Saudade

Saudade é aquele desejo sem retorno do que a gente quer reviver com o pensar de hoje.

Dai vem a tal da monotonia. Isso, porque na ânsia de viver cada dia mais rápido, saltamos o gosto das ocorrências.

Mas, como nem todo saldo é positivo e nem todo balanço indiscutível, ainda é tempo para deixar curtida a experiência do agora. E deixar que a saudade apenas nomeie o que não tem retorno.

Tingimento

Dizem que nós mulheres temos noias. Os cabelos são os mais afetados, sem dúvida. E lembro que sou do tempo em que ter prateados na cabeça significavam experiência e estimulava por isso mesmo, respeito. Ai veio a tintura. Homens e mulheres colorindo cabelos para disfarçar a idade.

Hoje, o tempo de vida não influi pela preferência aos salões de beleza lotados. São inúmeras as garotas que usam química para mudarem o que ainda não ficou definido.

Estou hoje meio marrom: nem morena, nem ruiva e, muito menos, loira. Tinjo os fios em casa com ajuda sempre oportuna de uma amiga e não nego a idade. Eu gosto muito de dizer que estou quase sexagenária, mas com os cabelos pintados que não abro mão. É que a raiz branca briga com o restante do conjunto.

Lembro uma grande amiga minha que resolveu deixar o alvo tomar conta da cabeleira. Com a demora do crescimento, outras pessoas lhe indagavam sobre o resultado. Reclamaram tanto que a linda resolveu tingir de novo. Pronto, ficou em paz. Certos comentários são tão nocivos quanto moscas no doce.

Queria ser artista

Lembro quando menina, faxinando a enorme casa que servia de pensionato. Quando o calo reclamava, parava o movimento e imagina-me num palco. O cabo de vassoura era o meu microfone e ali soltava a voz, numa parceria que só a mente imagina. Sempre era aplaudida. Cantava tudo o que ouvia no rádio. Naquela época criança podia ouvir rádio sem preocupação dos pais.

Adolescente imaginava-me outra vez no palco, agora interpretando personagens sofridas e brincalhonas. Na escola, fui comediante da turma. Fazia paródias simultâneas e assim garantia o lanche. Lá em casa a economia torcia contra.

Na universidade, o humor tornou-se escrachado ao mesmo tempo que a poesia. Voltava à infância e compunha. Passei do doce ao azedume. Movimentos estudantis. Não que eu fosse militante, imagina, morria de medo de tudo e de todos e a década de 70 não me estimulava. Sempre fui covarde diante da pressão. Preferia recolher-me.

Se fiz história fugindo da arena, não sei, mas pra mim o heroi não tem que morrer sempre. A palavra é a ordem para a harmonia. E nisso, venho trabalhando há algum tempo.

Por amizade

Tem certos momentos que olho ao redor e não vejo sorrisos de amigos. É ai que penso o quanto é necessário o reencontro.

Passo os dias interagindo com o computador, telefone ao lado, toda a tecnologia favorável para uma aproximação. Culpo a rotina com mil afazeres para não dar bom dia e perguntar para aquela amiga tão distante no circulo sobre a cor do dia.

É claro que há aquelas que o chamego é maior. O Google talk que o diga. Mas, mesmo assim é um tal de morrer o assunto e de um matar oportunidades. Peço aqui desculpas aos amigos, verdadeiros anjos, que sustentam as quebradas da esperança, o pisar falso do empenho...

Nesses anos todos que estou por aqui, nada mais é compensador - depois de assimilado - a crítica ferrenha de um amigo. Diferente na intencionalidade do adversário, um amigo enfurecido é o corretivo que Deus nos envia. Louvados sejam!

Anel e dedos

Gosto de aneis. E percebo que por muito tempo valorizei a joia ou a bijuteria mais do que os amigos em número de dez, que garantem apresentar o meu pensar. Os dedos, companheiros de 55 anos, que já bateram a máquina, já discaram e hoje teclam e digitam.

Reconheço que utilizei mal essa ferramenta. Muitas vezes apontei, coloquei em riste o indicador até mesmo contra mim. Foi um motim? Depois com azedume e por que não dizer amargor, corto as unhas querendo podar as más tendências.

Pelo menos as minhas falanges conspiram neste blog puxando o pensar de quem lê. Ou seja, aprendi depois das quase seis décadas que os aneis só existem porque os dedos cá estão. Ou melhor ainda: é preciso ter dedo para apontar, mas nem sempre é necessário que se aponte com tanto alarde.

Chuva

Gostaria que os estragos que atribuimos a chuva fossem  de ordem gramatical. Eu poria um X na questão e poderia cantar Xove Xuva... sem parar....

Ficar por aqui

Fui constrangida a dizer adeus a uma amiga de muitas vivências. Nem conto o tempo que a gente se afastou. Ela no outro plano, num retorno que espero tranquilo, e eu por aqui acordando cedo, ainda de madrugada com resquícios da viagem noturna. A frase lateja na mente: Eu não quero morrer. Não aceito isso. Num apelo consolador fujo da fatalidade terceirizando a ideia fixa.

Que fique em algum lugar na mente. Tenho mais o que fazer. O relógio não para e eu preciso preparar um café quente para sentir o gosto da Terra. Agora até lembro a letra apocaliptica de Eduardo Dusek. Pois sim, não vou ficar com a boca escancarada na janela, tal qual Raul...

Essa passagem pode até baixar de preço, socializar o retorno, mas poeta canta dor dos mortais por aqui mesmo. Depois de pronto o café, hora de ir para janela e com olhos fitos no ceu, agradecer por mais um dia na escola, na condição de repetente, e pedir para ser mais dócil.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...