Desligamento



Nada mais solitário do que o ato do desencarne, digo no sentir-se desligar. As pessoas logo se afastam como se a mudança pegasse. Mesmo o choro nos deixa sozinhos. Sei que vou morrer, desconfio do tempo. Nem sei se é bom saber...

Lembro quando criança a certeza da morte me assaltava as ideias e ficava confusa horas a fio. Nunca admiti a tese do fim. Cresci querendo fugir da fatalidade única nossa. Hoje me dou conta de que morrer é mais uma invenção humana.

Quando me falavam que voltaria ao pó, pensava que Jesus, o amigo companheiro das horas ininterruptas estava preso a um pedaço de madeira absolutamente entregue a sorte. E teimava nas preces em conversas esparsas do anjo ressuscistado.

Perguntaram-me se temia a morte. Ora, e por que não? o que fazer depois que sair do disfarce?

2012

O fim do mundo também alcança o Brasil. Curiosa vejo a imagem de Cristo que abraça a cidade do Rio de Janeiro desmanchando-se. Antes, só conhecia nas tragédias os grandes símbolos americanos.
A cena despertou a vontade de ver ... em tempo: como será o fim do filme e por que chegou até ao Rio de Janeiro, quando tudo se concentra no mundo hollywoodiano?

2012 ... faltam três anos, portando, para o fim do fim? Fico cismando o pensar com relação ao criador da ficção que tem se primado em revelar a destruição da Terra. Por que será que o tema lhe toma tanto tempo?

Pega de saia curta



Eu sou do tempo que mostrar o joelho era imoral. A advertência vinha da minha mãe, monitora de todos os movimentos nossos em casa. Usar calça comprida? Nem pensar! Coisas de homem. Só depois da aprovação do vestibular obtive autorização para colocar as calças sonhadas.

A primeira foi uma jeans - ainda com cara de calça masculina - presente da minha prima por parte de pai. Exultei! A minha paixão pelas calças jeans é um namoro sem fim. Minha mãe olhava-me sem alcançar o prazer que sentia. Reclamou de estar marcando as pernas.

Uma amiga - ai de nós sem elas - convenceu que os joelhos estariam cobertos o que me daria mais liberdade para sentar também. A minha mãe vivia dizendo que eu não me sentava como uma moça direita. Até hoje estou para saber os porquês.

Não bastava ser moça (virgem) naquela época. Tinha que se comportar como tal. O que era necessário? Usar etiqueta? O lero de hoje é por conta da moça que quase perdeu a faculdade por conta do vestido curto. Se ela estivesse usando uma calça jeans...

Papo



Papo intelectual nem merece a primeira palavra. Ora, só papeia quem não tem papas na língua mas o prato logo é devorado. Sem sustança.

Conversa franca - olho no olho - e língua filtrando palavras que ornamentam frases e embevecem o pensar, nem cismo buscar porque foge do dia a dia.

O intelecto é tão rápido que engole o vento que sopra as palavras. Por isso, mais uma vez, gaga, falo, falo... E dizem por aí que nem penso. Ora, só!

Do leite



Adoro leite em pó. De lata considerava que seria o único produto que pouca polêmica marcou nesses tempos de criação. Falando nisso, fui pesquisar sobre a desidratação do leite da vaca. O leite em pó foi inventado no final do século dezenove em plena revolução industrial.

No entanto, só chegou por aqui no ano de 1956, quando foi inaugurada a fábrica de leite Mococa. E quem inaugurou  a fábrica de leite foi o presidente da República da época, Café Filho. Tudo a ver, não?

Segundo historiadores, o único inconveniente do leite em pó é que provocou, devido à sua praticidade, uma redução no aleitamento materno. A transformação do leite em pó consome milhões de litros do líquido o que provoca além de preços altos, impactos negativos na criação das vacas leiteiras.

Enquanto isso, nós mulheres podemos produzir leite saudável, distribuídos em embalagens absolutamente naturais, diferentes das mamadeiras e bicos plásticos, que nem sempre são reciclados.

A gente estraga o Planeta por uma absoluta vontade equivocada de não seguir as leis naturais.

Victor e a net



Um jeito muito bom de passar o tempo. Esta é a definição da Internet feita pelo meu neto Victor, nove anos. Quando perguntei o que mais seria ele respondeu "um jeito de comunicar com muitas pessoas de longa distância".

Insisti, só isso? fez uma caretinha levantando os olhos para aquele lugar do cérebro que ele tem guardado o banco de dados, sorriu e disse: "Eu só faço isso na Internet!"

Assunto encerrado. Ficou me olhando enquanto escrevia este post, demonstrando interesse e perguntando com o jeito que só ele tem por que eu estou fazendo este relato.

TVendo



Enquanto a TV do Sudeste do país briga pela concorrência e sofre revezes, a TV cearense desponta como a luz do sol na Cidade.

Quem disse que nós não sabemos fazer TV?

Vamos mirar os nossos profissionais. Para entender basta acompanhar os trabalhos de Ian Gomes, Kezia Diniz, Karla Soraya e Maysa Vasconcelos. Isso sem colocar os homens que brilham, Nonato Albuquerque por exemplo, que apresenta as dores nossas sem o cotidiano perverso.

Aqui no Ceará, TV não é só imagem. Parabéns!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...