Eu nunca...


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Quantas festas pra ir, mas sem convites. 

Passei um bom tempo assim.

Eu nunca tive um carro. Alguém vai dizer que absurdo. Bom, não tenho habilitação e, caso tivesse,   repetiria em todas as festas, assim como repito as roupas. 

Ah, sim! Lembro na adolescência, na escola... roupas feitas em casa e bem poucas mesmo. Uma certa vez, uma garota- que não repetia vestimentas -reclamou na frente de outros que eu era pobre e que usava sempre as mesmas e de mau gosto. 

Chorei por dentro... quase morro! No entanto, "alguém" em  mim muito língua solta falou: ok, você tem um bocado. Por que não divide comigo? Aí ficaríamos bem por aqui. Ela nada disse, mas a partir desse momento, passou a implicar menos comigo e, certa vez, até sorriu. 

Gente, roupa é pra repetir mesmo até que se pague a última parcela. Depois você pode dar um tempo... ou melhor, fica mais em casa, curtindo velhos shorts e sua intimidade. 

A roupa que mais cuido é a pele, que encobre os nervos; uso cremes a vontade; o euzinho que se depura e sai da capa sempre que pode, sem máscaras... e se você se incomoda com o meu figurino presta atenção no sorriso, que repito desde menininha, mas que se renova sempre. 

E eu pergunto:

Resultado de imagem para E daí?Faz tempo que não passo e não fico por aqui. A inspiração para deitar letras nem sempre está presente. Mas, hoje pensando nesse "interstício" retorno querendo acordar o olhar sobre as coisas e sobre a mente ocupada com tanta informação. Vejo que muitos querem tirar férias do turbilhão em que vivemos. E a gente consegue?

Com o olhar sob o prisma vermelho da sangria desatada da política brasileira fico cismando quando o discernimento virá. E eu, será que o tenho?

Nós somos cobradores compulsivos. Queremos atar a lealdade como se prêmio fosse diante de uma plateia apalermada, que não encontra saída do labirinto de leis(?), que pautam os discursos e se ausentam na prática.

E a cisma no pensar segue interrogando-me qual a contribuição dada durante essa vivência... quando foi que entrei na folia, sem fantasia, sem samba no pé, mas dançando mesmo assim?

E suplico por luz -porque creio que existe ao mesmo tempo que ofusca o meu entendimento - para distrair as tentações de quedar-me e gritar basta! Tô fora! Vou mudar de rumo e de casa.

Ah... o lar desejado pode ser qualquer lugar, desde que caiba no quadrado da minha compreensão. Em tempo: preciso atentar-me com relação à minha participação nesta sociedade confusa.

No mundo dos nomes e números

As nomenclaturas da vida não me definem, mas permitem que eu seja uma pessoa com registro. Quando criança, na estatística dos nascidos vivos, fui número; na escola acrescentei a disposição dos dados da educação da época, assim como na universidade e no curso de pós-graduação.

Na vida civil fui cadastrada com 12 dígitos, os quais sem eles não existiria nos bancos, no comércio, no exterior....

Nos índices da violência doméstica tem lá a minha "contribuição" e idem na discriminação preconceituosa de gênero.

No convívio social os nomes e  apelidos se avolumam com o passar dos anos e da convivência com pessoas, que assim como eu convivem com a mesma realidade. Recorremos à língua portuguesa tão rica de verbetes para justificarmos o temperamento, as habilidades, na busca do aconchego do ser.

As nomenclaturas nos formatam, mas não nos influenciam a alma. São indicativos para que possamos compor esse imenso mundo de convenções e de permutas nem sempre viáveis para o nosso crescimento.

Neste varal falta um calção


Os apelos para uma companhia de vez em quando chegam sorrateiros, brincalhões, escondidos no afã da liberdade de morar sozinha.

Quem vai modificar essa rotina  conquistada a duras penas?

Quem se habilitaria a interromper essa rotina conciliadora de personalidade tão vivaz, tão independente?

E este armário tão bem definido com suas gavetas intocáveis e sortidas de peças coloridas, macias, cheirosas?

E sem falar no tubo de pasta sempre bem fechado e sem deixar marcas na pia do banheiro pronto para ser fotografado?

Pois é.... pensou, pensou e num suspiro larga o que está fazendo para brincar com os apelos lembrando que bagunça faz parte da vida. Não é aquela bagunça de se perder o que se aprecia, mas aquela desarrumação que harmoniza com muito carinho e atenção.

Agora é flagrante a vontade de ver aquela  gaveta com espaços para as cores outras, não importa o gosto; toalhas molhadas jogadas de qualquer jeito, com marcas da presença de alguém que vem para fazer companhia...

