, respondi com segurança: comunicação social. Espanto da amiga do momento. Credo! Por que você deixou?

A minha companheira se referia ao salário. A gente que escreve todos os dias, que informa o tempo todo, que corre atrás do fato, que briga para segurar a opinião; que vibra quando fura outra mídia...

Lembro do primeiro salário de Érica. Mãeee que mixaria! - foi mais ou menos assim, considerando que não posso repetir por falta de memória de todas as palavras que ela falou. Isso, porque jornalista tem uma necessidade enorme de exprimir a opinião com todos os argumentos científicos possíveis...

Lembro ainda que sorri de leve - coisa dificil para mim porque gosto mesmo é da gargalhada rasgada - dizendo que tudo isso pode melhorar um dia. Quando Érica era pequena gostava mesmo era de furar com os dedinhos as carinhas de bichinhos que eu fazia dos bolos de encomenda para aniversários de crianças.

É, ser jornalista é sempre correr atrás também de um ganho extra. Afinal, qual jornalista vive sem extras?????

A propósito: A imagem acima é flagrante de uma cobertura que Érica fazia sobre uma festa para a terceira idade. A animação contagiante da participante envolveu a repórter.

Secreto



A felicidade é um desejo cantado aos vários cantos do mundo. O caminho para chegar lá é uma jura secreta. Eis o mistério que abraço. Que encerro o desejo, o advir que foge no dia-a-dia maculado pela irritante tarefa de sobreviver na Capital com um curto capital.


É por isso que brado - e não faço mistério - a vontade de escapar das cobranças e dos cobradores. Dinheiro a gente paga. Gente não se paga com juros, mas com juras secretas.

Chega de mágoa


Neste mundo Terra, em que a mulher já sustenta a família e conquista, com dificuldades, o seu lugar no mercado de trabalho, continua sendo espancada e assassinada pelos maridos, companheiros e a quem ela escolhe, num momento de paixão, conviver.


Penso em castigo: a mulher bela, disposta, absolutamente feminina paga um preço alto por isso. Olho para o macho: arrogante, pretensioso e incapaz de discernir que conviver é reunir vontade de progresso.


Não, não é um discurso feminista. É um desabafo!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...