TV traquina










Confesso que não assisto ao programa do SBT que conta com a participação da garotinha Maísa. Poderia até ficar quieta, sem nada dizer. Mas, como se trata de uma criança, ocupo este espaço cedido, e deixo vir a tona o pensar.

Colegas de trabalho comentaram o ocorrido e muitos deles opinaram que a garota foi realmente humilhada. Por desconhecer o conteudo do programa, questionei sobre a participação de Maísa no ar. Por sua inteligência e rapidez de raciocínio - nem sei se ela ensaia - conquistou o público do programa.

Neste momento, o que considero é o argumento de sempre da mídia, que não se preocupa em respeitar o ouvinte, telespectador e leitor, sob a pretensa idéia de que o povo gosta de lixo.

Esta colocação é que considero verdadeira humilhação. Ninguém gosta de lixo.

Infelizmente, a criança utiliza expressões de adultos para comunicar o seu mundo assediado por interesses, que fogem totalmente da sua compreensão.


Dilma


Dilma Roussef é a brasileira que está na mídia e sofre assédio e reprovações por conta da sua participação ativa na política. Cismo o pensar para o quanto a mulher gera falatórios. A partir de nós mesmas, que alimentamos o mexerico e o julgamento apressado.


Quando Dilma Roussef passou a ser um dos braços fortes do presidente Lula, lembro que recebi um e-mail, contando em detalhes ações da ministra em outros tipos de atividades. Li, pesquisei e esqueci.


Penso que houve um desinteresse com relação à personagem de outrora. Firmo o pensar na mulher de hoje, que corre para o hospital numa luta iniciante contra um dos males que vitimaram inúmeras de nós, neste País.


Além dos adversários "conquistados" com o tempo, Dilma agora trava uma luta quase surda - não a ouvi murmurar - pela saúde afetada. Confesso que fico incomodada com o anúncio de outros pontos numa possível substituição da possível candidata para suceder o presidente.


Penso na mulher disposta, que se expõe aos medicamentos, e acredito que se pudesse, longe dos falatórios, numa tentativa de harmonia com a natureza e a reorganização celular.


Sem flagelos



O nordestino sempre foi conhecido como flagelado. A palavra ainda é repetida na TV do sudeste do País, agora por causa das enchentes. O termo significa flagelo, sofrimento. Mais conhecidos como sedentos, agora somos os alagados. O tratamento mudou com relação à solidariedade?


Ser solidário com a dor é bem mais fácil do que olhar e ver pessoas iguais. Digo isso, porque os conhecidos retirantes, que ajudaram a construir os grandes centros, sempre foram vistos dessa forma. É o olhar vesgo de uma realidade que pode atingir a qualquer um.


Diferenças físicas territoriais são bem fragéis diante da necessidade vital de harmonia, que a humanidade precisa acreditar que existe. Está meio perdida diante de tantos equívocos que promovemos. Mas, existe.


Flagrantes




Diz o evangelho que não "podemos chamar de nosso, o que outro pode tirar sem a nossa permissão". Ou seja, tudo o quanto é material. O que se conquista fica conosco, são ganhos de uma vivência contínua.




Fiquei cismando o pensar depois de ouvir de um colega de trabalho, um emocionado depoimento de um dos desabrigados do nosso Ceará. Móveis, TV e geladeira, a gente compra. Mas, as fotos dos meus filhos foram com as águas. Está tudo perdido.




Lembro que cheguei a rasgar fotos em momentos de frustração. Fragmentava momentos únicos. Hoje, guardo até aquelas que me constrangem. São pedaços da minha longa trajetória: risos, caras e bocas; abraços; beijos e, sobretudo, um tempo inigualável.




O dia seguinte...


...de todas mães é uma rotina normal. Ou seja, um misto de muito trabalho e prazer. No início, o medo da dor do parto; os cuidados com a saúde do bebê. Desde cedo, a mãe é um grande condomínio. Ali, dentro de si, um ser cresce, mexe e acorda cedo, numa estirada de perna que afasta as costelas. Muitos deles, preferem a costela direita.


Depois as noites em vigília. Ser mãe é esquecer que dorme! São horas intensas de baladas de choro, mamilos inchados... Olhos de mãe, quem olha pra eles? Vivem marejados: de preocupação, de emoção...


Eu fiz o curso intensivo de amar três vezes. E não abro mão disso. Pequenos são os nossos bebês; grandinhos, pessoas que precisam conhecer com rapidez para poder acompanhá-los; adultos, companheiros.

Chuva na Cidade



Fortaleza está molhada, praças mais verdes, resistindo ao vandalismo. A chuva não causa transtorno. Inunda a vida. As águas em abundância rasgam as ruas, invadem os lixões, assustam os homens, inclusive os que sujam.


Costumo fazer limpezas na bolsa quase que diariamente. Dali retiro papéis de anotações os quais levo para reciclagem no trabalho; e de alguns bombons e balas, que me nego insistentemente de jogar fora.


Não sou a cidadã que a cidade merece, sorridente vizinha de calçadas pelo medo de me expor, contudo, tenho consciência de que o lixo amontoado não saiu da minha casa.


A Fortaleza que me viu nascer cresceu mais rápido do que eu. É um mundo de ruas, ruelas e becos. Falo da periferia visitada ontem à tarde. O que poderia ser um passeio agradável, foi um desafio desviar dos buracos, do lixo, e das pessoas que não tem calçadas para trafegar.


Eu gosto da periferia porque a gente vê os rostos das crianças, das mães avisando sobre o perigo dos carros, bem diferente dos bairros onde residem os que têm salários melhores, que apenas nos oferecem muros altos e cercas elétricas.

Ora, bolas!


Ora bolas, deixem-me envelhecer em paz! O desabafo alimentado por uma tremenda dor de cabeça -causada por uma virose somada a uma sinusite- foi dado enquanto lia e-mail insistindo para que mantivesse o corpo em forma. O texto sugeria ginástica diária, não sei quantos exercícios. Mais adiante, emagrecer, endurecer, fortalecer e outros "er".


Quer dizer que beirando os 60 anos ainda tenho que continuar sendo a mulher maravilha, imitação das artistas, que ainda acham que precisam ser lindas aos 70 com cara de 20? Ora, bolas!


Eu quero curtir os meus 54 anos, com a soma de todas as minhas vivências. Com o prazer de ouvir os meus netinhos chamando-me vovó, sem me sentir como uma velha acabada. Eu sou tão ocupada para estar gastando a energia que ainda tenho com bobagens.


Aos 20 anos, fiz o que se faz aos 20; aos 30 anos, curti o amadurecimento e fiz companhias a muitas lutas por ideais, agora mais direcionados. E assim fui aos 40 anos. Agora, com licença, eu vou ser cinquentona com muito gosto.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...