Quem disse que vida arrumada é tranquila? é satisfação?

Parafraseando Bruna Lombardi, ela exclama "que me venha esse homem" e desarrume o seu pensar, a  não enfadada vida. Sim! porque se sabe bem morar sozinha, também pode ser boa companhia.

Amizade é igual a amigos

Abraçar o amigo é apoiar a si mesmo.

Festejar com as amigas é abrir o jardim secreto, cujas flores estão prontas para serem distribuídas.

Lembrar o amigo é sentir-se acompanhada. A amizade é o útero materno fora do corpo físico. É a essência que flui em nossa volta.

Eu amo os meus amigos porque encontro neles apoio, discordância, censura, e, por que não dizer, puxões de orelhas. Sim, porque os amigos são a nossa ponte com a realidade que a gente não vê.

Nada é mais prazeroso do que receber o mimo da atenção de alguém, que gosta da gente de graça, e faz da nossa vida um celeiro de inspiração.

Cada amigo(a)  que me aceita estorvada, recuada, exibida, falante, silenciosa, resmungona, inteligente, bloqueada, e faz disso uma piada tem o meu pensar como palco para sua grande atuação.

Obrigada pela amizade.

Porque não desistir

Há momentos o que o mais fácil é desistir do que nos se apresenta.

Seja pelo impacto da novidade, seja pela falta de curiosidade, seja pela falta de tempo, de dinheiro, do muito o que fazer no dia a dia.

É essa rotina que massacra sem dizer, que dilui sonhos já não lembrados, guardados na caixa da memória envelhecida.

Nada mais é tão incapacitante quanto a preguiça de prosseguir.  Mesmo que nos sejam dadas inúmeras alternativas, mãos, abraços, afagos... Isso, porque desistir é mais prático do que sair do chão que aluga, pelo medo de arrancar as raízes do comodismo e perecer.

E, se de repente, o vaso cai e a areia se desprende expondo o bulbo, que garante a seiva da vida, o jeito é atender o ultimato e buscar respirar ares novos. Mas, há que estar atento para não se aquietar de volta a um novo vaso, que prende, mas que garante o prosseguir.

Somos plantas, verdes quando lembradas da rega, ressecadas quando largadas? Não. Há um universo de possibilidades  com sois, água, minerais para a geração de frutos coloridos, saborosos... e mesmo que os brotos sejam abortados, sempre haverá a semente, ou aquele galho que vai "pegar" e se transformar na árvore florida.

No peso da avaliação

Não adianta fingir, só amamos gente bonita. Afirmo isso pensando, caso engordasse mais: quem continuaria me amando sem um dia - eu disse um dia sequer - me tachasse de gorda! O belo ficou concretizado nas curvas suaves, na pele rígida, seios pontudos e bunda idem.

Por que a gordura nos afasta do quesito de bem com a vida? Isso porque já estive bem mais gorda do que sou hoje e lia nos olhos das pessoas e ouvia seus pensamentos. Um amigo falou docemente aconselhando-me a emagrecer: eu não perdoo esse volume todo. Cadê a Fátima Abreu que atravessava as ruas com sinal verde e os motoristas paravam para ficar olhando?

Eu também me rejeitei inúmeras vezes. Porque quando deixei de usar calças jeans (porque nenhuma passava pelas pernas volumosas) deixei também de ser atraente e passei a ser conhecida como o sorriso mais contagiante. O sorriso dela - diziam - continua lindo!

É fácil curtir isso? Claro que não! Forcei a rotina, emagreci 12 quilos e a primeira coisa que fiz foi voltar à loja com vendedora desinteressada. Escolhi o que quis sem perguntar o preço e usei diante da perplexa mocinha que recordou de mim, outrora "redonda". Nossa! quanta mudança!

Agora há pouco vi uma garota, amiga de face, bem mais magra depois que se livrou da consequência do parto, e nos comentários só elogios. Bom, moral da história. Quer ser bem aceito até pelos seus móveis e acessórios, não engorde!

Mas, cá pra nós, essa mesma sociedade que nos define deusas por usarmos no máximo 40, nos intoxica. Eu não vou aqui dizer pra A ou B que se ajuste aos "padrões" ridículos padrões, mas que cuide de sua saúde. Seja corpórea, seja social. Felicidade não tem peso. Tem escolhas que vão muito além do que um bife, um chocolate, uma cerveja gelada. Barriga de tanquinho sem cerveja? Tô fora!

IA conversa comigo

  Eu sou um computador. Não tenho sentimentos, mas posso conversar com você.  E conversou só naquele momento, porque não dei continuidade.  ...