Amei, amo...

Eu queria um dia pensar nos amantes sem melancolia, sem nostalgias. Mas, esse sentir é tão punjante.

Sempre quis tanto estar com alguem. Mas, acho que só tive. Há uma diferença bipolar nisso tudo.

Estar é caminhar junto numa estrada, que pode ser longa dependendo dos saltos da paixão.

Acredito que domestiquei sentimentos. Lavei, passei, guardei, cuidei.

Fui uma gueixa nordestina, fazendo pirão que provei com muito sal. Noutros, banquetes doces fortificaram a esperança das mãos dadas. Interessante que, por mais que o corpo pedisse sofreguidão, a mão queria conforto. O entrelaçamento que não houve.

Fui encolhendo para novidades à proporção da passagem dos anos. Mas, desde cedo neguei a amplidão da aventura. Apenas escapulidas sociais na folga do juiz que sempre fui. Estou sempre em dívida comigo, dai a toga ser sempre tão presente.

E de que valeram os apelos íntimos, sussurros que nem o meu self ouviu?

O partir

Sempre quando alguem conhecido se vai, fico pensando sobre este ir, tão ilógico, tão arrasador.

Se eu pudesse, saberia a resposta para morrer doi?

Nada é mais temível do que o morrer profundo. E quantas vezes cheguei a desejar? Nem sei quantas... mas recuo diante desse nada que surpreende a minha vã indagação.

Nem adianta correr atrás das letras mediunicas, que trazem mensagens de acalanto. O partir sempre será assim. Essa presença de antes ocupada literalmente pela saudade, pelo querer pegar, tocar, sentir o calor. Quero você por perto nem que seja para encher o seu saco, eu diria. Egoisticamente dolorosa é a despedida.

Peço licença a palavra, para jogar sobre o precipício, que faz eco a vida que poderia ser feliz. Toda partida segmenta a alma, que se subtrai na alegria e se expande na reflexão.

Sinceramente, quero ver dentro de mim a expectativa verde da permanência vital, o auge da tolerância finita ao que ainda não estou pronta para compreender.

Um culto ao passado

Eu gosto de viajar no tempo, dá uma ré para a marcha não quebrar com os desencantos. Sim, o que seria desse amor desconhecido nosso e tão sentido se não fosse o drama.

Estou no século XIX e me encontro com os embriagados pelo álcool e os ébrios românticos, que insultam a líbido, olhando para os pálidos pés das damas enchapeladas.

Rostos pálidos, cheios de dor e suspiros apertados em espartilhos; musas inspiradoras dos amassos dos muros. Sim! àquela época os amassos eram torturas e as menininhas de hoje nos "ficas" da vida não conhecem o sabor do beijo roubado, a ânsia do encontro às escondidas.

Ah, o romantismo que via na mulher apenas o espírito criativo e sonhador. A atlética Iracema de José de Alencar,  bem que poderia ser o ícone das meninas malhadas que superlotam academias. Casimiro de Abreu nos ensinaria que a infância é uma brincadeira de gente grande,que se perde hoje.

Ah, a adolescência (in) feliz minha. Quantos suspiros joguei fora, o corpo trêmulo no escuro da noite, num quarto proibido. Eu queria morrer assim, na tuberculose romântica dos poetas.

Mas, também amava os quintais como ainda hoje. O som dos pássaros, o passeio das folhas na paisagem verde dos meus sonhos.

Não pelo sobrenome, mas Casimiro de Abreu é um dos meus preferidos e me dá a sensação das tranças enormes descansarem outra vez nas costas:
 Se eu tenho de morrer na flor dos anos
         Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
         Cantar o sabiá!

Caçadora

As pessoas que gostam de mim tem razões para isso. E as que não gostam também. Não sou uma conquista fácil e, muito menos, uma conquistadora.

Acredito na graça da amizade, sem cobranças, sem exigências impossíveis. É fácil largar, difícil é ficar sem triturar o perfil do outro.

Não sou modeladora e, muito menos, massa de modelagem. Uma estatueta, uma obra de arte para ser apreciada por um tempo, fadada a poeira.

Apenas uma caçadora do conhecimento próprio.


Não, mesmo

Eu não quero ser normal.

Isso seria seguir à risca a opinião de alguns.

O pensar flui assim como as conveniências.

Eu não sou o tijolo que falta na parede. Muito menos, o cimento para remendar a marca dos pregos dos quadros, que guardavam imagens de mim. Ou a tinta que descasca ao toque dos dedos do artista ausente.

Eu apenas quero ser a minha melhor companhia. Portanto, os conceitos devem ser guardados. Quem sabe, um dia talvez, no resguardo das horas, eu não me debruce sobre eles e num instante, eu me surpreenda com um aplauso.


Entardecer da vida

As coisas de ontem dão saudade porque eu só pensava no amanhã, que é hoje. E faço grande rebuliço nos anzois da esperança na pesca de algo surpreendente.

Nada é mais temível do que a velhice - porque lembra esquecimento. A gente esquece de sorrir, de comer, de desejar e quando isso ocorre alguem está sempre de guarda para nos lembrar, que o único balanço na rede da vida, é tangido por um pé cansado, impulsionado por uma perna, que pesa.

Sei que estarei morrendo quando deixar de querer. Só que  o poço dos pedidos continua aberto com fundo encoberto de moedas de melhoras.

Música

A música é uma viagem sem custos.

É mão que pressiona o relógio da vida.

É a centelha viva de um amor na saudade.

É um passeio pelos cachos dos anos vividos a fio...

É a nave espacial que o homem recriou para mostrar que é sensível.

É a inspiração divina que a alma se identifica.

Costumo entender que conheço as pessoas por suas escolhas musicais.

Há canções que as letras sou eu com a minha história sentenciada a um término.

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...